O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, não terá tratamento privilegiado caso venha a ser julgado. Em entrevista a um podcast, o presidente disse que o filho será tratado 'como o filho de qualquer pessoa' e que 'não vai ficar escondido'. 'Se ele tiver certo, vai ter ajuda minha. Se fizer coisa errada, ele sabe o que eu passei', declarou, ao lembrar o próprio desgaste durante a Lava Jato.
As falas ocorreram no mesmo dia em que o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça autorizou a abertura de um inquérito para investigar Lulinha. A apuração busca esclarecer se o filho do presidente praticou os crimes de tráfico de influência e corrupção ao atuar em favor do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. O lobista é apontado pelas investigações da Polícia Federal, na Operação Sem Desconto, como um dos principais responsáveis por desvios de aposentadorias e pensões.
Segundo a apuração, a suspeita é de que Lulinha e o Careca tenham tido negócios na área de cannabis medicinal. O lobista teria tentado fechar um contrato milionário com o Ministério da Saúde, em 2024 e 2025, para vender medicamentos de canabidiol ao governo. O contrato não chegou a ser assinado. A investigação também aponta que o Careca contratou uma empresária, amiga de Lulinha, para prospectar esses negócios em favor de uma empresa do setor.
Trata-se, até o momento, de cobertura de fonte única: apenas um veículo, de perfil de centro, relatou o caso, equilibrando a declaração do presidente, a decisão do STF, a versão da defesa e a manifestação do governo. A defesa de Lulinha afirmou que a Polícia Federal não encontrou irregularidade na investigação das fraudes do INSS e, por isso, teria aberto nova frente sobre a área da saúde, o que classificou como 'pesca probatória'. 'Lulinha já demonstrou que não tem relação direta ou indireta com o INSS', afirmou o advogado. O Ministério da Saúde, por sua vez, declarou que nunca teve contrato com as empresas mencionadas e que jamais fez repasse de recursos públicos a elas.
Na mesma entrevista, o presidente também comentou uma eventual interferência do governo dos Estados Unidos nas eleições brasileiras. Disse não estar preocupado e afirmou ter mantido relação 'muito boa' com o presidente norte-americano durante encontro na Casa Branca, ainda que tenha criticado a atuação do secretário de Estado americano em relação à América Latina.
O que ainda não se sabe é o teor completo da decisão que autorizou o inquérito, quais elementos concretos embasaram a suspeita da Polícia Federal e se a investigação sobre a área da saúde produzirá provas de participação de Lulinha. Também permanece em aberto o desdobramento da Operação Sem Desconto e o alcance das apurações sobre o entorno do lobista.