
Crise no STF expõe disputa sobre investigações contra Alexandre de Moraes
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Veículos com viés ao centro
- Congresso em FocoUma crise com DNA masculino no STFPor Adriana Vasconcelos. Em 218 anos de existência, o Supremo Tribunal Federal só teve três mulheres.Matéria: Esquerda
Classificada como esquerda, embora o veículo tenha viés editorial centro.
Análise editorial
O texto lê a crise do Supremo pela chave da sub-representação das mulheres nos espaços de poder, cobra paridade como critério de decisão institucional e recorre a dados sobre o papel econômico das mulheres. Critica também o presidente Lula por indicar três homens, o que mostra que o enquadramento não é partidário, e sim de direitos e representação coletiva, característico da esquerda.
O Supremo Tribunal Federal vive uma crise interna que mistura as investigações sobre o ministro Alexandre de Moraes, a proposta de um código de conduta para a Corte e a disputa sobre o inquérito das fake news. A direita cobra reforma e limites ao poder do tribunal; a esquerda cobra paridade e prestação de contas. Veja o que cada lado diz e o que ainda não foi respondido.
O Supremo Tribunal Federal entrou em setembro de 2026 no centro de uma crise institucional que atravessa a reta final da campanha eleitoral. O núcleo do conflito é o futuro das investigações que alcançam o ministro Alexandre de Moraes, ligadas à sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e a disputa interna sobre como a própria Corte deve apurar a conduta de seus integrantes. Em paralelo, o presidente do tribunal, Edson Fachin, defende a adoção de um código de conduta para os ministros, cuja relatoria está com a ministra Cármen Lúcia.
A aritmética interna pesa no desfecho. O ministro Dias Toffoli vem se declarando impedido de votar em processos relacionados ao banco Master desde que abriu mão da relatoria do caso, o que pode deixar a decisão sobre as investigações dependente de um voto de desempate. Cármen Lúcia, única mulher na composição atual e com aposentadoria compulsória à vista, sinalizou apoio tanto ao código de conduta quanto ao encerramento do inquérito das fake news, aberto há sete anos.
A leitura de centro, apoiada nos fatos que as duas coberturas compartilham, registra um ponto comum: a Corte está desgastada e a falta de mecanismos claros de controle sobre a conduta dos ministros é parte do problema. Também é fato incontroverso que a crise se desenrola enquanto o país deveria discutir a eleição, e que o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias ao tribunal, em meio à preferência do presidente da Casa, Davi Alcolumbre, pelo senador Rodrigo Pacheco.
As divergências aparecem no diagnóstico. Veículos de direita enfatizaram que a crise é o ápice de um processo longo de hipertrofia institucional, no qual um tribunal desenhado para guardar a Constituição se converteu em arena de contencioso político. Nessa leitura, o problema está no uso permanente de inquéritos abertos de ofício, em que a mesma figura atua como vítima, acusador e julgador, e no recurso a decisões monocráticas para conter denúncias. A comparação é feita com a autocontenção da corte dos Estados Unidos, com o conselho constitucional francês, restrito ao controle de constitucionalidade, e com as balizas de autolimitação do tribunal alemão. A saída proposta é uma reforma estrutural, com mandatos temporais para ministros, limites às liminares individuais e proibição de investigações iniciadas pelo próprio tribunal. O argumento vem acompanhado da lembrança de que o senador Antonio Carlos Magalhães já denunciava, nos anos 1990, morosidade e benevolência corporativa ao propor uma CPI do Judiciário.
Veículos de esquerda destacaram outro eixo: a composição do tribunal. Em 218 anos, apenas três mulheres ocuparam cadeiras no Supremo, e só uma permanece em atividade. O presidente Lula, nas três oportunidades de indicação do terceiro mandato, escolheu apenas homens, e a crítica atinge o próprio governo. Nessa leitura, a concentração das decisões judiciais em mãos masculinas não é acidente estatístico, mas condição que favorece o comportamento corporativo hoje exposto. O código de conduta e o fim do inquérito das fake news são apresentados como avanços de transparência, e não como ataque à Corte, e a independência histórica de Cármen Lúcia é apontada como contraponto ao padrão da cúpula.
Briefing
O que importa para você
O julgamento sobre o futuro das investigações que envolvem Alexandre de Moraes pode depender de um único voto de desempate, com Dias Toffoli impedido nos processos ligados ao banco Master. O código de conduta relatado por Cármen Lúcia definiria regras de conduta para todos os ministros, e o eventual fim do inquérito das fake news encerraria uma apuração aberta há sete anos.
Onde os lados divergem
A direita aponta a causa no ativismo e na hipertrofia do Judiciário, com inquéritos de ofício e decisões monocráticas, e pede reforma com mandatos temporais e limites às liminares individuais. A esquerda aponta a causa na composição masculina e fechada da Corte e cobra paridade, código de conduta e fim do inquérito das fake news. A direita quer reduzir o poder do tribunal; a esquerda quer mudar quem o exerce e como presta contas.
Onde os lados concordam
As duas leituras concordam que o Supremo Tribunal Federal vive um desgaste sem precedentes recentes, que faltam mecanismos eficazes de controle sobre a conduta dos ministros e que a crise sequestrou o debate público em plena reta final da campanha eleitoral.
O que ainda está incerto
Fontes

Por Adriana Vasconcelos. Em 218 anos de existência, o Supremo Tribunal Federal só teve três mulheres.

'Já passou da hora de promover uma reforma profunda no Poder Judiciário'



