As pesquisas de intenção de voto sobre o duelo em São Paulo entre o governador Tarcísio de Freitas e o ex-ministro Fernando Haddad elevaram a tensão no entorno do presidente Lula. O levantamento mais recente do instituto Paraná Pesquisas, divulgado no fim de maio, mostra Tarcísio com 47,3% das intenções de voto, patamar que o coloca perto de vencer a reeleição já no primeiro turno. A desistência dos pré-candidatos Kim Kataguiri e Paulo Serra, que juntos somavam 7,7% dos votos, tende a ampliar essa vantagem, já que os dois têm perfil mais à direita e a expectativa é de que seus eleitores migrem para o governador.
A cobertura de centro relatou o tabuleiro paulista de forma factual, descrevendo a mobilização dos dois lados. Lula convenceu Haddad a voltar à disputa e articulou as ministras Simone Tebet e Marina Silva como candidatas ao Senado para fortalecer o palanque, além de negociar o ex-governador Márcio França como vice. Do outro lado, Flávio Bolsonaro coordena a campanha de Tarcísio e planeja usar o favoritismo do governador para consolidar apoio no estado, com agenda de eventos em municípios estratégicos como Guarulhos e Presidente Prudente.
Os três lados convergem em um ponto central: São Paulo é decisivo para o resultado nacional de 2026. O estado concentra 22% do eleitorado do país, e há precedentes recentes que assustam o Palácio do Planalto. Em 2022, Lula viu vantagens estaduais evaporarem no segundo turno em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, depois que governadores reeleitos no primeiro turno passaram a fazer campanha pela oposição. O próprio Haddad admitiu o risco de ter, no segundo turno nacional, uma eleição que já foi encerrada em São Paulo.
Veículos de direita enfatizaram o favoritismo de Tarcísio e a força da oposição no estado, destacando que uma vitória no primeiro turno seria um feito raro na política paulista desde a redemocratização. Essa cobertura trouxe também dados do Real Time Big Data, segundo o qual Flávio Bolsonaro venceria Lula no estado por 36% a 31%, enquanto Tarcísio alcançaria 46% no duelo com Haddad e chegaria a 57% em algumas regiões do interior. O enquadramento tratou a candidatura de Haddad como reação defensiva, dependente de obras e recursos federais.
Veículos de esquerda, por sua vez, tenderam a ler a articulação de Flávio Bolsonaro como manobra para encerrar a disputa cedo e dominar o maior colégio eleitoral do país, valorizando a aposta de Haddad em obras e programas federais e o peso das ministras convocadas por Lula. Nessa chave, o desfecho paulista funciona como teste da continuidade das prioridades sociais do governo.
O que ainda não se sabe é o quanto os números se manterão até o dia da votação. As reportagens não detalham a metodologia, a margem de erro nem a amostra dos levantamentos citados, e não há garantia de que o eleitorado dos pré-candidatos que desistiram migre integralmente para Tarcísio. Também é incerto se um eventual eleitor de direita antibolsonarista, que apoia o governador, comparecerá às urnas em um segundo turno presidencial para votar em Flávio Bolsonaro, um dos principais desafios apontados por analistas para a estratégia da oposição.