A quinta rodada da pesquisa Nexus/BTG sobre a eleição presidencial de 2026, divulgada em 29 de junho, manteve o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança da corrida ao Palácio do Planalto, mas registrou um segundo turno mais apertado contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). No cenário estimulado de primeiro turno, Lula aparece com 42% das intenções de voto, contra 34% de Flávio, uma diferença de oito pontos percentuais. Os demais pré-candidatos seguem com um dígito: Ronaldo Caiado (PSD) com 5%, Renan Santos (Missão) com 4% e Romeu Zema (Novo) com 3%.
No principal cenário de segundo turno, Lula tem 47% e Flávio 44%, diferença de três pontos que fica dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, o que caracteriza empate técnico. O levantamento ouviu 2.009 eleitores por telefone, entre os dias 26 e 28 de junho, com nível de confiança de 95%, e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-08521/2026. A pesquisa foi a campo logo após dois fatos de grande repercussão: a operação da Polícia Federal contra o então líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), ligada ao caso do Banco Master, e a divulgação de um vídeo da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro com críticas a Flávio.
A cobertura de centro, predominante entre os veículos do cluster e ancorada em despachos de agências, relatou os números de forma factual: Lula lidera o primeiro turno e todos os cenários de segundo turno, vencendo Zema por 48% a 38%, Caiado por 47% a 39% e Renan Santos por 48% a 36%. Essa cobertura destacou que a vantagem de Lula sobre Flávio caiu de seis para três pontos em relação à rodada de 15 de junho, e que a crise envolvendo Michelle Bolsonaro ainda não havia impactado de forma significativa as intenções de voto. Os índices de rejeição também foram tratados com paridade: Aécio Neves é o mais rejeitado, com 60%, seguido por Flávio, com 51%, e Lula, com 49%.
Veículos de esquerda enfatizaram a força e a resiliência de Lula. Para essa cobertura, o presidente domina os principais recortes, incluindo o voto espontâneo, no qual cresceu de 32% em março para 38% em junho. O destaque ficou para o avanço entre beneficiários do Bolsa Família, onde Lula chegou a 68% no primeiro turno, enquanto Flávio recuou para 13%. Nessa leitura, a direita aparece fragmentada no primeiro turno e só se concentra no segundo turno em torno do sobrenome Bolsonaro, com a oposição enfrentando palanques frágeis em regiões como o Nordeste. O empate técnico foi tratado como oscilação dentro da margem, e não como uma virada.
Veículos de direita, por outro lado, enfatizaram o caráter cada vez mais competitivo da disputa e o desgaste do governo. Essa cobertura destacou que a vantagem de Lula no segundo turno encolheu pela metade e que sua rejeição subiu para 49%, em um cenário de avaliação dividida: 42% consideram o governo ruim ou péssimo e a aprovação está empatada em 48% a 48%. Segundo o CEO da Nexus, citado por esses veículos, Lula enfrenta um duplo desafio, convencer o eleitor não polarizado e transformar intenção de voto em comparecimento às urnas, já que a abstenção tende a afetar mais sua base de menor renda. A perda de cinco pontos de Lula no Nordeste após a operação contra Jaques Wagner e o avanço de Flávio no Sul, de 51% para 63%, foram lidos como sinais de uma eleição aberta.
Os três campos convergem nos números centrais da pesquisa e em que a corrida segue polarizada entre Lula e Flávio, com a terceira via distante. Divergem na interpretação: enquanto a esquerda vê liderança consolidada do petista, a direita lê o encurtamento da diferença como tendência de desgaste do governo. O que ainda não se sabe é se os efeitos da operação contra Jaques Wagner, do caso do Banco Master e da crise na família Bolsonaro se aprofundarão ao longo da campanha, e como se comportará o grupo de eleitores indecisos e pouco engajados, estimado em cerca de um quarto do eleitorado, que ainda não acompanha a disputa e tende a decidir o resultado de outubro.