O Partido Missão realizou no sábado, 1º de agosto de 2026, em um pavilhão da zona leste de São Paulo, o primeiro congresso nacional da legenda, e usou o evento para lançar formalmente a campanha presidencial de Renan Santos. Fundador do Movimento Brasil Livre e sem nunca ter disputado um cargo eletivo, Santos teve a candidatura oficializada em convenção virtual no dia 20 de julho, antecipada pelo partido por razões de segurança. A chapa é completada pelo tenente-coronel da reserva Aroldo Medina, de 62 anos, que já disputou o governo do Rio Grande do Sul e a Prefeitura de Canoas. O Missão foi aprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral no início de novembro de 2025, tornou-se a 30ª sigla do país e passou a ter direito a recursos do Fundo Partidário e a tempo gratuito de rádio e televisão.
O eixo do ato foi a apresentação do chamado Livro Amarelo, documento que o candidato descreve como a doutrina da legenda e a base tanto da campanha quanto de um eventual governo. O texto reúne diretrizes de economia, segurança, educação, cultura e gestão pública: redução do gasto público e busca por superávit nominal, investimento em infraestrutura e industrialização, endurecimento contra o crime organizado, adoção do método fônico na alfabetização e responsabilização de prefeitos e governadores por resultados. Santos afirmou que pretende que nenhum estado termine um mandato com mais beneficiários do Bolsa Família do que trabalhadores com carteira assinada, e disse que pessoas aptas ao trabalho poderiam perder o benefício ao recusar ofertas de emprego. No capítulo de segurança, prometeu superpresídios, confisco de bens de traficantes e ofensiva permanente contra o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho. Toda a cobertura registra que ele afirma ter recebido ameaças de facções e circular com escolta da Polícia Federal.
A cobertura de centro concentrou-se na logística e na dimensão do evento: mais de oito horas de programação, ingressos que iam de R$ 94, sem lugar para sentar, até mais de R$ 7 mil, com open bar e acesso direto à cúpula da sigla, além da informação de que o Livro Amarelo, com 360 páginas, não pôde ser protocolado integralmente no Tribunal Superior Eleitoral. Esses relatos descreveram o congresso como o passo de estruturação das diretrizes partidárias para a disputa nacional, sem endossar nem contestar o discurso do palco.
Veículos de esquerda enfatizaram a engrenagem por trás da candidatura. Descreveram a Academia MBL como um criadouro de militância dividido em três falanges, com tarefas que vão de convencer vereadores a protocolar projetos de lei do pacote do movimento até produzir vídeos curtos para redes sociais e montar dossiês técnicos. Ligaram a trajetória do grupo a uma articulação mais ampla da chamada nova direita latino-americana, financiada por think tanks conservadores estadunidenses. Nessa leitura, o partido é um projeto de poder profissionalizado que, por vezes, flerta com propostas em atrito com a Constituição de 1988. Esses veículos também destacaram o desempenho do candidato entre os mais jovens: em pesquisa de julho de 2026, ele aparece em primeiro lugar na faixa de 16 a 24 anos, com 38%, e em terceiro no primeiro turno, com 7,8%, atrás de Lula e de Flávio Bolsonaro. Registraram ainda que o candidato, o partido e o movimento não responderam aos pedidos de entrevista.
Veículos de direita destacaram o confronto direto com as facções e o tom de ruptura do discurso. Realçaram a promessa de exterminar organizações criminosas, o desafio aberto às lideranças do Comando Vermelho e do PCC, as críticas ao governo Lula e ao partido que o sustenta, e a recusa do candidato em ser enquadrado como terceira via. Nessa cobertura, a atuação do movimento nas manifestações pelo impeachment de Dilma Rousseff aparece como credencial de capacidade política, e a militância com camisetas de palavras de ordem surge como sinal de mobilização.
Ainda não se sabe como as propostas seriam executadas. O próprio lançamento trouxe poucas explicações sobre cronogramas, custos e instrumentos legais para medidas como os superpresídios, o confisco de bens e a mudança nas regras do Bolsa Família. Também não há detalhamento público sobre o financiamento da campanha, sobre eventuais alianças com outras legendas e sobre como o partido pretende converter o desempenho entre eleitores jovens em votos no conjunto do eleitorado.