
Planos de Lula e Flávio Bolsonaro divergem sobre reforma tributária e IOF
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A equipe econômica do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, disse que pretende manter a reforma tributária do consumo em implementação e apenas ajustá-la, sem reabrir a discussão no Congresso. A coordenadora Daniella Marques afirmou que o texto final virou uma colcha de retalhos por causa das exceções, parou em cinco tributos e deve produzir alíquota do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) de 28%, acima do teto legal de 26,5%. Adolfo Sachsida, da mesma equipe, disse que os primeiros cortes seriam o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), de volta aos valores de 2022, e o imposto de exportação do petróleo. Em paralelo, a comparação dos programas de governo mostra que o plano de Lula fala em justiça tributária e lista medidas já aprovadas, enquanto o de Flávio Bolsonaro promete reduções em várias frentes; nenhum dos dois apresenta estimativa do impacto sobre receitas e despesas.
Esquerda
Sem cobertura neste espectro.
Centro
A equipe econômica do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, disse que pretende manter a reforma tributária do consumo em implementação e apenas ajustá-la, sem reabrir a discussão no Congresso.
Direita
A leitura da direita econômica é que a reforma tributária aprovada não entregou o que prometia: em vez de dois impostos e carga menor, o país terminou com cinco tributos e uma alíquota do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) estimada em 28%, acima do teto legal de 26,5%, preço final que consumidor e produtor não teriam como pagar.
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Nenhum veículo de esquerda cobriu esta história.
Veículos com viés ao centro
Classificada como direita, embora o veículo tenha viés editorial centro.
A matéria é construída inteiramente sobre falas de dois integrantes da equipe econômica de um candidato, reproduzidas em blocos longos e sem contraponto da campanha criticada. O vocabulário editorial adota o enquadramento de responsabilidade fiscal e corte de tributos ('quem não cuida das contas, não cuida das pessoas', 'nós somos a mudança'), e a comparação entre governos aparece com os dados escolhidos pelo entrevistado. O veículo é de perfil de centro, mas este texto específico entrega o enquadramento da direita econômica.
Perspectivas omitidas
Falácias identificadas
Veículos com viés à direita
Classificada como centro, embora o veículo tenha viés editorial direita.
O texto compara os dois programas com o mesmo grau de ceticismo: aponta que o plano de Lula funciona como prestação de contas e que o plano de Flávio Bolsonaro promete cortes sem estimativa de impacto, e ainda registra que o próprio candidato pediu exceções setoriais durante a tramitação da reforma. A crítica é simétrica e ancorada no conteúdo dos documentos, o que caracteriza enquadramento de centro apesar do perfil do veículo.
A equipe econômica do senador Flávio Bolsonaro diz que não pretende revogar a reforma tributária, mas ajustá-la para reduzir a alíquota do novo imposto sobre o consumo, e promete cortar o IOF e o imposto de exportação do petróleo. O plano de governo de Lula insiste na expressão justiça tributária e lista medidas já aprovadas. Nenhum dos dois programas mostra a conta fechada.
A equipe econômica do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, afirmou que pretende manter a reforma tributária do consumo que está em fase de implementação, em vez de revogá-la, e defende ajustes no modelo aprovado. A coordenadora econômica da campanha, Daniella Marques, disse que reabrir a discussão legislativa não vale a pena e que o caminho preferido é o diálogo, com um grupo técnico de mais de dez economistas e tributaristas, para que a reforma alcance o efeito pretendido e não seja judicializada antes de entrar em vigor.
Segundo Marques, o texto final não cumpriu o objetivo inicial de unificar a cobrança em dois impostos e reduzir a carga: virou o que ela chamou de colcha de retalhos por causa das exceções setoriais, parou em cinco tributos e deve resultar numa alíquota do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) de 28%, acima do teto de 26,5% fixado em lei. Adolfo Sachsida, também integrante da equipe, afirmou que um eventual governo começaria cortando dois tributos: o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que voltaria aos valores de 2022, e o imposto de exportação do petróleo. Sobre estatais, os dois disseram que a intenção é reorganizar a Caixa Econômica Federal e os Correios antes de decidir se continuam públicas ou vão à privatização.
O debate não se restringe a uma campanha. Os programas de governo dos dois candidatos que lideram as pesquisas tratam de tributos com ênfases distintas. O de Lula repete a expressão justiça tributária e lista sobretudo o que já foi feito: a tributação de offshores e de fundos exclusivos, a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, a maior tributação sobre altas rendas e a própria aprovação da reforma do consumo. O de Flávio Bolsonaro propõe eliminar gradualmente o IOF sobre operações de câmbio, reduzir impostos sobre energia e combustíveis, exonerar investimentos e exportações e rever pontos da reforma para baixar a alíquota do novo imposto sobre valor agregado.
Veículos de direita enfatizaram a lacuna comum aos dois planos: nenhum apresenta estimativa do impacto das medidas sobre receitas e despesas, e a promessa de cortar tributos aparece sem dizer de onde sai a compensação. Essa mesma cobertura lembrou que, durante a tramitação da reforma, o próprio Flávio Bolsonaro apresentou emendas defendendo tratamento diferenciado para setores como floriculturas, agências de viagem e serviços funerários, e que parte dessas demandas entrou no texto final. A cobertura de centro concentrou-se em reproduzir as falas da equipe econômica, incluindo as críticas à condução fiscal do governo atual, a atribuição dos juros altos ao descontrole das contas públicas e a contagem de mais de 27 medidas de aumento de tributação no terceiro mandato de Lula, sem trazer resposta da campanha adversária; o texto registra ainda que a jornalista viajou a convite de uma organização empresarial. Nenhum veículo de esquerda acompanhou o caso neste conjunto, de modo que não há, aqui, contraponto discutindo os efeitos distributivos das reduções propostas.
O que ainda não se sabe é justamente o essencial. Não há detalhamento de quais exceções seriam revistas nem de quanto cairia a alíquota caso elas caíssem. Não há cálculo público da perda de arrecadação com a volta do IOF aos valores de 2022 e com o fim do imposto de exportação do petróleo. A alíquota de 28% citada pela campanha é estimativa, não número oficial já fixado, e o teto legal segue em 26,5%. Também continuam em aberto o destino da Caixa Econômica Federal e dos Correios depois da reorganização prometida e se a campanha de Lula vai apresentar propostas tributárias novas além das medidas já aprovadas.
As duas coberturas convergem em dois pontos: a reforma tributária do consumo segue em implementação e nenhum dos candidatos propõe revogá-la, e nenhum dos dois planos de governo apresenta estimativa do impacto fiscal das medidas tributárias que promete.

A equipe econômica do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pretende manter e aprimorar a reforma tributária que está em fase de implementação. De acordo com a coordenadora, Daniella Marques, revogar a reforma não seria adequado, mas o modelo atual precisa de ajustes.

No programa ‘Não vou passar raiva sozinha’, a Duquesa de Tax avalia as propostas dos dois candidatos à presidência da República
Perspectivas omitidas


