O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou na segunda-feira, 14 de setembro de 2026, que vai acionar a Polícia Federal e a Advocacia-Geral da União (AGU) para investigar a circulação de informações falsas sobre a Pesquisa Nacional de Saúde. Segundo o instituto, publicações nas redes sociais afirmaram, nos últimos dias, que o levantamento serviria para montar um suposto banco de DNA estatal, alegação que o órgão repudia e classifica como mentira.
Em nota, o instituto afirmou que a pesquisa faz coleta de sangue e urina exclusivamente para os objetivos do estudo e que os materiais serão descartados ao final. Os exames medem indicadores como glicose, colesterol e creatinina na população. O IBGE sustenta que a desinformação já afeta a operação de coleta em todo o país e que, por isso, os responsáveis precisam ser identificados, justificativa apresentada para levar o caso aos dois órgãos federais.
Os números do levantamento aparecem de forma convergente em toda a cobertura. Esta é a terceira edição da Pesquisa Nacional de Saúde, conduzida em parceria com o Ministério da Saúde. O trabalho de campo começou em julho e pretende visitar 140 mil domicílios para reunir informações sobre hábitos de vida e acesso a serviços de saúde. Os agentes também medem peso, altura e pressão arterial de parte dos entrevistados, até o final de novembro. A coleta de sangue e de urina, feita por profissionais qualificados, deve abranger de 15 mil a 20 mil pessoas com 35 anos ou mais. O objetivo declarado é subsidiar o planejamento de ações de prevenção, de serviços e de campanhas de vacinação, além da promoção de alimentação saudável.
Veículos de esquerda destacaram o acionamento dos órgãos federais como resposta a uma campanha de desinformação que prejudica uma política pública de saúde, com ênfase no impacto sobre a operação de campo e na necessidade de identificar quem espalhou o conteúdo falso. A cobertura de centro relatou o mesmo fato com foco na metodologia: número de domicílios, faixa etária dos exames laboratoriais, prazo de conclusão das medições e destino do material biológico, reproduzindo a nota oficial sem adjetivação. As duas leituras coincidem no essencial e não se contradizem em nenhum ponto factual.
Veículos de direita não publicaram material sobre o episódio até o momento no conjunto analisado, e o ângulo que costuma organizar essa cobertura, a discussão sobre consentimento, privacidade do dado biológico e o limite entre apuração criminal e liberdade de expressão nas redes, não aparece em nenhuma das matérias disponíveis. A ausência é, ela própria, um dado da cobertura: o caso envolve coleta de material biológico por agente público em domicílio e uma solicitação de investigação sobre conteúdo publicado na internet, dois temas que tendem a render contestação pública.
O que ainda não se sabe é quem produziu e impulsionou as publicações falsas, se a Polícia Federal já recebeu representação formal e se algum procedimento foi de fato instaurado. Também não está detalhado nas matérias qual a base legal invocada pelo instituto, como é obtido o consentimento do entrevistado para a coleta de sangue e urina, de que forma o descarte do material é verificado por terceiros e em que medida a desinformação reduziu, em números, a adesão das famílias visitadas.