O calendário das eleições gerais de 2026 já está integralmente definido, e a cobertura desta semana concentrou-se em traduzir as datas oficiais e em registrar o estágio das convenções partidárias. O primeiro turno será em 4 de outubro, um domingo, com votação das 8h às 17h pelo horário de Brasília em todo o país. Mais de 158 milhões de eleitores estão aptos a escolher presidente da República, governadores, dois senadores por unidade da Federação e deputados federais, estaduais e distritais. Onde nenhuma candidatura ao Executivo alcançar a maioria absoluta dos votos válidos, excluídos brancos e nulos, o segundo turno ocorrerá em 25 de outubro, restrito aos cargos de presidente e governador. As disputas para o Senado e para as casas legislativas se encerram na primeira votação.
O cronograma até lá é rígido. As convenções partidárias correram de 20 de julho a 5 de agosto, e os pedidos de registro de candidatura devem ser transmitidos à Justiça Eleitoral até as 19 horas de 15 de agosto, conforme a resolução do tribunal superior que fixou o calendário. A propaganda eleitoral geral, inclusive na internet, começa em 16 de agosto; o horário gratuito em rádio e televisão vai de 28 de agosto a 1º de outubro, com nova janela entre 9 e 23 de outubro caso haja segundo turno. A diplomação dos eleitos ocorre até 18 de dezembro, e a posse acontece em 5 e 6 de janeiro de 2027, presidente e governadores nessa ordem, por força da Emenda Constitucional nº 111.
A cobertura de centro dedicou-se sobretudo ao serviço. Detalhou a ordem dos seis votos na urna eletrônica, a obrigação de escolher dois senadores diferentes, a dispensa do título de eleitor impresso desde que haja documento oficial com foto, o funcionamento das seções e a proibição de celular na cabine. Também registrou a apresentação, ao tribunal eleitoral, de um observatório criado pela advocacia organizada para acompanhar o pleito, com foco no combate à desinformação e na participação de mulheres, pessoas negras, indígenas e pessoas com deficiência, e noticiou convenções estaduais, como a que oficializou 27 candidaturas no Distrito Federal, encabeçadas por um postulante ao governo local.
Veículos de direita enfatizaram a formação das chapas no campo conservador e as regras que organizam a disputa. Deram destaque à decisão de um partido do centrão de permanecer neutro na eleição presidencial, tomada após consulta aos diretórios estaduais, o que encerrou a possibilidade de uma senadora ocupar a vaga de vice na chapa em formação e deixou a definição do nome em aberto às vésperas do prazo das coligações. Nessa cobertura, o exame das condições de elegibilidade e da desincompatibilização aparece como exigência de segurança jurídica, e o voto facultativo, válido para jovens de 16 e 17 anos, analfabetos e maiores de 70 anos, é tratado como espaço de escolha individual, acompanhado de dados de abstenção que chegaram a 58,9% entre eleitores de 70 anos ou mais em 2022.
Veículos de esquerda enquadraram o mesmo calendário pela ótica da integridade do processo. Uma reportagem detalhou a oficialização, no Espírito Santo, de uma chapa com quatro candidatos submetidos a tornozeleira eletrônica por decisões ligadas a investigações sobre atos antidemocráticos, ressalvando que uma análise preliminar da Polícia Federal não encontrou elementos relevantes contra eles nos materiais apreendidos. Outro texto, opinativo, deslocou o problema da desinformação da internet para o modelo de negócio das plataformas digitais e defendeu uma camada pública de infraestrutura, com transparência algorítmica, interoperabilidade obrigatória e limites à monetização de dados pessoais.
O ponto de convergência é operacional: nenhum dos lados contesta as datas, os cargos em disputa ou o desenho do segundo turno. A divergência está no que se considera o risco principal do pleito. Para a esquerda, é a permanência de candidaturas associadas a atos antidemocráticos e a assimetria informacional produzida pelas plataformas. Para a direita, é a insegurança jurídica em torno de registros e restrições cautelares e o desinteresse do eleitor pelo processo.
O que ainda não se sabe é o desenho final das principais chapas presidenciais, incluindo o nome do vice ainda em negociação, quantos registros serão impugnados após 15 de agosto e como a Justiça Eleitoral tratará os candidatos que seguem sob medidas cautelares.