A Paraná Pesquisas divulgou em 2 de julho de 2026 um retrato do cenário eleitoral no Rio de Janeiro que envolve a disputa ao governo, ao Senado e à Presidência. O instituto ouviu 1.600 eleitores em 60 municípios fluminenses, entre 29 de junho e 1º de julho, com margem de erro de 2,5 pontos percentuais e registro no Tribunal Superior Eleitoral. Os números foram lidos de formas diferentes pelos veículos, conforme o ângulo escolhido.
No cenário estadual, os candidatos ligados ao presidente Lula aparecem à frente. Eduardo Paes, do PSD, alcança 54,2% das intenções de voto para governador e fica em condição de vencer no primeiro turno. Benedita da Silva, do PT, lidera a disputa ao Senado com 33% em um dos cenários testados. Na corrida presidencial, medida apenas entre eleitores do Rio, Lula e o senador Flávio Bolsonaro empatam tecnicamente: o petista tem 41,6% e Flávio, 38,6% no primeiro turno; em um eventual segundo turno, ficam em 44,7% contra 44,4%.
Há pontos em que a cobertura converge. Todos os veículos reproduziram os mesmos percentuais, a metodologia e o registro no TSE, e trataram a liderança de Paes e de Benedita como o dado central do levantamento. A cobertura de centro, como a da CNN Brasil, relatou os números de forma técnica, detalhando os dois cenários da disputa ao Senado, o empate técnico entre Lula e Flávio e a avaliação do governo federal, sem privilegiar um lado.
As divergências aparecem na ênfase. Veículos de esquerda destacaram que os candidatos apoiados por Lula lideram governo e Senado e que isso amplia a força do presidente num estado que é o terceiro maior colégio eleitoral do país. Nessa leitura, a aliança entre PT e PSD, costurada pela direção nacional petista, aparece consolidada e capaz de entregar a Lula base territorial e institucional para a eleição presidencial. Já a leitura mais próxima da direita enfatiza um dado que o enquadramento governista tende a deixar de lado: no mesmo levantamento, a desaprovação ao governo Lula no Rio chega a 49,3%, acima dos 47,9% que aprovam, e 41,7% consideram a gestão ruim ou péssima. Sob esse prisma, o empate técnico de Flávio Bolsonaro com Lula no estado indica que a direita mantém competitividade real.
A disputa pela segunda vaga do Senado permanece indefinida. Benedita lidera com folga, mas Marcelo Crivella, Márcio Canella e Pedro Paulo aparecem em empate técnico pela cadeira restante, com diferenças dentro da margem de erro. Cada entrevistado podia indicar até dois nomes, porque duas vagas estarão em disputa.
O que ainda não se sabe é como esses números se traduzirão em votos: a própria pesquisa é, nas palavras da reportagem, uma fotografia do período de coleta, não uma previsão. Não há definição sobre quem ocupará a segunda vaga ao Senado, sobre a consolidação formal das alianças nem sobre como a vantagem de Paes na disputa estadual se converterá, ou não, em voto presidencial para Lula no Rio.