O presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou, na noite de 18 de agosto, um vídeo em suas redes sociais no qual afirma estar otimista com a aprovação, pelo Congresso Nacional, da Medida Provisória que derruba os impostos federais sobre compras internacionais de até 50 dólares feitas pela internet, apelidadas de taxa das blusinhas. O texto foi enviado ao Legislativo em maio, já está em vigor e precisa ser votado até o início de setembro para não perder a validade. No mesmo intervalo, levantamento do instituto Real Time Big Data apontou que a avaliação positiva do governo recuou para 29%, enquanto 33% dos entrevistados classificam a gestão como regular.
No vídeo, Lula diz não entender a resistência ao fim da cobrança e sustenta que boa parte das roupas vendidas no comércio brasileiro já vem de Bangladesh, do Vietnã e da China. Ele apresenta a revogação como questão de justiça, ao argumentar que quem tem renda mais alta viaja ao exterior e gasta valores muito superiores sem pagar tributo, enquanto o consumidor de periferia é taxado numa compra de 50 dólares. O presidente afirmou estar convencido de que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o presidente da Câmara, Hugo Motta, colocarão o texto em votação.
Os dois blocos de cobertura reunidos não disputam os fatos básicos. Não há controvérsia sobre a existência da Medida Provisória, sobre o prazo de setembro, sobre a vigência imediata da desoneração nem sobre o calendário eleitoral em curso: o defeso começou em 4 de julho, quando candidatos à reeleição passaram a ficar impedidos de usar publicidade institucional e de participar de inaugurações de obras, e se estende até 25 de outubro, data prevista para o encerramento do primeiro turno de 2026.
A divergência está no que cada lado escolheu contar. Veículos de esquerda organizaram a cobertura em torno do argumento distributivo do presidente, tratando a desoneração como alívio para o consumidor de baixa renda e como resposta a uma cobrança percebida como regressiva, sem trazer a posição do varejo instalado no país e da indústria têxtil, que defendem a taxação como proteção ao emprego local. Veículos de direita não trataram da Medida Provisória e concentraram o texto na queda da avaliação do governo, associando o recuo ao defeso eleitoral e à abertura de três inquéritos sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, por suspeita de tráfico de influência, além de retomar o histórico do sítio de Atibaia e das condenações da Lava Jato anuladas pelo Supremo Tribunal Federal por questão de competência do juízo. Não há, no conjunto reunido, cobertura de centro confrontando os dois recortes com metodologia de pesquisa, número de arrecadação e contraditório das partes citadas.
Vários pontos seguem em aberto. Nenhum dos textos informa margem de erro, tamanho de amostra ou série histórica do levantamento que registra os 29%, o que impede medir o tamanho real da variação. Também não há data marcada para a votação da Medida Provisória nas duas Casas, nem estimativa oficial de quanto o Estado deixa de arrecadar com o fim da cobrança federal, nem manifestação da defesa das pessoas citadas nos inquéritos.