As pesquisas de intenção de voto divulgadas na última semana de julho de 2026 desenham uma corrida presidencial competitiva entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro. Diferentes institutos, entre eles Nexus/BTG, Datafolha, Genial/Quaest, AtlasIntel, Real Time Big Data, Vox Brasil e Alfa Inteligência, testaram cenários nacionais e estaduais, todos com registro no Tribunal Superior Eleitoral. O quadro que emerge é o de um presidente numericamente à frente, mas diante de uma disputa apertada em vários recortes.
A cobertura de centro relatou os números de forma direta: nos cenários nacionais de primeiro turno, Lula oscila entre 40% e 45%, enquanto Flávio aparece entre 29% e 36%. Nos confrontos de segundo turno em âmbito nacional, o presidente mantém vantagem de quatro a sete pontos, com placares como 48% a 43% e 47,5% a 41,1%, quase sempre no limite da margem de erro, o que caracteriza empate técnico. Os levantamentos também apontam que os dois políticos lideram as taxas de rejeição: pela AtlasIntel, 52,9% dos eleitores não votariam em Flávio de jeito nenhum, e 49,4% dizem o mesmo sobre Lula.
Veículos de direita enfatizaram os dados que expõem a vulnerabilidade do governo e a força da oposição. Nos maiores colégios eleitorais, Flávio lidera em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Paraná, estados que concentram parcela decisiva do eleitorado nacional. Em São Paulo, o senador chega a abrir 40% a 35% no segundo turno, enquanto a gestão Lula é desaprovada por 58% dos paulistas e por 51% dos brasileiros. Esse enquadramento destaca ainda o desempenho de Flávio entre evangélicos, que chega a 60%, e entre eleitores de maior renda e escolaridade.
Veículos de esquerda deram menos espaço ao tema nesta rodada, mas a leitura à esquerda enfatiza que o presidente segue na liderança da disputa, vencendo no primeiro turno e à frente na maioria dos cenários de segundo turno. Nessa chave, a vantagem de Lula entre os mais pobres, mulheres, católicos e no Nordeste, onde alcança 52% na Bahia, sustenta a base social do governo, e a alta rejeição de Flávio indicaria um teto eleitoral para a oposição.
Há pontos em que as coberturas convergem. Todos os institutos mostram um país geograficamente dividido: Flávio forte no Sul e no Sudeste, Lula dominante no Nordeste e à frente em Minas Gerais, estado historicamente tratado como termômetro da eleição, onde os dois aparecem em empate técnico. As reportagens também coincidem em ressaltar as margens de erro e o elevado número de eleitores que ainda podem mudar de voto.
O que ainda não se sabe pesa sobre o quadro. Uma nova pesquisa Quaest nacional foi registrada, com divulgação prevista para 5 de agosto, e deve medir o efeito das tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, do apoio do presidente argentino Javier Milei e de um eventual endosso de Donald Trump a Flávio. Também está em aberto o impacto eleitoral do chamado caso Master, que envolve investigações que atingem aliados de Lula e o próprio senador. Nenhuma pesquisa mede ainda como esses fatores irão se acomodar até a eleição de outubro.