A derrota do senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal, para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, no segundo turno da eleição presidencial, mexeu também com a disputa pelo comando da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, a Alerj. Até o momento, apenas um veículo cobriu o caso, relatando que o deputado Anderson Moraes, do PL e ligado à família Bolsonaro, perdeu força. Ele despontava como favorito à presidência da Casa.
Sem Moraes, seguem no páreo dois nomes. Um é o atual vice-presidente, Guilherme Delaroli, também do PL. O outro é o deputado estadual eleito André Ceciliano, do PT. Os dois já presidiram a Alerj, e ambos assumiram em momentos de crise. Delaroli ocupou o cargo entre dezembro de 2025 e abril deste ano, no lugar de Rodrigo Bacellar, hoje sem partido, preso pela Polícia Federal numa das fases da Operação Unha e Carne. Bacellar foi acusado de vazar informações sobre uma ação policial para prender o então deputado TH Joias, suspeito de ligação com o Comando Vermelho. Ceciliano chegou à presidência em 2019, depois da prisão de Jorge Picciani, do MDB, na Operação Cadeia Velha, que investigou propina a deputados estaduais em troca de decisões favoráveis a empresários do transporte público.
O governador eleito Douglas Ruas, que está no comando do Legislativo, disse que vai reunir os deputados para discutir a sucessão, mas ainda não marcou a data. Delaroli evitou falar em candidatura, embora aliados confirmem que ele já articula nos bastidores. Ele afirmou estar pronto para a função que Ruas determinar e se definiu como governo. Ceciliano preferiu não comentar. Nos corredores da Casa, comenta-se que ele só sairá candidato se houver consenso entre os partidos de esquerda e parte da centro-direita, incluindo integrantes do PL e do Partido Social Democrático, o PSD. O deputado Luiz Paulo, do PSD, disse que o partido ainda não decidiu quem apoiar e que se reúne em 11 de novembro para discutir a próxima legislatura. Anderson Moraes não foi localizado.
A reportagem aponta reflexos também na Câmara Municipal do Rio. O atual presidente, Carlo Caiado, do PSD, pode disputar nova reeleição em dezembro, com base na tese de que a gestão de Eduardo Cavaliere, que assumiu a prefeitura após a renúncia de Eduardo Paes para concorrer ao governo do estado, seria uma nova administração. O PL corre por fora, com o PP como aliado, e o nome mais cotado para enfrentar Caiado é Jorge Felippe, do PP, suplente do vereador Leniel Borel, eleito deputado federal.
Como a cobertura até aqui vem de uma única fonte, não há ainda contraste entre leituras de diferentes linhas editoriais sobre a sucessão. Seguem em aberto a data da reunião convocada por Douglas Ruas, a posição oficial do PSD e se Anderson Moraes ainda tentará se manter na disputa.