Flávio Dino abre à Polícia Federal as provas paulistas do caso Dark Horse
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O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, autorizou em 21 de agosto que a Polícia Federal acesse o material apreendido pela Polícia Civil de São Paulo na operação de junho contra Karina Ferreira da Gama, sócia da Go Up Entertainment, produtora do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão, divulgada em 24 de agosto, dá cinco dias para a polícia paulista repassar os dados. As duas apurações têm objetos distintos: a federal investiga se emendas parlamentares destinadas a entidades ligadas à empresária financiaram o longa, enquanto a estadual apura fraudes e superfaturamento no contrato do Instituto Conhecer Brasil com a Prefeitura de São Paulo para o programa WiFi Livre SP. Uma terceira frente, sobre os repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro à produção, tramita sob relatoria do ministro André Mendonça.
Para o enquadramento de esquerda, a decisão de Flávio Dino corrige um desequilíbrio: dinheiro público, na forma de emendas parlamentares e de um contrato municipal de mais de R$ 150 milhões destinado a levar internet a comunidades pobres, teria irrigado uma produção cinematográfica de exaltação a Jair Bolsonaro enquanto o serviço prometido ficava pela metade.
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Veículos com viés ao centro
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Ponto cego: esse lado ficou de fora.
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Toda a cobertura registra os mesmos fatos: a decisão de Flávio Dino é do dia 21 de agosto, autoriza a Polícia Federal a acessar o material apreendido pela Polícia Civil de São Paulo contra Karina Ferreira da Gama, e as duas investigações têm objetos distintos, emendas parlamentares de um lado e o contrato do Instituto Conhecer Brasil com a Prefeitura de São Paulo de outro. Nenhum veículo afirma que houve comprovação de desvio para o filme.
A decisão do ministro Flávio Dino permite que a Polícia Federal cruze os dados da operação paulista contra a produtora de Dark Horse com a apuração sobre emendas parlamentares. A polícia de São Paulo tem cinco dias para entregar o material, enquanto uma terceira investigação, sobre os repasses do Banco Master, corre com outro relator no Supremo Tribunal Federal.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a Polícia Federal a acessar o material apreendido pela Polícia Civil de São Paulo em uma operação de junho contra Karina Ferreira da Gama, sócia da Go Up Entertainment, produtora do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão é do dia 21 de agosto e tornou-se pública na segunda-feira, 24. A polícia paulista foi notificada na mesma data e tem cinco dias para repassar os documentos e equipamentos recolhidos na chamada Operação Wi-Fi.
Toda a cobertura converge no desenho das duas frentes, que têm objetos distintos e passaram a se aproximar em torno da mesma empresária. A apuração relatada por Dino investiga se emendas parlamentares destinadas a entidades ligadas a Karina Ferreira da Gama, entre elas o Instituto Conhecer Brasil, a Academia Nacional de Cultura e a Conhecer Brasil Assessoria, foram usadas para financiar o longa. Ela nasceu de informações levadas ao Supremo pelos deputados Tabata Amaral e Henrique Vieira e passou a tramitar em procedimento próprio, sob sigilo, depois de ser desmembrada da ação em que a Corte acompanha as regras de transparência das emendas. Entre os parlamentares citados está o deputado Mario Frias, produtor-executivo do filme, que destinou R$ 2 milhões em emendas ao Instituto Conhecer Brasil em 2024 e afirma que o dinheiro não foi para a produção.
A investigação paulista corre por outro caminho. O mesmo instituto foi contratado pela Prefeitura de São Paulo para o programa WiFi Livre SP, de instalação e manutenção de pontos gratuitos de internet em comunidades da capital. O contrato foi estimado em R$ 108 milhões e chegou a R$ 157,1 milhões após aditivos. Os investigadores apontam que dos 5 mil pontos previstos cerca de 3,2 mil teriam sido executados e apuram pagamentos antecipados de aproximadamente R$ 26 milhões sem a prestação correspondente dos serviços. Karina Ferreira da Gama nega que o filme tenha recebido dinheiro público e a administração municipal declarou não ter identificado irregularidades até então.
A cobertura de centro relatou o fato com esse encadeamento, e acrescentou o ambiente interno do Supremo. Há uma terceira frente, aberta em julho sob relatoria do ministro André Mendonça, que apura os repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, à produção, depois da divulgação de mensagens e de um áudio em que o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, pede dinheiro para ajudar a financiar a obra. Integrantes do governo avaliam que a decisão de Dino pode acelerar apurações que consideram lentas, enquanto interlocutores de Mendonça respondem que o inquérito está em estágio inicial e depende de novos passos da própria Polícia Federal. Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconhecem, sob reserva, que a troca de acusações pode se voltar contra ele, ao abrir espaço para a acusação de interferência.
As divergências de enquadramento aparecem no significado atribuído à decisão. Veículos de esquerda destacaram que o acesso amplo retira do governo de São Paulo o filtro sobre o que a Polícia Federal pode examinar, trataram a medida como fim de uma proteção estadual ao caso e mencionaram hipóteses investigativas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e possíveis conexões com facção criminosa, que seguem sendo linhas de apuração e não conclusões. Nesse enquadramento, o governador Tarcísio de Freitas defendeu a lisura do trabalho paulista, mas confirmou que cumprirá a ordem judicial. Nenhum veículo de direita figura entre as fontes que cobriram esta etapa, e o contraponto desse campo chega às reportagens pela voz dos envolvidos: a empresária nega uso de recurso público, o deputado nega o uso das emendas no filme e o senador afirmou que o caso estaria encerrado, com a prestação de contas feita.
O que ainda não se sabe é o essencial. Não há conclusão sobre a origem do dinheiro que bancou a produção, nem demonstração de que emendas parlamentares tenham chegado ao filme. Também não está definido o que a Polícia Federal encontrará no material paulista, quais elementos serão considerados válidos como prova e em que prazo as duas investigações federais podem convergir. As apurações seguem em andamento e ninguém foi denunciado.
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