O economista Armínio Fraga, presidente do Banco Central entre 1999 e 2002, no governo de Fernando Henrique Cardoso, afirmou que não se arrepende de ter votado em Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno da eleição de 2022. A declaração foi dada em entrevista a uma emissora de televisão na segunda-feira, 27 de julho de 2026, e ganhou repercussão por partir de um nome historicamente associado à ortodoxia econômica e ao campo político que governou o país nos anos 1990.
Até o momento, apenas um veículo cobriu o episódio, em texto descritivo, centrado nas falas do entrevistado e sem contraponto de outras fontes. Segundo esse relato, Fraga explicou que a escolha de 2022 não teve motivação econômica. “Meu voto não foi o voto econômico. Naquele momento, eu tinha sérias preocupações com o futuro da nossa democracia. Eu acredito na democracia, na liberdade e os sinais estavam sendo dados”, disse. Para o economista, esses valores “dominam o quadro econômico” e pesaram mais do que qualquer avaliação de política fiscal ou monetária. No segundo turno daquele ano, Lula disputou com Jair Bolsonaro, que buscava a reeleição e que depois foi preso pela tentativa de golpe do 8 de Janeiro.
Sobre a eleição deste ano, o ex-presidente do Banco Central disse que ainda não decidiu o voto e que aguarda a definição dos nomes que chegarão à reta final da disputa. “Eu procuro votar da forma que eu entendo que é melhor para a sociedade brasileira, olhando a coisa de uma forma ampla. Eu tô aguardando, quero ver para onde o debate vai nos levar, quem é que vai tá na final. Nós estamos, eu diria, ainda na semifinal da Copa”, afirmou. O subtítulo do texto publicado sugere que ele não deu sinal de que poderia votar contra o atual presidente em 2026, embora a própria entrevista registre apenas indefinição.
Na mesma conversa, Fraga fez críticas à condução da economia pelo governo. Ele avaliou que o retrospecto recente é positivo, com três anos e meio de crescimento e desemprego na mínima, mas apontou sinais de desaceleração à frente. O economista citou o quadro fiscal, o tamanho da dívida pública e a necessidade de recuperar a confiança dos agentes econômicos. Defendeu mudanças que classificou como estruturais: uma nova rodada de reforma da Previdência, uma reforma do Estado e ajustes nos regimes de Imposto de Renda. “A má notícia é que isso não tá acontecendo, de certa forma. A esperança é que tem muito espaço para melhorar”, disse.
A fala combina dois eixos que costumam ser lidos de maneiras opostas no debate público: de um lado, o reconhecimento de resultados de emprego e crescimento no período recente; de outro, a cobrança por um ajuste fiscal mais profundo e por reformas que o governo não colocou de pé. Como apenas uma fonte cobriu a entrevista, não há, por ora, leituras concorrentes publicadas por veículos de campos ideológicos distintos, e o material disponível ao leitor se resume à transcrição das declarações e ao vídeo divulgado.
O que ainda não se sabe: o economista não indicou em quem pretende votar em 2026 nem se apoiaria algum pré-candidato específico. Também não detalhou parâmetros das mudanças que defende na Previdência e no Imposto de Renda, não apresentou números próprios sobre dívida pública e desaceleração, e não houve resposta pública do governo às críticas até a publicação da entrevista.