Flávio Dino pede vista e STF suspende sessão sobre Alexandre de Moraes e Vorcaro
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Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
6 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Briefing
O que importa para você
- Flávio Dino tem até 90 dias para devolver o caso; a retomada será marcada por Edson Fachin.
- As acusações de Moraes contra Mendonça seguem na pauta de 23 de setembro.
- Para 67% dos eleitores ouvidos pela Quaest, a crise não muda o voto em outubro.
Onde os lados divergem
- Esquerda enfatiza conflitos de interesse de parentes advogados e a falta de mulheres na corte; direita aponta inquéritos de ofício e decisões individuais como raiz da crise.
- Esquerda destaca a cobrança de Lula por moralização; direita destaca a vantagem de André Mendonça sobre Alexandre de Moraes na aprovação do público.
Onde os lados concordam
- A sessão de 15 de setembro terminou sem decisão e aprofundou a crise do STF.
- Esquerda, centro e direita defendem alguma forma de reforma do Judiciário, incluindo mandato para ministros.
O que ainda está incerto
O Supremo Tribunal Federal encerrou sem decisão a sessão sobre investigar a relação do ministro Alexandre de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro, preso no caso do Banco Master. Depois do bate-boca entre Gilmar Mendes e André Mendonça, Flávio Dino pediu vista e tem até 90 dias para devolver o caso. Abaixo, como a esquerda, o centro e a direita leram a crise na corte.
O Supremo Tribunal Federal terminou sem decisão, na terça-feira, 15 de setembro, a sessão convocada para discutir a possível abertura de investigação sobre a relação do ministro Alexandre de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro, preso e suspeito de fraudes bilionárias no caso do Banco Master. O ministro Flávio Dino pediu vista, isto é, mais tempo para analisar o processo, antes que a corte chegasse à questão principal. Ele tem até 90 dias para devolver o caso, e a data de retomada será definida pelo presidente do tribunal, Edson Fachin.
A cobertura de centro relatou que a sessão foi tomada por uma questão de ordem apresentada pelo decano Gilmar Mendes. Ele propôs unir o caso de Moraes a outra petição, que acusa o ministro André Mendonça de atuação irregular como relator do caso Master, e sortear um novo relator. O placar parcial caminhava para empate. Gilmar, Dino, Moraes e Cristiano Zanin apoiavam a proposta. Fachin, Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia se opunham. Nunes Marques e Dias Toffoli se declararam impedidos. Nunes Marques, que preside o Tribunal Superior Eleitoral, anunciou o impedimento horas depois de virem a público mensagens que indicariam pagamentos do Master a seu filho, advogado, o que ele nega.
O debate foi marcado por ataques diretos. Gilmar acusou Mendonça de desfaçatez e de agir com sentimento policialesco. Mendonça devolveu a acusação e negou qualquer motivação eleitoral. Foi ele quem pediu à Polícia Federal, no fim de agosto, o relatório que identificou Moraes como destinatário de mensagens suspeitas de Vorcaro. Ao pedir vista, Dino disse que não havia condições de deliberar e que não seria correto prolongar o julgamento às vésperas das eleições de outubro. Ao final, Cármen Lúcia pediu desculpas à população pela situação da corte.
Uma pesquisa Quaest com 2.004 eleitores, feita entre 10 e 13 de setembro, mostrou que 37% consideram correta a atuação de Mendonça na crise e 16% a de Moraes. Para 67%, o conflito não influencia o voto para presidente.
As leituras divergem. Veículos de esquerda destacaram a reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que defendeu uma reforma profunda do Judiciário, com mandato para ministros, novos critérios de escolha e regras contra parentes advogando nos tribunais, e afirmou que na Suprema Corte ninguém pode ficar sob suspeita. Uma coluna nesse campo leu a crise pela ausência de mulheres no tribunal, que teve apenas três ministras em sua história, e cobrou Lula por indicar só homens. Veículos de direita enfatizaram o que chamam de modelo inquisitorial, com inquéritos abertos de ofício em que a mesma figura é vítima, acusador e julgador, e defenderam limitar decisões individuais e proibir investigações de ofício. Na cobertura de centro, uma análise econômica cobrou autocontenção do próprio tribunal e um mecanismo de impeachment de ministros que seja crível no Congresso.
Fontes
Em sessão marcada por bate-bocas e trocas de acusações diante das câmeras, Flávio Dino pediu vista e paralisou caso; ainda não está claro se Supremo vai manter data para analisar acusações contra Mendonça, marcada para semana que vem.

Contribuição do STF para o desenvolvimento do país e para o fortalecimento da democracia dependerá de mudanças no seu funcionamento




