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Uma empresa ligada ao núcleo familiar do senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo Lula, compartilhava endereço, telefone e e-mail com outras 19 pessoas jurídicas, segundo relatório da Polícia Federal no âmbito da investigação sobre o Banco Master. Os documentos foram tornados públicos por um ministro do Supremo Tribunal Federal na quinta-feira, dia 30. A empresa, a BN Representações Tecnológicas, tem como única sócia a mulher do enteado do senador, que é secretário de Meio Ambiente da Bahia.
Resumo da cobertura
Relatório da Polícia Federal, com documentos tornados públicos por um ministro do STF, aponta que uma empresa ligada ao núcleo familiar do senador Jaques Wagner (PT-BA) compartilhava endereço, telefone e e-mail com outras 19 pessoas jurídicas. A apuração integra a investigação sobre o Banco Master e examina uma rede de empresas, fundos e pessoas interpostas supostamente usada para lavagem de dinheiro e dissimulação de pagamentos.
Até o momento, apenas um veículo, de perfil de centro, cobriu o caso em detalhe, relatando a trajetória da empresa. Fundada em 2019 como uma floricultura, sob o nome de Vamos Florir Comércio de Flores, ela atuava na venda de plantas, ornamentação e organização de eventos. Em janeiro de 2026, mudou de razão social, passou a atuar no setor de tecnologia e transferiu sua sede de Salvador para o município de Igaporã, no interior baiano. No novo endereço, a Polícia Federal identificou outros 20 CNPJs registrados na mesma sala comercial. Desses, 19 usavam o mesmo telefone e o mesmo e-mail da BN Representações, que, segundo a apuração, não tinha histórico de funcionários formalmente registrados. Dezessete das empresas instaladas no local compartilhavam ainda o mesmo contador.
A cobertura de centro relatou que a BN Representações é uma das seis empresas analisadas pela corporação por vínculos societários ou pessoais com familiares e pessoas próximas ao senador. Na representação enviada ao STF, a Polícia Federal afirma que supostas vantagens destinadas a Wagner e ao seu núcleo familiar teriam sido movimentadas por meio de uma rede de fundos, empresas e pessoas interpostas, descrita pelos investigadores como um mosaico usado pelo grupo Master para lavagem de dinheiro e dissimulação de pagamentos. A análise abrange a possível aquisição de um apartamento de R$ 2,45 milhões e os repasses feitos a outra empresa do grupo, a BN Financeira, criada em 2021. Em outubro de 2025, essa financeira recebeu R$ 3,5 milhões de uma empresa ligada ao núcleo de um ex-sócio do Banco Master.
Como o caso ainda está em fase de investigação, uma leitura pela ótica da esquerda tenderia a enfatizar que não há decisão de mérito, que os citados não apresentaram sua versão e que a presunção de inocência deve valer inclusive para parlamentares governistas expostos por relatórios ainda sob análise. Já uma leitura pela ótica da direita destacaria a empresa sem funcionários, a migração repentina de ramo e os pagamentos milionários sem contrapartida aparente como indícios de estrutura de fachada montada para beneficiar um aliado do governo, a exigir rigor das instituições de controle.
O que ainda não se sabe é a manifestação formal do senador e dos demais investigados, se haverá abertura de ação penal a partir da representação, e qual foi exatamente a contrapartida contratual que justificaria os pagamentos milionários apontados pela Polícia Federal.
Briefing
O que importa para você
A apuração envolve um senador do partido do governo e seu núcleo familiar, com impacto político direto.
Valores concretos sob análise: apartamento de R$ 2,45 milhões e repasse de R$ 3,5 milhões a uma empresa recém-criada.
A PF descreve uma rede de 20 CNPJs na mesma sala, com telefone e e-mail compartilhados, como possível estrutura de lavagem.
O que ainda está incerto
Não há manifestação pública do senador nem dos demais investigados.
Não está claro se a representação da PF resultará em ação penal.
Falta detalhar qual contrapartida contratual justificaria os pagamentos milionários.
Linha do Tempo
30 de jul. de 2026, 00:00
Ministro do STF torna públicos documentos da Polícia Federal sobre a rede de empresas ligada ao núcleo familiar do senador Jaques Wagner no caso Banco Master.