A disputa pelas duas vagas do Rio de Janeiro no Senado Federal chega a meados de setembro sem favorito isolado. Pesquisa do instituto Real Time Big Data, divulgada na manhã de 14 de setembro de 2026, mostra a deputada Benedita da Silva, do PT, e o deputado Carlos Jordy, do PL, empatados na liderança com 15% das intenções de voto cada um, na média entre o primeiro e o segundo voto. Como o eleitor fluminense escolherá dois nomes para o Senado nesta eleição, o levantamento mediu as duas escolhas separadamente e depois consolidou os resultados.
Logo atrás dos dois primeiros colocados aparecem Marcelo Crivella, do Republicanos, com 13%, e o deputado Pedro Paulo, do PSD, com 12%. O senador Carlos Portinho, do PL, soma 10%, e a vereadora Monica Benicio, do PSOL, tem 9%. Com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, os primeiros colocados ficam muito próximos entre si, e Carlos Portinho e Monica Benicio dividem a faixa seguinte. Waguinho, do Republicanos, registra 5%, e os demais nomes da lista ficam em 3% ou menos. Votos brancos e nulos somam 7%, e outros 8% dos entrevistados não souberam ou não responderam.
A leitura por voto isolado muda o desenho da corrida. No primeiro voto, Benedita da Silva abre vantagem numérica com 19%, contra 15% de Carlos Jordy e 15% de Marcelo Crivella. No segundo voto, o quadro se inverte: Carlos Jordy lidera com 16%, seguido por Pedro Paulo, com 14%, enquanto Benedita da Silva cai para 10%. A diferença entre as duas medições sugere que parte do eleitorado combina nomes de campos políticos opostos ao preencher as duas escolhas, comportamento que só a apuração final confirma.
A pesquisa ouviu 2.000 eleitores entre 9 e 12 de setembro de 2026, tem nível de confiança de 95% e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número RJ-03902/2026. A divulgação de metodologia e registro é exigência da legislação eleitoral brasileira e permite que qualquer interessado confira amostra, recorte e questionário.
Até o momento, apenas um veículo cobriu esse levantamento no Rio de Janeiro, e a matéria adota um enquadramento de polarização nacional: descreve Benedita da Silva como o nome alinhado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Carlos Jordy como o candidato identificado com Flávio Bolsonaro. A mesma cobertura de fonte única registra que Monica Benicio é ex-mulher de Marielle Franco, vereadora assassinada na capital fluminense em março de 2018. Não há, no material disponível, contraponto de outros veículos, avaliação independente da metodologia nem manifestação dos candidatos sobre os números.
O que ainda não se sabe pesa na interpretação do resultado. O levantamento divulgado não informa quem contratou e pagou o estudo. Não há comparação com rodadas anteriores do mesmo instituto, o que impede medir se algum candidato sobe ou desce. Também não aparecem na cobertura a reação dos partidos, a relação entre a corrida ao Senado e a disputa pelo governo do estado, nem qualquer estimativa de quantos eleitores já decidiram as duas escolhas. Com 7% de brancos e nulos e 8% de indecisos, a parcela ainda em aberto é maior do que a distância que separa os seis primeiros nomes.