A Câmara dos Deputados avançou na tramitação da Proposta de Emenda à Constituição que põe fim à escala de trabalho 6x1, regime em que o empregado trabalha seis dias seguidos e folga apenas um. A medida, uma das pautas trabalhistas mais debatidas do ano, chegou ao plenário após a aprovação do parecer em comissão da Casa.
O deputado Reginaldo Lopes, autor da PEC, projetou cerca de 450 votos favoráveis na análise pelo plenário e estimou que a promulgação poderia ocorrer até julho. Em um dos veículos, a aprovação foi noticiada como uma vitória, com 472 votos a favor. O ponto central, em que a cobertura converge, é que a proposta tem maioria expressiva e tramitação adiantada na Câmara.
Veículos de esquerda destacaram a aprovação como uma conquista histórica dos trabalhadores, enfatizando que a escala 6x1 é exaustiva e prejudica a saúde e a vida pessoal de milhões de empregados. Nessa leitura, o fim do regime amplia direitos sociais, reduz a sobrecarga sobre quem mais trabalha e coroa anos de mobilização popular e sindical em torno da pauta.
A cobertura de centro relatou os fatos de forma direta: o parecer aprovado em comissão, a projeção de votos do autor da proposta e o prazo estimado de promulgação, sem aderir a um enquadramento valorativo. O foco recai sobre os números e o calendário de tramitação.
Veículos de direita tendem a enfatizar o outro lado da equação, ainda que esse ângulo apareça de forma reduzida no material disponível: o risco de elevação de custos para as empresas, a perda de flexibilidade na negociação entre patrões e empregados e o impacto sobre setores que dependem do trabalho em fins de semana, como comércio e serviços. Sob essa ótica, alterar o regime de jornada por emenda constitucional pode afetar a competitividade e a geração de empregos formais.
A principal divergência de cobertura está no enquadramento: enquanto a esquerda trata o avanço como ganho de direitos, a perspectiva de direita alerta para o custo econômico e para a rigidez que a mudança imporia ao mercado de trabalho.
O que ainda não se sabe, a partir do material disponível, é o desfecho definitivo da votação e da promulgação, o texto final aprovado, eventuais regras de transição para empregadores e o detalhamento do impacto econômico para os diferentes setores. A cobertura também carece do contraditório de entidades empresariais e de parlamentares contrários à proposta.