TikTok paga US$ 400 milhões ao Departamento de Justiça dos EUA por dados de crianças
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O TikTok e a controladora ByteDance aceitaram pagar US$ 400 milhões ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos para encerrar o processo que acusava a plataforma de coletar dados de crianças sem consentimento dos pais, um dos maiores valores já recuperados pelo governo americano sob a Lei de Proteção à Privacidade Online de Crianças (COPPA). São US$ 300 milhões imediatos e US$ 100 milhões condicionados a uma ordem que anule decreto de consentimento anterior firmado pela Musical.ly. No mesmo período, a Abbott anunciou acordo de US$ 670 milhões para encerrar parte dos processos sobre fórmulas para bebês prematuros. Em nenhum dos dois casos houve admissão de responsabilidade.
Os dois acordos encerram passivos jurídicos que travavam decisões de investimento e produção. O TikTok e a ByteDance pagam US$ 400 milhões e viram a página de um processo iniciado em 2024 pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, depois de reformular estrutura societária, gestão, compliance, verificação de idade e supervisão parental, mudanças que o próprio governo americano reconheceu como razão para evitar uma disputa longa.
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Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
As coberturas concordam nos fatos centrais: os dois acordos envolvem pagamento em dinheiro, encerram disputas judiciais que se arrastavam desde 2024 e não trazem admissão de responsabilidade por parte do TikTok, da ByteDance ou da Abbott.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos fechou com o TikTok e a ByteDance um acordo de US$ 400 milhões que encerra o processo sobre coleta de dados de crianças aberto em 2024. No mesmo período, a Abbott aceitou pagar US$ 670 milhões para encerrar parte das ações sobre fórmulas para bebês prematuros. Em nenhum dos casos houve admissão de responsabilidade.
O TikTok e sua controladora, a ByteDance, aceitaram pagar US$ 400 milhões ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos para encerrar o processo que acusava a plataforma de coletar dados pessoais de crianças sem consentimento dos pais. O acordo foi anunciado na sexta-feira, 21 de agosto de 2026, e está, segundo o próprio governo americano, entre os maiores valores já recuperados em um caso baseado na Lei de Proteção à Privacidade Online de Crianças, conhecida pela sigla COPPA. Pelos termos definidos, US$ 300 milhões são pagos de imediato e outros US$ 100 milhões ficam condicionados à emissão de uma ordem que anule um decreto de consentimento assinado anteriormente pela Musical.ly, aplicativo que antecedeu o TikTok.
A ação havia sido aberta em 2024, ainda no governo de Joe Biden. As acusações sustentavam que a empresa coletava informações de menores de 13 anos, mantinha essas contas mesmo sabendo da idade dos usuários e não atendia de forma adequada aos pedidos de pais que queriam apagar contas e dados dos filhos. O acerto financeiro, porém, não encerra a discussão sobre culpa: pelo documento do Departamento de Justiça, as acusações permanecem como alegações e não houve determinação de responsabilidade.
No mesmo bloco de notícias, a fabricante de fórmulas infantis Abbott informou ter fechado um acordo de US$ 670 milhões para encerrar parte dos processos que a acusam de danos ligados a fórmulas destinadas a bebês prematuros. O acerto foi firmado com três escritórios de advocacia que representam cerca de duas mil pessoas, entre elas uma mãe de Illinois que havia obtido indenização de US$ 495 milhões em 2024, quando um júri concluiu que a fórmula da empresa levou sua filha a desenvolver enterocolite necrosante, doença intestinal com taxa de mortalidade estimada acima de 20%. A Abbott desistiu de recorrer daquela decisão, mantida por um tribunal de apelação do Missouri em maio de 2026, e afirma seguir confiante na segurança de seus produtos. A companhia calcula ainda enfrentar reclamações de até 12.700 pessoas, número que, segundo ela, inclui pedidos duplicados e sem fundamento.
O ponto em que as duas coberturas convergem é o desenho jurídico dos acordos. Nos dois casos há pagamento em dinheiro, encerramento de disputas que se arrastavam por anos e nenhuma admissão de responsabilidade pelas empresas. Também convergem no público envolvido: crianças, em um caso; recém-nascidos prematuros, no outro.
A divergência aparece no enquadramento. A cobertura de centro tratou o caso da fabricante de fórmulas em registro de agência, com o valor do acordo, a posição da empresa e o contraponto de que reguladores dos EUA e um grupo de trabalho do Instituto Nacional de Saúde associaram, em relatório de 2024, taxas mais altas da doença à ausência de leite materno, e não ao uso de fórmulas. Veículos de direita, ao noticiar o caso da plataforma de vídeos, deram peso às mudanças de estrutura societária, gestão, compliance, verificação de idade e supervisão parental, apresentadas como razão pela qual o governo americano avaliou não ser necessária uma disputa judicial longa, e lembraram a nova joint venture das operações americanas com Oracle, Silver Lake e MGX. Até o fechamento desta edição, veículos de esquerda não haviam publicado sobre nenhum dos dois acordos, de modo que a crítica típica desse campo, de que indenização sem reconhecimento de culpa não substitui regra vinculante de proteção infantil, não aparece no material disponível.
O que ainda não se sabe é quanto do litígio efetivamente termina aqui. Não há informação sobre quando será emitida a ordem que anula o decreto de consentimento e libera a segunda parcela de US$ 100 milhões, nem sobre quais obrigações de privacidade a plataforma passa a cumprir sob supervisão. No caso das fórmulas, não se sabe como os US$ 670 milhões serão repartidos entre cerca de duas mil pessoas, quantas das até 12.700 reclamações restantes seguem de pé depois da triagem de duplicidades, nem se haverá novo julgamento sobre a relação entre o produto e a doença.

O acordo foi firmado por três escritórios de advocacia que representam cerca de duas mil pessoas com ações contra a Abbott

Departamento de Justiça dos EUA afirma que mudanças na plataforma ajudaram a encerrar a disputa
