A pré-candidata ao Senado por São Paulo, Marina Silva (Rede), afirmou nesta sexta-feira, 26 de junho, que as investigações que atingem integrantes do PT no caso Banco Master são prova da autonomia da Polícia Federal no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista ao programa Poder Expresso, do SBT News, a ex-ministra do Meio Ambiente negou que haja tratamento diferenciado entre aliados do governo e integrantes da oposição.
"Como demonstração dessa independência, não há dois pesos e duas medidas. Todos estão sendo investigados, e cabe à Polícia Federal conduzir as apurações que vão determinar o veredito", disse Marina. Ela acrescentou que, no governo Lula, ninguém é condenado antecipadamente e que todos terão direito à ampla defesa, com punição rigorosa para quem a Justiça concluir ser culpado.
A cobertura de centro relatou que a declaração ocorreu logo após o senador Jaques Wagner (PT-BA) deixar a liderança do governo no Senado. A saída foi motivada por investigações da Polícia Federal que apontam indícios de que o parlamentar teria recebido benefícios indevidos para atuar em favor dos interesses do Banco Master no Congresso Nacional. Em 18 de junho, Wagner foi alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes envolvendo a instituição financeira e a rede de relações do empresário Daniel Vorcaro com autoridades e empresários. Após a saída de Wagner, a senadora Teresa Leitão (PT-PE) foi anunciada como nova líder do governo no Senado.
Segundo a Polícia Federal, Wagner teria recebido benefícios do empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, enquanto mantinha interlocução sobre pautas de interesse da instituição. Entre os indícios estão a compra de ingressos para familiares do senador em um show internacional em Los Angeles, nos Estados Unidos, e o uso de aeronaves particulares sem custos. Durante buscas em endereços ligados ao parlamentar, em Brasília e na Bahia, a PF apreendeu US$ 55 mil, cerca de R$ 282 mil, e € 33,5 mil, aproximadamente R$ 197 mil.
Em sua defesa, Wagner afirmou que os valores apreendidos têm origem em diárias recebidas do Senado por missões oficiais no exterior, além de recursos próprios sacados para viagens particulares. Sobre um imóvel citado nas investigações, declarou que mantinha um acordo com Augusto Lima para aquisição na planta, com pagamento previsto para momento posterior.
É na interpretação da fala de Marina que as coberturas divergem. Veículos de esquerda destacaram a tese da autonomia da PF como avanço democrático: a apuração de aliados do próprio governo seria a prova de que não há perseguição seletiva e de que o devido processo legal foi consolidado na atual gestão. Já a leitura de veículos de direita tende a enfatizar o mérito da denúncia, o líder do governo Lula sob suspeita de corrupção, a apreensão de dinheiro vivo em moeda estrangeira e os sinais de privilégios, cobrando que o discurso de independência se traduza em punição concreta, e não apenas em retórica institucional.
O que ainda não se sabe é o desfecho da investigação: não há, até aqui, conclusão da Polícia Federal sobre a culpa de Wagner, nem decisão judicial definitiva. Também permanecem em aberto a comprovação da origem dos valores apreendidos e os próximos passos da Operação Compliance Zero em relação aos demais investigados.