As primeiras pesquisas de intenção de voto para o Senado divulgadas depois do encerramento do registro de candidaturas mostram disputas embaralhadas em pelo menos três estados: Piauí, Minas Gerais e São Paulo. Em nenhum deles há favorito isolado, e o volume de eleitores indecisos ou dispostos a anular o voto rivaliza com o desempenho do primeiro colocado. Cada estado elege duas vagas na Casa Alta nas eleições gerais deste ano.
No Piauí, o levantamento Datafolha divulgado em 22 de agosto de 2026 apontou empate técnico triplo. Os senadores Ciro Nogueira (PP) e Marcelo Castro (MDB), ambos candidatos à reeleição, registraram 16% das intenções de voto cada um, seguidos pelo deputado federal Julio César (PSD), com 14%. Como a margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos, os três estão tecnicamente empatados. Tiago Junqueira (PL) aparece com 4%, e Jorge Lopes (PSDB) e Danniel Rocha (PSTU) marcam 2% cada. Votos em branco, nulos ou em nenhum dos candidatos somam 20%, e os indecisos, 14%. Foram 826 entrevistas presenciais entre 18 e 21 de agosto, com nível de confiança de 95% e registro no Tribunal Superior Eleitoral sob os códigos PI-06656/2026 e BR-05672/2026.
Em Minas Gerais, a pesquisa divulgada um dia antes mostrou um quadro ainda mais aberto. A ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT) lidera numericamente, com 11%, à frente de Carlos Viana (PSD), com 8%, de Domingos Sávio (PL), com 6%, e de Marcelo Aro (PP), com 5%. Concorrem 17 candidatos às duas vagas do estado. Os indecisos somam 24%, e brancos ou nulos, 21%. Na pergunta espontânea, quando nenhum nome é apresentado ao entrevistado, 84% dos mineiros não sabem em quem votar. O levantamento ouviu 1.204 eleitores entre 18 e 20 de agosto, com margem de erro de três pontos e registro MG-00446/2026.
Em São Paulo, a pesquisa Real Time Big Data divulgada em 24 de agosto colocou o deputado federal e ex-secretário estadual de Segurança Pública Guilherme Derrite (PP) na frente, com 18%, seguido pela ex-ministra Simone Tebet (PSB), com 17%, pelo deputado estadual André do Prado (PL), com 15%, e por Marina Silva (Rede), com 14%. Ricardo Salles (Novo) tem 10%. O instituto ouviu 2 mil eleitores entre 19 e 22 de agosto, com margem de erro de dois pontos e registro SP-01347/2026. André do Prado, que em junho aparecia em quinto lugar com 10%, é apoiado por Eduardo Bolsonaro, que anunciou que disputará a primeira suplência da chapa.
A cobertura de centro tratou os três levantamentos como dado estatístico e concentrou o esforço em explicar a metodologia: detalhou tamanho de amostra, período de campo, intervalo de confiança e códigos de registro eleitoral, explicitou por que percentuais separados por dois pontos configuram empate técnico e reproduziu a ressalva de que pesquisa é retrato do momento, não prognóstico de urna. Veículos de esquerda deram ao tema tratamento igualmente descritivo, reproduzindo a íntegra da lista de candidatos do Piauí sem enquadramento ideológico e apontando os dois senadores em reeleição e o deputado federal como favoritos, exatamente como os números indicam. Veículos de direita fizeram a escolha editorial mais marcada: deslocaram o foco para São Paulo e organizaram a notícia em torno do avanço do terceiro colocado, apadrinhado por Eduardo Bolsonaro, deixando o líder da pesquisa como moldura da manchete.
A divergência, portanto, está menos nos números e mais no recorte. Enquanto a cobertura de centro e a de esquerda mantiveram o eixo nos estados em que o quadro é de empate entre nomes já estabelecidos, a de direita construiu uma narrativa de trajetória ascendente, encadeando o resultado de agosto com um levantamento de outro instituto divulgado em 19 de agosto. Nessa segunda sondagem, o mesmo candidato aparece com 16,8% e segue em quinto lugar, atrás de Simone Tebet, com 31,1%, Marina Silva, com 30,1%, Guilherme Derrite, com 28,2%, e Ricardo Salles, com 19,7%. Os dois conjuntos de percentuais têm escalas muito diferentes e não são diretamente comparáveis, ressalva que não aparece nos textos que os apresentam lado a lado.
O que ainda não se sabe é como se comportará a fatia mais numerosa do eleitorado. Nenhum dos levantamentos mede para onde tendem os indecisos, e a cobertura não informa se houve pesquisa anterior no Piauí ou em Minas Gerais que permita medir tendência, uma vez que estes são os primeiros números depois do início oficial da campanha.