O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, determinou que a Meta preserve os dados de dezenas de perfis do Facebook e do Instagram suspeitos de impulsionar, de forma coordenada e paga, conteudos negativos contra o senador Flavio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, pre-candidato a Presidencia. A decisao tem carater sigiloso e atende a uma representacao apresentada pela campanha do parlamentar, que pede a identificacao de quem esta por tras da estrutura.
Pela medida, a plataforma que controla Facebook, Instagram e WhatsApp devera manter registros cadastrais das contas, historico de criacao, anuncios veiculados, contas comerciais vinculadas e formas de pagamento, ate a conclusao do caso no TSE. Por enquanto, a decisao nao ordena a remocao dos perfis nem das publicacoes: o objetivo declarado e impedir que as informacoes sejam apagadas antes das apuracoes.
Ha convergencia entre as coberturas sobre o essencial. Todos os relatos descrevem uma representacao protocolada pelo PL em julho, a alegacao de uma rede de paginas fantasmas com atuacao temporaria, o investimento estimado em torno de R$ 3 milhoes em anuncios depreciativos e indicios tecnicos como datas de criacao proximas, uso de telefones com o mesmo DDD e pagamentos feitos ate em moeda estrangeira. Tambem coincidem ao registrar que a advogada da campanha, ex-ministra do TSE, comparou a estrutura a esquemas de 'milicia digital', descrevendo-a como mais sofisticada do que as observadas em 2022, e que o coordenador da pre-campanha classificou o caso como atentado a democracia.
A cobertura de centro relatou os fatos em tom sobretudo factual, agregando contexto eleitoral: uma das reportagens apurou que as mesmas paginas tambem miravam o governador de Sao Paulo, Tarcisio de Freitas, e situou o episodio no momento em que pesquisas apontavam aproximacao de Flavio ao presidente Lula nas intencoes de voto. Veiculos de direita enfatizaram o enquadramento de vitimizacao do pre-candidato, com subtitulos que o apresentam como alvo de uma rede coordenada e remissoes a artigos de opiniao criticos a atuacao do Judiciario eleitoral, destacando que a direita, antes acusada de proselitismo negativo, seria agora o alvo da manobra. Nao houve, neste cluster, cobertura de veiculos de esquerda; a leitura provavel desse campo cobraria responsabilizacao das grandes plataformas e criterios uniformes de fiscalizacao para ataques digitais de qualquer origem.
O que ainda nao se sabe e quem financiou e operou os perfis: a decisao apenas preserva dados para eventual investigacao, sem identificar responsaveis. Os numeros centrais partem da propria campanha do PL e nao foram verificados de forma independente, havendo divergencia entre as versoes sobre a quantidade de perfis e o alcance real das publicacoes. A Meta foi procurada e nao se manifestou, e nao ha, ate o momento, manifestacao dos supostos responsaveis pelas contas.