
Grupo de Daniel Vorcaro viu troca de relator no STF como piora, diz Polícia Federal
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A Polícia Federal afirma que o grupo chamado de A Turma, pago por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, avaliou como piora a saída do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). A conclusão está em mensagens de WhatsApp interceptadas e enviadas à corte, que quebrou o sigilo de peças do processo em 11 de setembro. Segundo a investigação, o grupo era pago para intimidar pessoas, cooptar servidores públicos e invadir sistemas oficiais em busca de informações reservadas.
Esquerda
Sem cobertura neste espectro.
Centro
A Polícia Federal afirma que o grupo chamado de A Turma, pago por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, avaliou como piora a saída do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).
Direita
O centro do problema é institucional: um banqueiro investigado tinha, segundo a Polícia Federal, um grupo pago para obter informação privilegiada, e as mensagens mostram que esse grupo acompanhava de perto quem relatava o caso no Supremo Tribunal Federal (STF).
2 fontes políticas
Veículos com viés à esquerda
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Veículos com viés ao centro
Texto de apuração, sem vocabulário valorativo: encadeia o que a Polícia Federal afirma, cita as mensagens entre Bruno Correa Lopes e Manoel Mendes Rodrigues com data, registra valores (R$ 400 mil mensais, fraude de R$ 17 bilhões) e informa que a defesa de Daniel Vorcaro não comentou. O enquadramento é o do esquema e do financiamento, não o da disputa ideológica.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
A seleção do material vira o eixo: o grupo pago por Daniel Vorcaro ocupa a abertura, mas metade do texto trata da relação do ministro Dias Toffoli com o resort Tayayá, dos embates dele com a Polícia Federal e da cadeia de fundos ligada a Fabiano Zettel. É o enquadramento de accountability do Judiciário, típico da direita, ainda que o texto seja contido e publique a nota do gabinete na íntegra.
Perspectivas omitidas
Mensagens interceptadas pela Polícia Federal e enviadas ao Supremo Tribunal Federal mostram que integrantes do grupo pago por Daniel Vorcaro avaliaram como piora a troca do relator do caso Banco Master, em fevereiro. O material veio a público depois que a corte quebrou o sigilo de peças do processo em 11 de setembro.
A Polícia Federal afirma que o grupo apelidado de A Turma, pago pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, tratou como um revés a saída do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso do banco no Supremo Tribunal Federal, o STF. A avaliação aparece em mensagens de WhatsApp interceptadas pelos investigadores e encaminhadas à corte, que quebrou o sigilo de peças do processo na sexta-feira, 11 de setembro.
O trecho central é uma conversa de 27 de fevereiro entre Bruno Correa Lopes, apontado como responsável por comprar imóveis e intermediar negócios da família Vorcaro, e Manoel Mendes Rodrigues, conhecido como Manolo, também investigado na Operação Compliance Zero. Depois de trocarem links de reportagens sobre supostos desvios e sobre o avanço da CPMI do INSS, Bruno escreveu que a situação estava piorando muito rápido agora que o caso havia saído do Toffoli. A troca de relatoria tinha ocorrido em 12 de fevereiro, quando André Mendonça assumiu o processo por sorteio, e Daniel Vorcaro voltou a ser preso em 4 de março.
Toda a cobertura converge nos mesmos elementos. A Turma, segundo a investigação, era paga para intimidar pessoas, cooptar servidores públicos e invadir sistemas oficiais em busca de informações reservadas. Nas mesmas conversas aparecem a venda apressada de imóveis da família por valores abaixo do preço original e a cobrança por documentos, com o alerta de que o tempo estava correndo. Dias Toffoli deixou a relatoria depois que vieram a público as ligações entre o empreendimento do resort Tayayá e a empresa familiar Maridt, que teve irmãos do ministro entre os sócios.
A cobertura de centro deu mais espaço à engrenagem financeira e criminal do grupo. Relatou que A Turma tinha seis integrantes, recebia cerca de R$ 400 mil por mês por meio de empresas ligadas ao grupo empresarial de Daniel Vorcaro e era liderada pelo policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, a ponto de os integrantes terem férias de fim de ano combinadas com o contratante. Nesse enquadramento também aparecem a morte de Felipe Mourão, conhecido como Sicário, que se matou na sede da Polícia Federal em 6 de março depois de ser detido, a prisão de Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, em 14 de maio, e a apuração de fraude de R$ 17 bilhões em operações entre o Master e o BRB, cujo ex-presidente, Paulo Henrique Costa, também está preso.
Veículos de direita concentraram a cobertura no Judiciário. Detalharam que Dias Toffoli atuou como relator por cerca de três meses, em período marcado por embates com a Polícia Federal, e recuperaram a cadeia societária do resort: Fabiano Zettel, pastor e empresário, cunhado de Daniel Vorcaro, é dono de um dos fundos que compraram a participação dos irmãos do ministro, por R$ 6,6 milhões, e depois aportou R$ 20 milhões no empreendimento. Esse enquadramento deu destaque à nota do gabinete, que afirma que o ministro jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de Fabiano Zettel e que desconhece o gestor do fundo citado.
Até o fechamento desta edição, veículos de esquerda não haviam publicado cobertura própria do caso. O ângulo que costuma organizar essa leitura, o do poder econômico privado comprando acesso a informação do Estado e cooptando servidores públicos, aparece, portanto, apenas nos elementos da investigação, sem interpretação editorial desse lado.
Ainda não se sabe se a quebra de sigilo terá desdobramento formal sobre a conduta do ministro, se as defesas dos investigados contestam a autenticidade ou o contexto das mensagens e quando o Ministério Público vai se manifestar sobre eventual denúncia contra os integrantes de A Turma. A defesa de Daniel Vorcaro não comentou, e os advogados de Paulo Henrique Costa não foram localizados.
Toda a cobertura aceita o mesmo núcleo: a Polícia Federal identificou um grupo pago por Daniel Vorcaro para intimidar pessoas e obter informação sigilosa, e uma mensagem de 27 de fevereiro registra que um investigado considerou a saída de Dias Toffoli da relatoria do caso Banco Master uma piora. Também há convergência sobre a troca de relator em 12 de fevereiro e sobre as ligações societárias com o resort Tayayá.


A investigação sobre “A Turma”, grupo que, segundo a Polícia Federal, seria pago por Daniel Vorcaro para obter informações sigilosas



