As duas vagas do Senado por São Paulo em disputa nas eleições de outubro de 2026 têm hoje duas ex-ministras do governo Lula na dianteira. Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), que integram a chapa encabeçada por Fernando Haddad (PT) ao governo do estado, lideraram os três levantamentos divulgados entre 29 de julho e 2 de agosto, sempre em empate técnico entre si.
Na pesquisa do Paraná Pesquisas, feita com 1.680 eleitores em 79 municípios entre 25 e 28 de julho e registrada no Tribunal Superior Eleitoral, Marina aparece com 31% e Tebet com 30,7%, diferença dentro da margem de erro de 2,4 pontos percentuais. O deputado federal Guilherme Derrite (PP) vem em terceiro, com 24,8%, seguido por Ricardo Salles (Novo), com 19,2%, André do Prado (PL), com 13,5%, e Paulinho da Força (Solidariedade), com 12,3%. Na Genial/Quaest, que ouviu 1.650 eleitores entre 23 e 27 de julho com margem de 2 pontos, os patamares são bem menores: Marina tem 14%, Tebet oscila entre 11% e 12%, Pablo Marçal (União Brasil) marca 9% e Derrite fica entre 7% e 8%, com 21% de indecisos. Já o Instituto Vox Brasil, que entrevistou 1.480 eleitores entre 29 e 31 de julho, mostrou Marina com 28,5% e Tebet com 27,1%. Como cada eleitor escolhe dois nomes, a soma dos percentuais ultrapassa 100% nos cenários estimulados.
Os institutos convergem nos pontos centrais: a dianteira das duas ex-ministras, o empate técnico entre elas, a divisão dos nomes apoiados pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e a alta rejeição das líderes, que aparecem entre as mais recusadas pelo eleitorado em todos os levantamentos que mediram esse indicador. A cobertura de centro concentrou-se na metodologia e na comparação com as séries históricas, registrando que ambas caíram desde abril, e detalhou os cenários de rejeição, o volume de indecisos e o dado de que mais da metade dos eleitores afirma que ainda pode mudar de voto. No cenário espontâneo, sem lista de nomes, quase 80% não souberam citar nenhum candidato.
Veículos de direita enfatizaram outro recorte da mesma semana: a condição das duas como quadros do governo federal, a queda nas séries históricas e o contraste com a aprovação do governo estadual, que varia de 55% a 63,8% nas pesquisas do período. Também deram destaque à articulação do governador que, segundo auxiliares ouvidos sob reserva, atuou nos bastidores para estimular candidaturas de partidos aliados ao Senado, como a da ex-vereadora Soninha Francine e a do empresário Geraldo Rufino, com o objetivo de dividir o eleitorado hoje concentrado nas duas líderes. A cobertura de centro registrou ainda que os candidatos do campo da direita devem explorar nas campanhas o fato de Marina e Tebet terem iniciado suas trajetórias políticas em outros estados, argumento que o próprio governador, nascido no Rio de Janeiro, já tentou usar e teve de recuar.
Veículos de esquerda praticamente não cobriram este ciclo de pesquisas, o que deixa fora do noticiário agregado a leitura desse campo sobre a disputa. As posições das candidatas apareceram sobretudo em entrevistas: Marina afirmou que não pretende voltar ao Ministério do Meio Ambiente em um eventual quarto mandato do presidente e que espera permanecer no Senado para proteger resultados na área ambiental, citando queda de 61,4% no desmatamento da Amazônia em maio na comparação anual. Em evento de campanha, cobrou medidas contra o feminicídio, que segundo ela subiu 10% em São Paulo no primeiro semestre, e maior representatividade de mulheres e de pessoas negras no Congresso. Na campanha de Tebet, a avaliação relatada é de que será preciso calibrar o uso da imagem do presidente para não afastar eleitores de centro e de direita do interior paulista.
Ainda não se sabe como as candidaturas estimuladas pelo grupo do governador vão afetar os números, já que nenhum instituto testou até agora um cenário com todos os nomes recém-oficializados. Segue indefinida a situação de Pablo Marçal, declarado inelegível pelo tribunal regional e que recorre à instância superior, e também a composição das suplências da chapa de Haddad, alvo de disputa entre partidos aliados. Nenhuma das coberturas explicou a diferença de patamar entre os institutos, que vai de 14% a 31% para a mesma candidata, nem mediu o efeito da alta rejeição sobre o resultado de outubro.