O candidato à Presidência da República Renan Santos, do partido Missão e líder do Movimento Brasil Livre (MBL), afirmou em 21 de agosto de 2026 que uma emissora de televisão decidiu não convidá-lo para debates e sabatinas da disputa presidencial. A acusação foi publicada no perfil dele na rede social X, onde escreveu que a decisão lhe foi comunicada sem qualquer explicação. Ele classificou a medida como ridícula e disse tratar-se da única emissora a adotar a restrição.
O núcleo factual é o mesmo em toda a cobertura. Como argumento, Renan Santos citou o levantamento do instituto Real Time Big Data realizado em 21 de julho de 2026, que o registrou com 9% das intenções de voto em cenário estimulado, isolado na terceira colocação e à frente de outros nomes da direita. Em junho, o mesmo tipo de levantamento havia apontado 6%. As duas reportagens registram que emissoras costumam usar critérios próprios de representatividade para definir quem participa de debates e que, até a publicação, a direção da emissora não havia divulgado nota sobre o caso. O partido do candidato publicou um posicionamento oficial no mesmo dia.
A divergência aparece no tratamento do número e do enquadramento. Veículos de esquerda deram destaque a uma inconsistência na fala do candidato: na publicação, ele escreveu que havia batido 10% na pesquisa, enquanto o levantamento citado aponta 9%. Essa cobertura também apresentou o critério de representatividade como prática usual do mercado de televisão, o que relativiza a acusação de perseguição e desloca o foco da denúncia para a estratégia de campanha. A cobertura de centro se limita ao verificável: houve a acusação pública, houve a citação de um levantamento e não houve resposta formal da emissora. Veículos de direita enfatizaram a palavra do candidato, trataram a decisão como veto, reproduziram o tuíte na íntegra e levaram para a linha de apoio da reportagem o percentual de 10% alegado por ele, embora o próprio texto informe 9% mais adiante.
O episódio toca uma disputa mais ampla sobre quem define o acesso ao horário nobre em ano eleitoral. Emissoras de televisão fixam critérios próprios de convite e não estão obrigadas a divulgá-los; candidatos deixados de fora perdem uma das poucas vitrines gratuitas de alcance nacional, num momento em que a corrida presidencial ainda está sendo desenhada. Nenhuma das reportagens apresenta o critério objetivo que teria sido aplicado, nem informa se houve comunicação formal ao partido Missão ou apenas um aviso à assessoria do candidato.
Permanece em aberto qual parâmetro foi usado, se a exclusão vale para todos os formatos ou apenas para os debates, se outros concorrentes foram afetados pela mesma decisão e o que o partido Missão pretende fazer além da nota já divulgada. Também não há informação sobre eventual acionamento da Justiça Eleitoral nem sobre o calendário dos debates aos quais o candidato afirma ter sido barrado.