O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, candidato do partido Novo à Presidência da República, afirmou em 19 de agosto de 2026 que apoiará qualquer adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva num eventual segundo turno, mesmo que ele próprio fique fora da disputa final. A posição foi resumida numa frase dita em entrevista de televisão: se for um poste contra o Lula, ele vai no poste. Zema acrescentou acreditar que a direita estará unida na rodada final para derrotar o petista.
Na mesma sequência de entrevistas, o candidato detalhou o que pretende mudar no Supremo Tribunal Federal, alvo recorrente de suas críticas desde a pré-campanha. Defendeu idade mínima de 60 anos para ministros, o fim das decisões monocráticas e a adoção de lista tríplice para as indicações presidenciais. Afirmou que parte dos magistrados presta um desserviço ao país e citou carona em jatinho de banqueiro e contrato milionário envolvendo familiar de ministro. Zema é processado pelo ministro Gilmar Mendes por suposta prática de calúnia.
A cobertura de centro relatou o conjunto da sabatina sem adjetivar e inseriu contraditório factual num ponto sensível: ao tratar da dívida pública de Minas Gerais, informou que o passivo cresceu de R$ 113 bilhões para mais de R$ 160 bilhões entre 2018 e 2026, antes de dar espaço à resposta do entrevistado. Zema sustentou que o que conta é a condição de pagar, não o valor nominal, que o plano de amortização se estende por 15, 20 ou 30 anos e que antecipar parcelas renderia menos do que aplicar o recurso.
No bloco econômico, o candidato defendeu privatizações usando a telefonia como precedente e disse querer fatiar a Petrobras para criar concorrência, criticando a estatal por importar diesel e gasolina. Na política externa, confirmou que seu plano de governo prevê a saída do Brasil do BRICS, bloco que classificou como ferramenta ideológica de sustentação à China, e afirmou que iria pessoalmente aos Estados Unidos para destravar a crise diplomática. Sobre facções criminosas, não descartou avaliar cooperação militar norte-americana, embora tenha dito que Polícia Federal e Forças Armadas têm capacidade para lidar com o problema, e propôs reunião imediata com os presidentes de Estados Unidos, Colômbia, Bolívia e Peru.
Veículos de esquerda não trataram diretamente da sabatina, mas enquadraram o mesmo arco eleitoral por outro ângulo: o de que grandes grupos de mídia estariam concentrando energia investigativa em torno de um filho do presidente justamente quando se discute a possibilidade de vitória no primeiro turno. O argumento é que um resultado decidido logo na primeira votação alteraria a correlação de forças na Câmara, no Senado e nas disputas estaduais, e daria ao presidente mais liberdade para avançar em reindustrialização, fortalecimento do Estado e defesa de empresas públicas. Nessa leitura, o objetivo não seria eleger um nome específico da direita, e sim impedir que a eleição termine na primeira rodada.
Até o fechamento desta análise, nenhum veículo de direita do conjunto havia publicado sobre a sabatina, de modo que a defesa das propostas aparece apenas nas falas do próprio candidato reproduzidas pela apuração de centro. A convergência entre as duas coberturas disponíveis é estreita, mas existe: ambas tratam 2026 como disputa polarizada em torno da permanência de Lula no poder e assumem que decidir em primeiro ou em segundo turno muda o tamanho da margem política do vencedor.
O que ainda não se sabe é se Zema chegará ao segundo turno, quem seria o beneficiário concreto da promessa de apoio e se outros nomes da direita farão declaração equivalente. Também não há resposta pública do Supremo Tribunal Federal ou dos ministros citados às acusações, nem posição do governo federal sobre a saída do BRICS e sobre a hipótese de cooperação militar estrangeira contra facções. O estágio do processo movido por Gilmar Mendes e a viabilidade legislativa das mudanças propostas para a corte, que exigiriam emenda constitucional, seguem sem detalhamento.