O instituto Paraná Pesquisas divulgou em 2 de julho de 2026 um amplo levantamento sobre as eleições no Rio de Janeiro, cobrindo as disputas ao governo estadual, ao Senado e à Presidência da República, além da avaliação do governo Lula no estado. Os dados desenharam um mapa em que aliados do presidente aparecem à frente nas principais corridas locais, ao mesmo tempo em que a disputa nacional permanece indefinida no território fluminense.
Na corrida ao Palácio Guanabara, o ex-prefeito Eduardo Paes, do PSD, lidera todos os cenários. No principal, alcança 54,2% das intenções de voto, seguido de longe por Douglas Ruas, do PL, com 14,6%. Quando Anthony Garotinho entra na simulação, Paes registra 50,7%. Em ambos os casos, os números o colocam em condições de vencer já no primeiro turno, caso o quadro se confirme nas urnas. Para o Senado, a deputada federal Benedita da Silva, do PT, lidera com 33%, à frente de um pelotão em empate técnico pela segunda das duas vagas em disputa, formado por Marcelo Crivella, Márcio Canella e Pedro Paulo.
A pesquisa ouviu 1.600 eleitores em 60 municípios, entre 29 de junho e 1º de julho, por meio de entrevistas presenciais, com margem de erro de 2,5 pontos percentuais e registro no Tribunal Superior Eleitoral. Esses parâmetros metodológicos são reconhecidos por toda a cobertura, assim como o fato de Paes e Benedita ocuparem a dianteira em suas respectivas disputas.
A cobertura de centro, como a da CNN Brasil, relatou os números de forma factual e destacou dois pontos que qualificam o cenário. Primeiro, a segunda vaga ao Senado está em aberto: Crivella, Canella e Pedro Paulo estão separados por diferenças dentro da margem de erro. Segundo, na disputa presidencial medida no estado, Lula e Flávio Bolsonaro empatam tecnicamente tanto no primeiro quanto no segundo turno. O petista lidera numericamente, com 41,6% contra 38,6% no primeiro turno e 44,7% contra 44,4% num eventual segundo turno, mas a vantagem está dentro da margem.
Veículos de esquerda, como o Blog do Esmael, enfatizaram a leitura de que o resultado amplia a força de Lula. Sob esse enquadramento, a dobradinha Paes-Benedita consolidaria a aliança entre PT e PSD, formalizada pelo presidente nacional do partido, Edinho Silva, e entregaria ao presidente estrutura territorial no terceiro maior colégio eleitoral do país, considerado decisivo para a eleição presidencial. Essa cobertura resumiu o movimento na expressão 'barba, cabelo e bigode', sugerindo ganho simultâneo no governo, no Senado e no palanque presidencial.
Já uma leitura à direita, ancorada nos próprios dados da pesquisa, enfatizaria os sinais de resistência ao governo. A gestão de Lula é desaprovada por 49,3% dos eleitores fluminenses, contra 47,9% de aprovação, e 41,7% avaliam a administração como ruim ou péssima. O empate técnico com Flávio Bolsonaro, num estado que o campo bolsonarista venceu nas últimas eleições presidenciais, indica que a disputa nacional segue plenamente competitiva, e a liderança de Paes tende a ser atribuída à sua base pessoal como ex-prefeito, não a uma adesão automática ao projeto petista.
O que ainda não se sabe é como a ampla vantagem de Paes se converterá, ou não, em voto presidencial para Lula, se Benedita conseguirá eleger um segundo nome aliado ao Senado, e quem, entre Crivella, Canella, Pedro Paulo e Portinho, ocupará a segunda cadeira fluminense. A própria pesquisa adverte que é uma fotografia do período de coleta, não uma previsão do resultado.