Levantamento do instituto Paraná Pesquisas divulgado nesta quarta-feira, 29 de julho de 2026, mostra as ex-ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) na liderança da disputa pelas duas vagas do Senado por São Paulo. Marina aparece com 31% das intenções de voto e Tebet, com 30,7%, em empate técnico dentro da margem de erro de 2,4 pontos percentuais. O deputado federal Guilherme Derrite (PP) é o terceiro colocado, com 24,8%, seguido por Ricardo Salles (Novo), com 19,2%, André do Prado (PL), com 13,5%, e Paulinho da Força (Solidariedade), com 12,3%. Soninha Francine (Cidadania), que teve a candidatura oficializada na véspera, registra 4,8%, tecnicamente empatada com os três nomes da UP.
A pesquisa ouviu 1.680 eleitores presencialmente, em 79 municípios paulistas, entre 25 e 28 de julho. O grau de confiança é de 95% e o estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número SP-04624/2026. A cobertura de centro relatou ainda que o levantamento custou 50 mil reais, pagos com recursos próprios do instituto, e comparou os números com a rodada anterior, de junho: Marina caiu de 35,1% para 31%, Tebet recuou de 32,4% para 30,7% e Derrite passou de 26,7% para 24,8%. Apenas Salles subiu, de 17,1% para 19,2%. No mesmo levantamento, Marina lidera a rejeição, com 29,3%, à frente de Tebet, com 23,4%, e de Paulinho da Força, com 23,2%.
Veículos de direita enfatizaram o retrato do momento e o vínculo das duas líderes com o governo federal, descrevendo-as como ex-ministras do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e integrantes da chapa paulista encabeçada por Fernando Haddad (PT). Nessa cobertura, o ranking, os empates técnicos e a metodologia aparecem sem análise de bastidor. A cobertura de esquerda foi escassa neste ciclo, e o enquadramento que costuma prevalecer nesse campo sublinha outro ponto: duas mulheres com trajetória em pastas de meio ambiente e de planejamento lideram uma disputa em que o principal argumento anunciado contra elas é a origem fora de São Paulo, e não a agenda que defendem.
As coberturas convergem ao descrever um campo à direita fragmentado. Reportagens de centro relatam que os três nomes apoiados pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), Derrite, Salles e André do Prado, pretendem concentrar a campanha na afirmação de que Marina e Tebet não são paulistas e, por isso, não conheceriam as demandas do estado. Há duas semanas, o próprio governador usou o argumento e foi lembrado de que nasceu no Rio de Janeiro. Do outro lado, a chapa de Haddad enfrenta atrito na definição das suplências: a indicação do vereador Djalma Nery (PSol) para a primeira suplência de Marina gerou mal-estar na coligação, e o PDT ameaçou lançar candidatura própria.
A candidatura de Soninha Francine, aprovada pela federação PSDB-Cidadania, entra nesse tabuleiro como incógnita. Segundo a apuração de bastidores, o grupo do governador não vetou a iniciativa por enxergar nela a chance de desidratar as duas líderes, mas os próprios interlocutores divergem sobre a intensidade do gesto: um aliado afirma que ele ficou animado, outro diz que apenas não se opôs, e um terceiro observa que ele não costuma podar adversários. A candidata declara que se considera de esquerda, sem radicalidade, reconhece méritos no governo estadual e afirma que disputará o eleitorado de centro, hoje indefinido nas pesquisas.
O que ainda não se sabe é se a tendência de queda das duas líderes se confirma em outros institutos, se o PSDB lançará um segundo nome ao Senado, como a coligação de Haddad resolverá o impasse das suplências e de que forma a entrada de Soninha altera a distribuição do segundo voto, já que cada eleitor escolhe dois senadores em outubro.