PF fez buscas até em quarto de hotel de Jaques Wagner
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Mesmo sob pressão da Polícia Federal, prevaleceram salvaguardas institucionais a favor do senador Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado. O ministro André Mendonça e a PGR barraram buscas no gabinete parlamentar por representarem indevida ingerência entre Poderes, limitando a operação Compliance Zero a endereços pessoais. A cobertura à esquerda lembra precedentes como a Operação Métis e o caso Carlos Jordy, em que diligências policiais no Congresso foram contestadas, e ressalta que a PGR também rejeitou apreensões genéricas de bens de alto valor por serem desproporcionais.
Veículos deste lado: Diário do Centro do Mundo
A Polícia Federal cumpriu mandados de busca contra o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, na 9ª fase da operação Compliance Zero, que apura a relação entre o empresário Augusto Lima, o Banco Master e o PT da Bahia.
Veículos deste lado: Metrópoles
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Esquerda e centro relatam os mesmos fatos: a PF fez buscas em endereços de Jaques Wagner na 9ª fase da Compliance Zero, o STF (André Mendonça) autorizou diligências em endereços pessoais mas negou buscas no gabinete do Senado, e a operação apura a relação com o Banco Master e o empresário Augusto Lima.
A Polícia Federal deflagrou a 9ª fase da operação Compliance Zero nesta quinta-feira, 18 de junho de 2026, e mirou o senador Jaques Wagner, do PT da Bahia, líder do governo Lula no Senado. Entre os locais vasculhados estava o quarto que o parlamentar ocupa no Brasília Palace Hotel, na capital federal. A investigação apura a relação entre o empresário Augusto Lima, o Banco Master e o PT da Bahia.
A cobertura de centro relatou que os advogados do senador obtiveram, junto ao relator do caso no Supremo Tribunal Federal, o ministro André Mendonça, a decisão que disciplinou a operação, e que a defesa agora tenta conseguir o auto de arrecadação, documento que lista todos os objetos apreendidos e serve de base para um eventual pedido de restituição de bens. Segundo essa cobertura, a Polícia Federal pediu que o requerimento fosse feito por escrito. Outras buscas da mesma fase ocorreram em Salvador.
Um ponto central foi a decisão do STF sobre o alcance das diligências. O ministro André Mendonça autorizou buscas em endereços pessoais, residenciais, empresariais e profissionais ligados ao parlamentar, mas negou o pedido da Polícia Federal para vasculhar o gabinete no Senado. A negativa acompanhou a Procuradoria-Geral da República, que se manifestou contra diligências dentro das dependências do Congresso por representarem, em suas palavras, indevida ingerência entre Poderes. A PGR também sustentou que não havia demonstração da indispensabilidade da busca no Senado no estágio atual da investigação, e se posicionou contra a apreensão genérica de bens de alto valor, classificada como prematura e desproporcional.
É nesse ponto que as ênfases da cobertura divergem. Veículos de esquerda destacaram justamente as salvaguardas institucionais: o fato de Mendonça e da PGR terem barrado as buscas no gabinete, a rejeição às apreensões genéricas e o resgate de precedentes de tensão entre polícia e Congresso, como a Operação Métis, de 2016, que teve assessores e agentes da Polícia do Senado como alvos, e a ação de 2024 contra o deputado Carlos Jordy, que motivou uma proposta de emenda à Constituição para restringir diligências no Legislativo. O enquadramento à esquerda gira em torno dos limites legais à ação policial sobre um parlamentar do governo. Já uma leitura à direita tende a enfatizar o ângulo oposto: o de que um aliado central do Planalto virou alvo de uma operação sobre corrupção, que as buscas chegaram até seu quarto de hotel, e de que o gabinete ter ficado de fora reacende o debate sobre prerrogativas que blindam parlamentares investigados.
O que ainda não se sabe é o teor concreto das suspeitas que recaem sobre Wagner no âmbito do Banco Master e do empresário Augusto Lima, quais objetos foram efetivamente apreendidos e qual será o próximo passo da investigação após esta fase. A defesa do senador, procurada, ainda não havia se manifestado sobre o conteúdo das acusações.
Agentes foram ao Brasília Palace; defesa de Jaques Wagner tenta obter lista de objetos apreendidos

André Mendonça negou busca no gabinete de Jaques Wagner no Senado durante operação da PF sobre suspeitas ligadas ao Banco Master.
