O senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro e apontado pela legenda como pré-candidato à Presidência da República em 2026, foi a Goiânia neste sábado para lançar as pré-candidaturas majoritárias do Partido Liberal em Goiás. O evento, no Tatersal de Elite do Parque de Exposições Pedro Ludovico Teixeira, oficializou o senador Wilder Morais como pré-candidato ao governo do estado e a empresária Ana Paula Rezende como pré-candidata a vice-governadora. Também foram apresentados os nomes que vão disputar vagas para a Câmara dos Deputados, a Assembleia Legislativa e o Senado.
A cobertura de centro relatou os fatos centrais sem adjetivos: Flávio chegou montado a cavalo e de chapéu, recebeu honraria da Assembleia Legislativa de Goiás e contou com a presença do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Entre os cotados ao Senado estavam os deputados federais Gustavo Gayer e Oséias Varão, além do delegado Humberto Teófilo. Gayer, em recuperação de uma cirurgia, não compareceu e foi representado pela família.
Veículos de direita enfatizaram o conteúdo do discurso econômico e a oposição ao governo federal. Segundo essa cobertura, Flávio classificou o governo Lula como gastador e ligou a inflação ao orçamento das famílias, afirmando que muita gente troca a carne pelo frango às vésperas da Copa do Mundo. O senador defendeu investimentos em qualificação profissional, tecnologia e inteligência artificial, citou o INSS e a segurança pública, e projetou sua candidatura presidencial com o apelo de que não é preciso gostar dele para querer mudar o país. Wilder Morais prometeu mutirões na saúde nos primeiros cem dias, apoio ao produtor rural e foco em emprego e infraestrutura.
A leitura crítica que se pode fazer a partir dessa mesma cobertura é que as acusações ao governo federal foram reproduzidas sem contraponto. Não houve resposta do Planalto às críticas sobre economia, emprego e juventude, e a afirmação de que o governo teria roubado a esperança dos jovens apareceu como declaração de palanque, não como dado verificado. Apoiadores exaltaram Goiás como o estado mais direitista e conservador do Brasil, num enquadramento mais identitário do que programático.
Todos os lados convergem que o ato também expôs as tensões internas do grupo. A agenda ocorreu poucos dias após o atrito público entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o que levou o senador a adotar um discurso de conciliação e defesa da unidade do partido. Houve ainda fricção com a ala ligada a Gustavo Gayer, que chegou a defender outra composição de chapa; Morais procurou minimizar a divisão e elogiou Gayer como referência da legenda.
O que ainda não se sabe é como o governo Lula e os adversários responderão às críticas, qual será a composição final das chapas e o nome da vice na eventual candidatura presidencial de Flávio, além de se a trégua interna no bolsonarismo vai se sustentar até as convenções de 2026.