A campanha oficial das eleições gerais de 2026 entrou na terceira semana com candidatos em agenda de rua e a Justiça Eleitoral abrindo, ao mesmo tempo, uma sequência de serviços ao eleitor. O período de propaganda começou em 16 de agosto e o primeiro turno está marcado para 4 de outubro, quando serão escolhidos presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais ou distritais. Um eventual segundo turno está designado para 25 de outubro.
A cobertura de centro acompanhou o dia a dia das disputas estaduais. No Amapá, os candidatos ao governo cumpriram o oitavo dia oficial de campanha no domingo, 23 de agosto, com caminhadas, adesivaços e reuniões em Macapá, Mazagão, Porto Grande e Cutias do Araguari. Clécio Luís, do União Brasil, caminhou por bairros da zona norte da capital; Dr Furlan, do PSD, percorreu municípios do interior; Carlos Cley, do PSTU, e Jairo Palheta, do PCO, reuniram apoiadores e agricultores; Marcos Reátegui, do Democracia Cristã, não divulgou agenda. No Maranhão, Eduardo Braide, do PSD, fez caminhada em Pedreiras e defendeu industrializar a produção do estado e ampliar o apoio técnico a produtores rurais, no mesmo dia em que Felipe Camarão, do PT, Saulo Arcangeli, do PSTU, e Roberto Rocha, do PRTB, trataram de agricultura familiar e agronegócio.
Há convergência entre todos os lados sobre a agenda de serviços da Justiça Eleitoral. O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo abriu, em 24 de agosto, os pedidos de transporte gratuito para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, dentro do programa Seu Voto Importa. As solicitações seguem até 14 de setembro para o primeiro turno, podem ser feitas pela internet ou em cartório eleitoral, dispensam laudo médico e alcançam também moradores de territórios indígenas e de comunidades quilombolas. No estado, mais de 510 mil eleitores declararam algum tipo de deficiência e mais de 158 mil relataram dificuldade de locomoção; 245 municípios firmaram parceria para oferecer o serviço. Também é ponto comum na cobertura que o eleitor pode conferir zona, seção e endereço pelo Autoatendimento Eleitoral e pelo aplicativo e-Título, e consultar processos públicos de candidatos no Processo Judicial Eletrônico.
As ênfases mudam conforme o lado. Veículos de esquerda dedicaram espaço à metodologia das pesquisas, explicando o modelo de eleitor provável adotado pela Quaest para estimar a abstenção, o cálculo dos votos válidos e o peso do voto útil e dos indecisos na reta final, com base em estudo de Frederico Batista Pereira e Felipe Nunes publicado na Revista do CESOP. Veículos de direita enfatizaram o eleitor como fiscalizador, detalhando o passo a passo para localizar ações judiciais contra candidatos e lembrando que a existência de processo não significa condenação, além do roteiro para confirmar o local de votação. A cobertura de centro tratou ainda da corrida pelo eleitorado jovem, estimado em 18,7 milhões de pessoas entre 16 e 24 anos, com deputados e pré-candidatos disputando atenção nas redes sociais, dos vídeos de Nikolas Ferreira à campanha Brota na urna, da Juventude do PT.
O que ainda não se sabe é quanto dessa engrenagem se converte em voto. Não há informação sobre quantos pedidos de transporte serão de fato atendidos, já que a oferta depende da disponibilidade de veículos em cada cidade e não cabe recurso em caso de negativa, nem sobre a alternativa oferecida a eleitores dos municípios paulistas fora das 245 parcerias. Também não há estimativa pública do tamanho da abstenção esperada em 2026, e nenhuma das coberturas apresenta pesquisa que meça a preferência eleitoral da Geração Z.