A OpenAI, criadora do ChatGPT e avaliada em US$ 852 bilhões, iniciou conversas preliminares para ceder uma participação de 5% de suas ações ao governo dos Estados Unidos, segundo reportagem do jornal britânico Financial Times publicada em 2 de julho de 2026. A informação foi replicada por veículos brasileiros de diferentes orientações, que convergem sobre o núcleo factual do caso.
De acordo com as fontes ouvidas pelo Financial Times, o presidente-executivo da empresa, Sam Altman, levou a proposta a encontros com o presidente Donald Trump, com o secretário de Comércio, Howard Lutnick, e com o secretário do Tesouro, Scott Bessent. O modelo sugerido prevê que outras grandes empresas de inteligência artificial dos EUA transfiram uma fatia semelhante para um veículo de investimento especial, inspirado no Alaska Permanent Fund, o fundo soberano que distribui os dividendos do petróleo aos moradores daquele estado. As negociações são descritas como de estágio conceitual e sua implementação exigiria a aprovação de uma lei pelo Congresso americano.
A cobertura de centro, representada pelo Poder360, relatou o caso de forma factual, com contexto sobre o processo de abertura de capital. A matéria lembra que a OpenAI se prepara para um IPO em meio a forte pressão financeira, provocada pelos custos crescentes da infraestrutura de IA, e que órgãos reguladores dos EUA recentemente atrasaram o lançamento de modelos de ponta da própria OpenAI e da rival Anthropic. Registrou ainda que a empresa e a Casa Branca não comentaram o caso e destacou o precedente recente em que o governo americano adquiriu 10% da fabricante de chips Intel.
Veículos de esquerda, como o Opera Mundi, enfatizaram a dimensão de propriedade pública sobre a tecnologia. Nessa leitura, ganha relevo a posição do senador democrata Bernie Sanders, que defende uma postura mais agressiva: o Estado deveria deter cerca de metade de cada empresa de IA por meio de um fundo soberano nacional, sob o argumento de que a tecnologia se baseia em conhecimento humano utilizado sem permissão e sem remuneração. O próprio Altman argumenta que oferecer ao público uma fatia financeira seria a melhor forma de compartilhar os benefícios da IA.
Veículos de direita e a cobertura de mercado enfatizariam o outro ângulo: a proposta como manobra estratégica para reduzir a incerteza regulatória antes do IPO. Um analista da Forrester citado pela reportagem avalia que a participação do governo poderia amenizar as preocupações de investidores quanto ao risco regulatório, mas alerta que outras jurisdições poderiam exigir acordos análogos como condição de acesso ao mercado, levando compradores na Europa e na Ásia a reavaliar premissas de soberania e neutralidade de dados. O precedente da Intel reforça a leitura de um Estado cada vez mais ativo como acionista do setor privado.
O que ainda não se sabe: não há consenso nem indicação de que concorrentes como Anthropic, Google e Meta aceitem ceder o mesmo percentual, e as negociações permanecem em estágio inicial. O desfecho depende de aprovação do Congresso e da disposição da Casa Branca, que até agora não se pronunciou oficialmente.