Davi Alcolumbre destrava pautas do governo Lula após reaproximação no Senado
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, fizeram em 17 de agosto de 2026 a primeira aparição pública conjunta desde o rompimento provocado pela rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. O encontro ocorreu em visita ao navio-sonda da Petrobras que perfura a bacia da Foz do Amazonas, em Oiapoque, no Amapá, estado natal do senador. A reaproximação foi construída em três reuniões ao longo de agosto, a primeira mediada por ministros do Supremo, e teve como resultado prático o envio às comissões do Senado de três projetos prioritários do governo.
A retomada do diálogo entre Luiz Inácio Lula da Silva e Davi Alcolumbre desbloqueia pautas que interessam diretamente a quem trabalha: a proposta que põe fim à escala 6x1 e a PEC da Segurança Pública saíram da gaveta da presidência do Senado e foram para as comissões.
A reaproximação entre Davi Alcolumbre e Luiz Inácio Lula da Silva é lida como cálculo de poder, não como convergência programática. Segundo a análise do cientista político Márcio Coimbra, o presidente do Senado perdeu espaço entre os senadores bolsonaristas, que devem lançar Rogério Marinho ou Tereza Cristina à sucessão na Casa, e passou a buscar votos do campo petista para tentar permanecer na cadeira.
5 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
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Veículos com viés à direita
Depois de meses de ruptura provocada pela rejeição de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, Lula e Davi Alcolumbre voltaram a aparecer juntos, no Amapá, em visita ao navio-sonda da Petrobras. O reencontro veio acompanhado do envio às comissões do Senado de três projetos prioritários do governo, entre eles o fim da escala 6x1 e a PEC da Segurança Pública.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, apareceram juntos em público pela primeira vez em meses no dia 17 de agosto de 2026, durante visita ao navio-sonda da Petrobras que perfura a bacia da Foz do Amazonas, no Oiapoque, extremo norte do Amapá. A relação entre os dois estava rompida desde que o Senado rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal, episódio articulado pelo próprio presidente da Casa. No palco montado no estado natal do senador, os dois trocaram elogios. Davi Alcolumbre disse que Lula enfrentou “tudo e todos” para defender a exploração de petróleo na Margem Equatorial e cobrou reconhecimento a quem sustentou a causa, em recado dirigido a países que, segundo ele, insistem em “tutelar o futuro do Brasil”. O presidente respondeu afirmando que o senador teve “uma atitude muito importante para o Brasil” ao encaminhar às comissões três projetos prioritários do governo federal.
Há convergência entre as coberturas de esquerda, de centro e de direita sobre a cronologia dos fatos. Os dois voltaram a se reunir em 4 de agosto, com mediação de ministros do Supremo Tribunal Federal, e estiveram juntos outras duas vezes em dez dias, uma delas no Palácio da Alvorada, em 12 de agosto, com a presença do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e da líder do governo no Senado, Teresa Leitão. O resultado prático foi o despacho às comissões da proposta que acaba com a escala 6x1, da PEC da Segurança Pública e do projeto que estabelece o marco legal de minerais críticos e terras raras. Também é consensual o pano de fundo econômico: a Petrobras anunciou em 14 de agosto a presença de hidrocarbonetos em um poço do bloco FZA-M-59, a 175 quilômetros da costa amapaense, e a presidente da estatal, Magda Chambriard, confirmou dois dias depois que se trata de petróleo, ressalvando que ainda são necessários poços de delimitação antes de falar em descoberta comercial.
As divergências aparecem no significado atribuído ao gesto. Veículos de esquerda enquadraram a agenda como etapa de uma articulação eleitoral do Planalto, destacando que Lula espera um aceno explícito de Davi Alcolumbre à reeleição do governador Clécio Luís e que o governo tem buscado apoio de dirigentes partidários que se declararam neutros na disputa deste ano, além de tratar a exploração da Margem Equatorial como afirmação de soberania energética. A cobertura de centro concentrou-se no fato bruto e na cronologia, registrando as falas dos dois no Amapá, o teor dos projetos destravados e a ressalva de que, na avaliação de senadores, as votações devem ficar para depois das eleições, já que resta apenas uma semana de esforço concentrado no início de setembro. Veículos de direita deslocaram o foco para o cálculo pessoal do presidente do Senado: na leitura do cientista político Márcio Coimbra, Davi Alcolumbre perdeu espaço entre os bolsonaristas, que devem lançar Rogério Marinho ou Tereza Cristina à sucessão na Casa, e busca votos petistas para tentar se manter no comando do Senado, num movimento descrito como essencialmente pragmático e sem mudança programática.
O que ainda não se sabe é se o aceno vira apoio formal. Não há data marcada para votar o fim da escala 6x1 nem a PEC da Segurança Pública, e a estimativa de que os textos ficam para depois de outubro permanece como avaliação de bastidor, sem confirmação oficial. Também não está definido se o presidente do Senado declarará publicamente apoio à reeleição de Lula ou à de Clécio Luís, embora o ministro das Relações Institucionais tenha afirmado que ele apoiará a chapa petista. Por fim, o tamanho da reserva na Foz do Amazonas segue indefinido e depende da perfuração de novos poços, e nenhuma das coberturas trouxe a posição de órgãos ambientais sobre a continuidade da exploração na região.
O movimento do presidente do Senado ocorre em meio a uma nova configuração de forças no Congresso

Petista e senador fizeram primeira aparição pública após visita ao navio-sonda da Petrobras em Oiapoque. Relação estava estremecida desde que o Senado rejeitou indicação de Messias para vaga no STF.

Lula viaja ao Amapá e espera um aceno de Davi Alcolumbre à reeleição de Clécio Luís, após a retomada do diálogo entre os dois

Depois de um período de afastamento, o presidente e o senador realizaram 3 reuniões em 10 dias para azeitar relação. Leia no Poder360.

Presidente cumpre agenda no Amapá um dia após lançamento oficial de candidatura; Petrobras anunciou descoberta de petróleo no estado
