Meta vai a júri em Oakland sob acusação de 29 estados por vício de jovens
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Pela leitura de direita, o julgamento de Oakland testa até onde o Estado pode ir ao responsabilizar uma empresa pelo desenho de um produto legal e livremente escolhido pelos usuários. A Meta reconhece que parte do público tem relação problemática com as redes, mas nega a existência de nexo comprovado entre suas plataformas e a piora do bem-estar de adolescentes, e argumenta que o sofrimento psíquico juvenil tem causas múltiplas. Uma penalidade da ordem citada pela acusação equivaleria a anos de lucro da companhia, e a imposição judicial de mudanças em recursos de produto abriria precedente sobre toda a indústria de tecnologia.
Pela leitura de esquerda, o julgamento em Oakland expõe um modelo de negócio que converte a vulnerabilidade psicológica de crianças e adolescentes em receita publicitária. A acusação dos 29 estados sustenta que a Meta estudou deliberadamente a busca por recompensa e a necessidade de aprovação social próprias da adolescência para prender esse público nas telas, ampliando a coleta de dados e o faturamento.
A Meta, controladora do Facebook e do Instagram, começou a ser julgada em 18 de agosto de 2026 em um tribunal federal de Oakland, na Califórnia, em ação movida por uma coalizão bipartidária de 29 estados norte-americanos.
4 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
Nesta matéria: viés de centro.
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Todos os lados registram os mesmos fatos processuais: o julgamento começou em 18 de agosto em Oakland, envolve 29 estados liderados por Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey, deve durar cerca de seis semanas e tem Mark Zuckerberg e Adam Mosseri na lista de depoentes. Há convergência também sobre o alcance do pedido, que vai além de dinheiro e inclui mudanças em algoritmos, rolagem infinita, autoplay e verificação parental, e sobre o fato de que Google, TikTok e Snap respondem a processos semelhantes.
Uma coalizão de 29 estados americanos acusa a Meta de projetar Facebook e Instagram para prender crianças e adolescentes nas telas e de coletar dados de menores sem autorização dos pais. A empresa nega. O julgamento em Oakland deve durar seis semanas, ouvir Mark Zuckerberg e decidir se a Justiça pode mandar uma plataforma mudar o desenho do próprio produto.
A Meta, dona do Facebook e do Instagram, começou a ser julgada na terça-feira, 18 de agosto de 2026, em um tribunal federal de Oakland, na Califórnia. A ação é movida por uma coalizão bipartidária de 29 estados norte-americanos, com Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey à frente desta etapa. São três as acusações centrais: a de que a empresa projetou suas redes sociais para estimular o uso compulsivo por crianças e adolescentes, a de que enganou o público ao apresentar as plataformas como seguras para esse grupo e a de que coletou dados de usuários com menos de 13 anos sem autorização dos responsáveis, em violação à legislação federal de privacidade infantil. A companhia rejeitou as três teses já na abertura do processo.
O desenho institucional do caso é incomum. Um júri de oito integrantes acompanha as sessões, mas atua apenas como órgão consultivo: a decisão final cabe à juíza federal Yvonne Gonzalez Rogers, que poderá fixar indenizações e determinar mudanças no funcionamento dos aplicativos. O julgamento deve durar cerca de seis semanas e prevê o depoimento do fundador e presidente-executivo da empresa, Mark Zuckerberg, e do chefe do Instagram, Adam Mosseri. Uma das primeiras testemunhas ouvidas foi Arturo Béjar, ex-diretor de engenharia do Facebook, que trabalhou com segurança, bullying e assédio nas plataformas e afirmou ter alertado executivos sobre danos que poderiam ter sido evitados com mudanças no produto.
Os números em disputa aparecem em toda a cobertura, embora com pesos diferentes. Em documentos judiciais anteriores ao início do julgamento, a própria empresa estimou que as penalidades reivindicadas pelos quatro estados que lideram o processo poderiam alcançar US$ 1,4 trilhão, valor que classifica como desproporcional. Procuradores-gerais envolvidos indicaram cifra mais provável próxima de US$ 200 bilhões. Há convergência também sobre o pedido que vai além do dinheiro: os estados querem verificação parental para contas de adolescentes, alterações nos algoritmos de recomendação, fim da reprodução automática de vídeos, restrições à rolagem infinita e a retirada de filtros que alteram a aparência nas fotografias. E há convergência sobre o contexto: a ação integra uma ofensiva judicial mais ampla que atinge também Google, TikTok e Snap, depois de decisões recentes desfavoráveis à empresa no Novo México e em um caso julgado por júri na Califórnia.
As diferenças aparecem no que cada lado escolhe iluminar. Veículos de esquerda enfatizaram os danos à saúde mental de crianças e adolescentes e a cifra máxima de penalidade, tratando o processo como consequência de um modelo de negócio que exploraria vulnerabilidades próprias da adolescência, como a busca por recompensa e a importância da aprovação social, para ampliar tempo de tela, coleta de dados e receita publicitária. A cobertura de centro relatou o embate em paridade, registrando a acusação da procuradora-geral adjunta da Califórnia, Megan O'Neill, de que a empresa colocou lucros à frente da segurança de menores, e a resposta do advogado de defesa Paul Schmidt, que pediu aos jurados mente aberta e sustentou que problemas de saúde mental entre jovens têm causas diversas. Veículos de direita enfatizaram a proporcionalidade da punição e o risco regulatório, relativizando a cifra de US$ 1,4 trilhão diante da estimativa menor dos procuradores, destacando as cerca de 600 mil contas de menores de 13 anos removidas nos três meses anteriores ao julgamento e formulando o caso como uma pergunta sobre até que ponto uma empresa pode ser responsabilizada pelos efeitos do desenho de seus produtos. Um dos textos de direita não apresentou a defesa da companhia, concentrando-se na lista de mudanças pedidas pelos estados.
O que ainda não se sabe é a maior parte. Não há veredito nem prazo definido para ele além da estimativa de seis semanas, e nenhuma das coberturas informa a data em que Zuckerberg e Mosseri depõem. O teor dos documentos internos que a acusação diz comprovar o conhecimento prévio dos riscos não foi divulgado publicamente. Também não está esclarecido qual medida de mudança de produto a juíza poderia efetivamente impor, nem como uma eventual condenação se articularia com os demais processos abertos contra as plataformas nos Estados Unidos. Por fim, não há na cobertura avaliação independente sobre o nexo entre uso de redes sociais e piora do bem-estar de adolescentes, ponto que a defesa contesta e que é a base factual de toda a ação.
As acusações foram apresentadas nesta terça-feira (18) pela coalizão de 29 estados daquele país

A Meta, dona do Facebook e do Instagram, enfrenta uma nova batalha nos tribunais dos Estados Unidos que pode provocar


Processo movido por 29 estados americanos pode obrigar companhia a mudar recursos das plataformas
