Flávio Bolsonaro abandona promessa de abrir contas do Dark Horse sob inquérito
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O senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, afirmou em 24 de agosto de 2026, após reunião da diretoria da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que não cabe a ele prestar contas sobre o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Em 19 de maio, ele havia prometido divulgar em até 30 dias um relatório transparente sobre as despesas e o contrato firmado com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, que repassou R$ 61 milhões dos R$ 134 milhões negociados. A campanha agora sustenta que a responsabilidade é da produtora Go Up Entertainment, que apresentou à Polícia Civil de São Paulo um laudo pericial contratado pela defesa de sua sócia, Karina Ferreira da Gama, apontando custo de R$ 75,2 milhões, sem recibos, notas fiscais ou identificação dos financiadores. Duas frentes correm no Supremo Tribunal Federal: um inquérito aberto em 21 de julho sob relatoria de André Mendonça sobre os repasses de Vorcaro, e outro relatado por Flávio Dino sobre emendas parlamentares destinadas à produtora, no qual ele autorizou a Polícia Federal a acessar as provas colhidas pela polícia paulista.
Para a leitura à esquerda, o episódio é a demonstração de que um candidato à Presidência da República se considera acima da obrigação de transparência. Flávio Bolsonaro prometeu abrir contratos e contas em 30 dias, deixou o prazo vencer e, cem dias depois, transferiu o encargo à produtora Go Up Entertainment e ao fundo Havengate, ambos investigados.
Na leitura à direita, o núcleo do caso é jurídico e não moral: o dinheiro que financiou Dark Horse veio de um fundo privado, e a perícia anexada ao inquérito concluiu que não houve entrada de recursos públicos, de emendas parlamentares ou da Lei Rouanet na produção.
18 fontes políticas
Veículos com viés à esquerda
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Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
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Veículos com viés à direita
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Três meses depois de prometer um relatório transparente sobre o financiamento do filme Dark Horse, o senador Flávio Bolsonaro afirmou que a prestação de contas cabe à produtora Go Up Entertainment e que quem deve explicações é o presidente Lula. O caso envolve R$ 61 milhões repassados pelo banqueiro Daniel Vorcaro e dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal.
O senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, afirmou na segunda-feira, 24 de agosto de 2026, que não cabe a ele prestar contas sobre o financiamento de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Cobrado por jornalistas depois de participar da reunião quinzenal da diretoria da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, a Fiesp, ele reagiu com irritação. “Vocês vão parar no tempo?”, questionou, antes de dizer que quem deve explicações é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A resposta veio pouco mais de três meses depois de o próprio senador prometer, em 19 de maio, um relatório transparente sobre as despesas do filme em até 30 dias.
O ponto de partida do caso é o dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Mensagens divulgadas em maio mostram o senador pedindo recursos ao financiador; o valor negociado teria sido de R$ 134 milhões, dos quais R$ 61 milhões foram efetivamente repassados. Os pagamentos teriam saído da empresa Entre Investimentos e Participações, ligada a Vorcaro, e chegado ao fundo Havengate, sediado no Texas e controlado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos. A Polícia Federal apura se parte desse dinheiro custeou despesas do ex-deputado no exterior, em inquérito aberto em 21 de julho sob relatoria do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Em frente paralela, o ministro Flávio Dino autorizou a Polícia Federal a acessar as provas colhidas pela Polícia Civil de São Paulo contra a Go Up Entertainment, produtora de Karina Ferreira da Gama, que também preside o Instituto Conhecer Brasil, alvo de investigação por um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo.
Toda a cobertura converge em três pontos. O contrato prometido nunca foi tornado público. O documento que a campanha apresenta como prestação de contas é um laudo pericial contratado pela defesa da empresária investigada, entregue à Polícia Civil em junho, que aponta custo de aproximadamente R$ 75,2 milhões, sendo R$ 54,2 milhões gastos nos Estados Unidos e R$ 20,9 milhões no Brasil. E esse laudo não anexa recibos, notas fiscais, contratos nem o detalhamento de despesas como pagamento de elenco e equipe técnica.
A divergência começa na leitura desses fatos. Veículos de esquerda trataram o episódio como promessa descumprida com intenção, destacando que o laudo ignora os cerca de R$ 7,7 milhões em emendas parlamentares recebidos pelo Instituto Conhecer Brasil e o contrato municipal de wi-fi para comunidades da capital paulista, e argumentando que chamar o caso de relação entre privados apaga a origem do dinheiro no entorno de um banco que quebrou. A cobertura de centro concentrou-se na reconstituição documental: reproduziu a promessa original na íntegra, a resposta escrita da produtora dizendo que a documentação foi entregue às autoridades competentes sob sigilo, e a nota da campanha segundo a qual a responsabilidade pela divulgação sempre foi da Go Up Entertainment e o fundo americano está submetido a regras de confidencialidade dos Estados Unidos. Veículos de direita enfatizaram a conclusão da perícia de que não houve entrada de recursos públicos, de emendas ou da Lei Rouanet na produção, e deram espaço amplo à agenda econômica do candidato diante do empresariado, com críticas à carga tributária e ao endividamento das famílias.
A disputa também dividiu o campo conservador. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, disse na quarta-feira, 26 de agosto, que as explicações dadas foram suficientes e que, sem fato novo, o assunto está esclarecido, ao mesmo tempo em que cobrou esclarecimentos do governo federal sobre suspeitas envolvendo o ex-chefe de gabinete do presidente e o filho mais velho dele. No mesmo dia, o candidato do PSD, Ronaldo Caiado, afirmou que negar explicações “desrespeita a inteligência da população” e que quem disputa a Presidência não tem o direito de recusar esclarecimentos.
O que ainda não se sabe é justamente o que a promessa de maio cobriria. Não há detalhamento público dos financiadores, dos contratos, das notas fiscais ou de quanto foi pago a cada fornecedor. Segue sem explicação a diferença entre o aporte declarado pelo fundo Havengate e o valor atribuído ao financiador, assim como a origem dos R$ 20,9 milhões gastos no Brasil. Nenhuma das investigações concluiu se houve desvio, e não há prazo divulgado para a conclusão dos inquéritos no Supremo Tribunal Federal.
Flávio Bolsonaro disse no JN que as contas de “Dark Horse” foram prestadas, mas gastos, contratos e notas fiscais seguem sem divulgação.

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