A Polícia Federal identificou 74 ligações telefônicas, que somam cerca de cinco horas e trinta minutos de conversa, entre o senador Jaques Wagner e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. Os contatos ocorreram entre novembro de 2023 e maio de 2025, num intervalo de 555 dias. Os detalhes vieram a público depois que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, retirou o sigilo da investigação da nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em junho de 2026, que teve o ex-líder do governo no Senado como um dos alvos.
A cobertura de centro relatou os fatos de forma direta. Segundo a PF, o senador teria atuado para favorecer o Banco Master no Congresso em troca de vantagens. Entre os supostos benefícios estão a compra de um apartamento de cerca de R$ 2,45 milhões em Salvador, repasses a empresas de familiares, ingressos para shows da cantora Taylor Swift avaliados em mais de R$ 66 mil e viagens em aeronaves emprestadas. Durante as buscas, foram encontrados 49 mil dólares e 33,5 mil euros em espécie em locais ligados ao senador. A investigação também aponta que Wagner teria acompanhado a tramitação da chamada emenda Master, que ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos.
Veículos de direita enfatizaram o enquadramento de escândalo de corrupção envolvendo o PT. Essa cobertura destacou a proximidade pessoal entre o senador e o banqueiro, as mensagens de afeto trocadas entre as famílias e a preferência por ligações de voz que, segundo a PF, teria servido para evitar registros escritos. Os textos relacionaram o caso a um padrão mais amplo de fraudes atribuídas ao Banco Master e a outras autoridades já citadas na operação.
Até o momento, veículos de esquerda não deram relevo ao caso nem à defesa do senador. Jaques Wagner nega ter atuado em favor do banco e afirmou estar tranquilo, dizendo que vai provar a inocência. Sua defesa sustenta que a única emenda de sua autoria sobre o tema buscava limitar juros e proteger consumidores, que ele se posicionou contra a emenda Master e que o dinheiro em espécie tinha origem lícita, ligada a diárias oficiais do Senado.
O que ainda não se sabe: a própria PF ressalta que as mensagens, isoladamente, não confirmam que houve o encontro atribuído ao advogado-geral da União, Jorge Messias, que nega ter participado de qualquer reunião no gabinete do senador. Também segue em aberto se as provas reunidas sustentarão a acusação de recebimento de vantagens indevidas. As apurações continuam em andamento no Supremo Tribunal Federal.