Flávio Bolsonaro deixa o Brasil após Moraes mandar reter passaporte
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A saída de Flávio Bolsonaro do país após descumprir a ordem de entregar o passaporte é lida como fuga de um investigado, mas o governo Lula teme que a decisão de Alexandre de Moraes, tomada logo depois da eleição, alimente o discurso de perseguição política da família Bolsonaro e tensione o início do novo mandato.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado na eleição presidencial, deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a entrega de seus passaportes.
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2 fontes políticas
Veículos com viés à esquerda
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés ao centro
Veículos com viés à direita
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As coberturas concordam que Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, mandou Flávio Bolsonaro entregar os passaportes logo após a eleição e que o senador deixou o país rumo aos Estados Unidos sem cumprir a ordem.
O senador Flávio Bolsonaro deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, mandou reter seus passaportes. Rogério Marinho, líder da oposição no Senado, diz não saber do paradeiro e fala em perseguição política.
O senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, derrotado na eleição presidencial, deixou o Brasil nesta terça-feira, 27 de outubro, com destino aos Estados Unidos, segundo aliados. A saída ocorreu depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que ele entregasse os passaportes, a pedido da Polícia Federal. O senador não cumpriu a ordem.
O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho, do PL do Rio Grande do Norte, que coordenou a campanha de Flávio, disse estar surpreso com a decisão. Segundo ele, os dois haviam conversado na véspera sobre a necessidade de o ex-candidato assumir a liderança da oposição. Marinho contou que a única comunicação do dia foi uma mensagem de texto, por volta das oito da manhã, em que Flávio dizia que iria dar um tempo. Afirmou ainda não saber o paradeiro do aliado nem a rota usada para sair do país. Uma autoridade do governo americano confirmou que o senador receberá visto e terá a entrada liberada.
O caso está ligado a um inquérito que apura a relação de Flávio com o advogado Willer Tomaz, investigado por corrupção e lavagem de dinheiro. Marinho contesta a investigação. Diz que Moraes foi informado de que não havia conta bancária conjunta entre os dois. Ele também aponta que o pedido de medidas cautelares da Polícia Federal chegou sete minutos depois da proclamação do resultado da eleição e foi concedido cerca de uma hora e meia mais tarde. Para o senador, a sequência sugere perseguição política.
A cobertura de centro relatou o episódio principalmente pela voz da oposição, com as declarações de Marinho e a cronologia apresentada por ele, sem resposta do Supremo ou da Polícia Federal no texto. Veículos de esquerda destacaram outro ângulo: a reação dentro do Palácio do Planalto. Segundo esse relato, baseado em bastidores, aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva se irritaram com o momento escolhido para a apreensão, logo após a votação. O próprio Lula teria demonstrado preocupação de que a medida e a saída do senador alimentem o discurso de que há perseguidos políticos no país. Esses veículos trataram a saída como suposta fuga e lembraram que Eduardo Bolsonaro, irmão do senador e ex-deputado cassado, já vive nos Estados Unidos e adota o mesmo discurso. Também relataram o temor de que uma eventual ordem de prisão inflame apoiadores de Jair Bolsonaro e prejudique a governabilidade no início do novo mandato.
Entre as fontes reunidas, não houve cobertura de veículos de direita. A leitura favorável ao senador aparece apenas nas falas de aliados do PL reproduzidas pela cobertura de centro.
Ainda não se sabe onde Flávio Bolsonaro está, por qual rota deixou o país nem se pedirá asilo ao governo americano. Também não há informação sobre a reação do Supremo ao descumprimento da ordem de entrega dos passaportes, nem sobre um eventual pedido de prisão.
Ex-coordenador da campanha do senador disse não saber da localização do aliado

Governistas criticam apreensão do passaporte do senador e avaliam que eventual prisão pode ampliar tensões e prejudicar a governabilidade
