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O ministro Flávio Dino determinou que a Secretaria Judiciária do STF notifique diretamente estados e municípios irregulares no uso das emendas Pix destinadas ao setor de eventos entre 2020 e 2024, atendendo a pedido da AGU. Na mesma frente, a Câmara dos Deputados enviou manifestação ao tribunal negando irregularidades nas indicações de emendas por parlamentares.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou que a própria Secretaria Judiciária da Corte passe a notificar diretamente estados e municípios em situação irregular quanto ao uso das chamadas emendas Pix destinadas ao setor de eventos entre 2020 e 2024. A decisão atende a requerimento da Advocacia-Geral da União, que informou ao tribunal que a notificação feita por meio do Ministério do Turismo não vinha surtindo o efeito esperado. A medida foi tomada no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 854, processo em que o Supremo trata da transparência na distribuição de recursos parlamentares.
Segundo o levantamento atualizado apresentado pela Advocacia-Geral da União, existem hoje 89 planos de ação com pendências críticas na plataforma Transferegov.br, canal oficial usado para o registro e o repasse de recursos públicos pela União. Desses, 21 foram aprovados sem que os entes sequer iniciassem o relatório de gestão, 19 têm apenas relatórios parciais ou em elaboração, 40 estão travados em fase de complementação e outros nove apresentam relatórios pendentes de conclusão. Para quem permanecer omisso, segue valendo a multa diária de 1% sobre o valor total da emenda recebida, sanção fixada em 9 de junho e reafirmada agora pelo relator.
Em paralelo, a Câmara dos Deputados enviou ao Supremo manifestação em que sustenta não haver irregularidade nas indicações de emendas feitas por parlamentares. A Advocacia da Casa afirmou que a tramitação interna segue o rito regimental e anexou atas de bancada e de comissão para demonstrar que as indicações foram deliberadas e aprovadas formalmente. O relator também encaminhou à Polícia Federal as explicações enviadas por presidentes de partidos sobre a influência de dirigentes na indicação de emendas, depois de determinar que 21 siglas se manifestassem. O pedido veio na esteira do bloqueio de R$ 119 milhões em bens do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, desdobramento da Operação Transparência, que apura desvios de emendas. Em resposta ao ministro, Valdemar afirmou não ter cota de emendas e não fazer indicações formais.
Veículos de esquerda destacaram o eixo da responsabilização política: a resposta da Câmara negando irregularidades, o envio das explicações partidárias à Polícia Federal e a suspeita de que um ex-deputado sem mandato pudesse influenciar a destinação de dinheiro público. A cobertura de centro concentrou-se na engrenagem administrativa da decisão: quem notifica quem, quantos planos de ação estão pendentes, qual o percentual da multa e desde quando ela vale. Os dois recortes convergem no fato central, a insistência do relator em obrigar gestores locais a prestar contas do que receberam. Veículos de direita não haviam publicado sobre o caso até o fechamento desta reportagem; o ângulo habitualmente enfatizado por essa cobertura, o custo do gasto público sem controle e o alcance do Judiciário sobre atribuições do Executivo e do Legislativo, não aparece no material disponível.
Ainda não se sabe quais estados e municípios integram as tabelas citadas na decisão, nem qual o valor total das emendas sujeitas à multa diária. Também não há informação sobre o prazo para que os entes regularizem planos de trabalho e relatórios de gestão, sobre o encaminhamento que a Polícia Federal dará às explicações dos partidos, nem sobre quando o relator responderá à manifestação enviada pela Câmara.
As duas frentes de cobertura tratam como fato o endurecimento da fiscalização das emendas pelo relator no Supremo: a Corte passa a notificar diretamente os entes federativos, mantém a multa diária de 1% e amplia a apuração para dirigentes partidários, enquanto a Câmara sustenta formalmente que suas indicações seguiram o rito regimental.
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Classificada como centro, embora o veículo tenha viés editorial esquerda.
Relato factual em estrutura de agência: apresenta a manifestação da Câmara, a decisão do relator, o envio à Polícia Federal e a resposta do investigado, sem vocabulário valorativo. Expressões como regulamente deliberadas e aprovadas aparecem entre aspas, atribuídas à Advocacia da Casa, sem endosso do texto.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés ao centro
Cobertura descritiva do despacho, ancorada em citações literais da decisão e no levantamento numérico da AGU sobre os 89 planos de ação pendentes. Termos como persistente omissão e inércia carregam leve tom avaliativo, mas descrevem a fundamentação do próprio despacho, sem enquadramento ideológico de mercado ou de proteção social.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
Nenhum veículo de direita cobriu esta história.
A Advocacia da Câmara sustentou que a tramitação interna das emendas segue o rito regimental. A Casa anexou atas de bancada e de comissão para comprovar que as indicações feitas pelos deputados foram "regulamente deliberadas e aprovadas".

Dino determina que o próprio STF vai notificar entes irregulares após tentativas do Ministério do Turismo serem ignoradas
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