A campanha presidencial de 2026 começou com 13 chapas registradas, mas as pesquisas indicam uma disputa concentrada em dois nomes. Levantamento do Datafolha divulgado em 21 de agosto apontou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, com 39% das intenções de voto no primeiro turno, e o senador Flávio Bolsonaro, do PL, com 33%. Ronaldo Caiado aparece com 5%, Renan Santos com 4%, Romeu Zema com 3%, e Augusto Cury e Pablo Marçal com 2% cada. O instituto ouviu 2.058 pessoas em 128 municípios, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Com esse quadro, ganhou tração a discussão sobre a possibilidade de a eleição ser resolvida já na primeira votação, tanto na Presidência quanto nos governos estaduais. Para ser eleito sem segunda votação, um candidato precisa de mais da metade dos votos válidos, cálculo que exclui votos brancos, nulos e eleitores ainda indecisos.
Os dois lados da cobertura convergem em pontos objetivos. Nenhuma das candidaturas do chamado segundo pelotão conseguiu, até aqui, romper a distância que a separa dos dois primeiros colocados. O primeiro debate presidencial, realizado em 23 de agosto por uma emissora aberta em parceria com outros veículos, reuniu apenas Ronaldo Caiado, Renan Santos e Augusto Cury, o menor número de participantes em um debate inaugural desde 1989. Romeu Zema desistiu de participar no último momento, e Augusto Cury chegou a cogitar a desistência antes de entrar no estúdio.
Nas disputas estaduais, um levantamento baseado nas pesquisas mais recentes aponta São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco e Ceará como estados em que o governo pode ser decidido logo na primeira votação. Se isso ocorrer, 57,6% dos eleitores do país chegariam ao segundo turno apenas para escolher o presidente. Em São Paulo, que concentra cerca de 21,5% do eleitorado, pesquisa do Paraná Pesquisas mostra o governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, com 50% das intenções de voto, contra 33,8% do ex-ministro Fernando Haddad, do PT. Em 2022, 15 estados definiram seus governadores na primeira votação, alcançando 33,9% do eleitorado.
A leitura desses números divide as coberturas. Veículos de direita enfatizaram o efeito estratégico: a definição antecipada nos maiores colégios eleitorais esvaziaria palanques, reduziria a mobilização de militância e criaria dificuldade adicional tanto para Lula quanto para Flávio Bolsonaro, além de reforçar o peso político de Tarcísio de Freitas, citado como nome competitivo para a eleição de 2030. Nessa chave, o cientista político Marcelo Tokarski, do instituto Nexus, afirma que as campanhas presidenciais precisarão atuar diretamente nesses estados para manter o eleitor mobilizado até a segunda votação.
Veículos de esquerda trataram o mesmo tema por outro ângulo, em texto assinado de opinião. Ali, a polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro é descrita como escolha já feita pelo eleitorado, e não como defeito a ser corrigido por uma terceira via. O segundo turno aparece como conquista democrática, criada para garantir que o presidente seja escolhido pela maioria dos votos válidos, mas dispensável quando essa maioria já estaria formada. Vencer na primeira votação, segundo essa leitura, dependeria de concentrar o voto do campo progressista, reduzir o número de indecisos e dialogar com eleitores que rejeitam o bolsonarismo sem ter aderido ao petismo. Veículos de centro não trataram do assunto no conjunto analisado, o que deixa a comparação restrita a esses dois enquadramentos.
Ainda não se sabe o tamanho atual da parcela de indecisos e de votos brancos e nulos, número decisivo para estimar se algum candidato chega à maioria dos votos válidos. Também não foram divulgadas a data nem a metodologia detalhada da pesquisa estadual paulista citada, nem os números recentes dos demais estados apontados como candidatos à definição antecipada. Permanece em aberto se Romeu Zema mantém a candidatura depois da ausência no debate e qual será o efeito real da definição antecipada dos governos estaduais sobre o comparecimento às urnas no segundo turno.