Eduardo Bolsonaro ajuda ou sabota Flávio Bolsonaro?
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Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
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Eduardo Bolsonaro começou a ser julgado pela Primeira Turma do STF em 16 de junho, acusado pela PGR de coação no curso do processo por articular sanções dos EUA contra o Brasil para tentar barrar o julgamento de Jair Bolsonaro. Fora do país e sem advogado constituído, ele é representado pela Defensoria Pública da União. Em paralelo, Eduardo atua como estrategista da campanha presidencial do irmão Flávio e lançou, por conta própria, a deputada Júlia Zanatta como vice, gesto que reacendeu disputas internas no bolsonarismo.
Veículos deste lado: Metrópoles e Canal Meio
O julgamento de Eduardo Bolsonaro no STF expõe, segundo veículos de esquerda, uma conspiração da família contra o próprio país: ele teria incitado os EUA a impor tarifas e sanções para blindar Jair Bolsonaro da Justiça.
Veículos deste lado: Diário do Centro do Mundo
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Todos os lados reconhecem que Eduardo Bolsonaro está sendo julgado pela Primeira Turma do STF, que ele está nos EUA sem advogado constituído (representado pela DPU) e que indicou Júlia Zanatta como vice de Flávio sem aviso prévio à campanha.
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro começou a ser julgado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal em 16 de junho de 2026, acusado de coação no curso do processo. Segundo a Procuradoria-Geral da República, ele articulou sanções e tarifas do governo dos Estados Unidos contra autoridades brasileiras para tentar interromper o julgamento do pai, Jair Bolsonaro, pela tentativa de golpe de Estado. Eduardo está nos Estados Unidos, não constituiu advogado e é representado pela Defensoria Pública da União, que chegou a pedir o adiamento da sessão porque a turma está incompleta após a migração de Luiz Fux para a Segunda Turma.
A cobertura de centro relatou, de forma factual, a composição do colegiado que decide o caso: os ministros Alexandre de Moraes, relator, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino, presidente da turma. O rito começa com a leitura do relatório por Moraes, segue com a sustentação do Ministério Público Federal e, na ausência de defesa constituída, a sustentação oral coube ao defensor público Esdras dos Santos Carvalho. É a mesma formação que julgou núcleos da chamada trama golpista.
Todos os lados convergem em torno dos fatos centrais: o julgamento em curso, a ausência do réu, a representação pela Defensoria e a atuação de Eduardo, em paralelo, como estrategista da campanha presidencial do irmão Flávio Bolsonaro. Há consenso também sobre o gesto que reacendeu a crise interna: Eduardo lançou, por conta própria, a deputada Júlia Zanatta como vice na chapa de Flávio, sem aviso prévio à campanha, aos marqueteiros ou à própria indicada. Flávio vinha sinalizando preferência por uma vice mulher por perder em pesquisas no eleitorado feminino.
As divergências de cobertura aparecem no enquadramento. Veículos de esquerda enfatizaram que Eduardo teria traído o próprio país ao pressionar os Estados Unidos contra as instituições brasileiras, e destacaram que o senador Flávio pediu cerca de R$ 134 milhões ao empresário Daniel Vorcaro, dos quais R$ 61 milhões foram repassados sob a justificativa de financiar o filme Dark Horse, sobre a vida de Jair. Essa cobertura aponta que a Polícia Federal investiga se parte do dinheiro, supostamente ligado a fundos de pensão lesados no escândalo do Banco Master, foi desviada para bancar Eduardo no exterior, o que poderia arrastar Flávio para o mesmo processo. A leitura de esquerda trata o episódio como uso do sobrenome como empreendimento familiar e como mais um capítulo do discurso vitimista da extrema direita.
A cobertura de centro, mais contida, manteve o foco no procedimento e nas acusações formais, sem antecipar culpa, e tratou a disputa entre os irmãos como cálculo político de sucessão. Já o prisma de direita, presente sobretudo no tom da defesa do campo bolsonarista citado pelas reportagens, tende a ler o julgamento conduzido por Moraes como perseguição judicial à família, a valorizar a lealdade ideológica de Zanatta acima do peso eleitoral e a enxergar a candidatura de Flávio como defesa do legado e da hegemonia da direita. Nesse enquadramento, a promessa de Flávio de acabar com a reeleição surge como sinal de compromisso institucional.
O que ainda não se sabe é o desfecho do julgamento de Eduardo e a eventual pena, se a Polícia Federal confirmará desvio de recursos do filme Dark Horse e se Flávio Bolsonaro será formalmente denunciado. Também permanece em aberto se a indicação de Júlia Zanatta como vice se sustentará na chapa e qual será o efeito real dessa disputa interna sobre a candidatura presidencial do bolsonarismo em 2026.
Eduardo Bolsonaro será representado pela Defensoria Pública da União (DPU) durante a sessão de julgamento em acusação contra ele por coação

Flávio Bolsonaro pode ser arrastado por investigação sobre verba de Vorcaro para filme de Jair e apoio a Eduardo nos EUA.

Começa no STF o julgamento de Eduardo Bolsonaro por quatro crimes, incluindo tentativa de abolição do Estado democrático de Direito. Mas o ex-deputado não parece preocupado: em autoexílio nos EUA, ele opera um QG internacional e desenha a sua própria estratégia para se manter relevante no clã. Neste episódio do Cá Entre Nós, Flávia Tavares analisa os bastidores da disputa entre Eduardo e Flávio Bolsonaro pela herança política da direita. Entenda o plano por trás da indicação surpresa de Júlia Zanatta como potencial vice na chapa de Flávio e como as frases de Eduardo que podem revelar que, mais que ajudar, ele pode estar tentando sabotar a campanha o irmão.