O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), abriu a temporada eleitoral paulista com um ataque frontal ao candidato do PT ao governo do estado, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad. O discurso foi feito no sábado, 1º de agosto de 2026, durante a convenção do Republicanos que oficializou o governador Tarcísio de Freitas como candidato à reeleição. Nunes classificou Haddad como o pior ministro da Fazenda da história e afirmou que sua passagem pela pasta só serviu para ajudar o Paraguai.
O ataque não parou na avaliação econômica. O prefeito também criticou a gestão do adversário na Prefeitura paulistana, entre 2013 e 2016, e recorreu a ofensas pessoais, chamando o ex-ministro de professorzinho de nariz empinado, incompetente e sem vergonha, além de dizer que a campanha governista vai dar um coro nele. Nunes pediu que apoiadores garantam a eleição do governador já no primeiro turno e afirmou que Haddad deixou 120 mil crianças sem vaga em creche na capital, número que, segundo ele, foi zerado pela atual administração municipal em parceria com o governo estadual.
As duas coberturas disponíveis convergem no essencial: as falas, o contexto da convenção, o apelo ao voto feminino e o pedido de apoio a Flávio Bolsonaro (PL), que divide palanque com o governador. Também convergem na descrição do objetivo político do evento, que é transformar a vantagem do governista em vitória sem segundo turno.
A divergência aparece no tratamento do contraditório. A cobertura de centro registrou o ataque, mas abriu bloco de resposta com a íntegra da nota do diretório estadual do PT, assinada pelo presidente da sigla e coordenador da campanha de Haddad, que chamou o prefeito de prefeitinho e sustentou que o deboche com a palavra professorzinho revela desprezo pela categoria docente e pela política de educação do estado, que teria perdido posições em rankings nacionais. Essa cobertura ainda recuperou o histórico da frase: em 1º de junho o próprio governador havia chamado o adversário de melhor ministro da Fazenda do Paraguai, e em 6 de junho o petista rebateu, afirmando que a migração de empresas brasileiras para o país vizinho ocorreu no governo anterior.
Já os veículos de direita reproduziram o discurso quase na íntegra, sem contraponto do adversário, e incorporaram ao texto o vocabulário de campanha do orador, com ênfase em boa gestão, desenvolvimento econômico e geração de oportunidades. Nessa leitura, o eixo da disputa é a competência administrativa, e a derrota do petista em 2016 para votos brancos e nulos aparece como veredito já dado pelo eleitor. Veículos de esquerda não publicaram cobertura própria do episódio até o momento; o contraponto do campo petista chega ao noticiário apenas pela nota oficial do partido.
O que ainda não se sabe é o mais relevante para avaliar as acusações. Nenhuma das coberturas verificou o número de 120 mil crianças sem vaga em creche, nem a afirmação de que a fila esteja hoje zerada na capital. Também não há checagem da relação entre a gestão da Fazenda e a ida de empresas brasileiras para o Paraguai, nem dos rankings de educação citados pelo partido adversário. Não há registro de resposta pessoal do ex-ministro às ofensas, nem manifestação do governador sobre os xingamentos feitos por seu aliado no palanque. Tampouco foram apresentados números de pesquisa que sustentem a viabilidade da vitória em primeiro turno defendida no discurso.