Às vésperas do início das restrições da legislação eleitoral, marcado para o dia 4 de outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concentrou na sexta-feira, 3 de julho, uma ampla agenda de entregas do governo federal. A partir do Palácio do Planalto, em Brasília, Lula comandou uma cerimônia com anúncios simultâneos em 12 cidades de sete estados, ao lado de ministros, secretários e aliados. As ações abrangeram três áreas centrais: saúde, educação e habitação.
A cobertura de centro relatou os números com detalhe. Na habitação, o governo entregou 1.619 moradias do programa Minha Casa Minha Vida, distribuídas por estados como Rio de Janeiro, Alagoas, Sergipe, Goiás, Mato Grosso do Sul e São Paulo, beneficiando cerca de 6.500 pessoas. Na saúde, foram anunciados R$ 464,8 milhões para ambulâncias, unidades odontológicas móveis, equipamentos hospitalares e reforço de atendimento, incluindo carretas do programa Agora Tem Especialistas. Na educação, a agenda incluiu a inauguração de campi de institutos federais, parte de um plano de expansão da Rede Federal que prevê investimento de R$ 2,7 bilhões e 100 novas unidades. Ministros como Geraldo Alckmin, Alexandre Padilha, Guilherme Boulos e Leonardo Barchini conduziram as agendas locais.
Todos os lados convergem no motivo da concentração de eventos: a legislação eleitoral impõe limitações à atuação de candidatos nos três meses que antecedem o primeiro turno. A partir de sábado, 4, candidatos ficam impedidos de participar de inaugurações de obras públicas e de eventos que possam configurar promoção eleitoral com recursos públicos. As regras permanecem em vigor até 25 de outubro, dia do segundo turno.
É na leitura política desse calendário que as coberturas divergem. Veículos de direita enfatizaram o caráter de uso da máquina pública com fim eleitoral, destacando que os ministros presentes às cerimônias também disputarão o pleito e que os setores contemplados devem ocupar espaço central na campanha à reeleição. Essa cobertura registrou a reação irritada de Lula às restrições, que chamou de 'papagaiada desgraçada' o fato de poder visitar obras já entregues, mas não inaugurar novas. Também noticiou que o governo e o PT teriam gasto mais de R$ 25 milhões em anúncios na plataforma Meta e que ministérios correram para adaptar a comunicação institucional, retirando marcas do governo de perfis, arquivando publicações e suspendendo conteúdos, conforme manual da Secretaria de Comunicação Social. A cobertura de centro, por sua vez, tratou a mesma adaptação como cumprimento das normas, sem atribuir intenção, e concentrou-se em descrever o conteúdo e o alcance das obras entregues.
O que ainda não se sabe é o efeito eleitoral concreto dessa ofensiva de entregas sobre a corrida de 2026, nem se algum dos atos será questionado perante a Justiça Eleitoral. Também não há, nas matérias, avaliação independente sobre o ritmo de execução das obras anunciadas ou sobre quantas já estavam efetivamente concluídas no momento das cerimônias.