Lula pressiona Congresso pelo fim da taxa das blusinhas sob crítica de Caiado
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Luiz Inácio Lula da Silva divulgou em 18 de agosto de 2026 um vídeo gravado no estúdio de sua campanha pedindo ao Congresso Nacional a aprovação da medida provisória que zera o Imposto de Importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, a chamada taxa das blusinhas. No mesmo dia, o candidato à Presidência Ronaldo Caiado, do PSD, disse em evento com entidades empresariais em Brasília que o governo agiu de má-fé ao retirar a cobrança em ano eleitoral, e não definiu se manteria a alíquota zero caso fosse eleito. A cobrança foi criada por lei de 2024 e zerada por portaria em 12 de maio de 2026; a medida provisória perde a validade se não for aprovada até 8 de setembro.
O núcleo do argumento defendido por Luiz Inácio Lula da Silva é de justiça tributária: quem viaja ao exterior pode gastar até US$ 2 mil sem pagar imposto, enquanto a compra de US$ 50 feita por uma pessoa da periferia era taxada em 20%.
A leitura predominante na cobertura crítica é a de oportunismo fiscal: o mesmo governo que sancionou a cobrança em 2024 a derruba por portaria em maio de ano eleitoral e transfere ao Congresso o ônus de manter ou não o imposto.
10 fontes políticas
Veículos com viés à esquerda
Veículos com viés ao centro
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Veículos com viés à direita
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Nesta matéria: viés de centro.
Todas as coberturas registram os mesmos fatos: a alíquota de 20% sobre compras de até US$ 50 foi criada por lei de 2024, zerada por portaria em 12 de maio de 2026 e depende de aprovação do Congresso até 8 de setembro para não voltar a ser cobrada. Há convergência também sobre a leitura de que a decisão tomada em ano eleitoral transferiu ao Congresso o ônus político de manter ou derrubar o imposto.
O imposto de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 está zerado desde maio, mas volta a valer se o Congresso não aprovar a medida provisória até 8 de setembro. O presidente pediu apoio a Davi Alcolumbre e Hugo Motta em vídeo de campanha; o candidato do PSD acusou o governo de agir em ano eleitoral e não disse o que faria com a alíquota.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou em 18 de agosto de 2026 um vídeo gravado no estúdio de sua campanha à reeleição para pedir ao Congresso Nacional a aprovação da medida provisória que zera o Imposto de Importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, a chamada taxa das blusinhas. No mesmo dia, em evento realizado em Brasília por entidades empresariais, o candidato à Presidência Ronaldo Caiado, do PSD, afirmou que o governo age de má-fé ao retirar a cobrança em ano eleitoral e classificou a mudança como prática criminosa e desrespeitosa com a população.
Os fatos básicos não são disputados por nenhuma das coberturas. A alíquota de 20% sobre compras de até US$ 50 em plataformas inscritas no programa Remessa Conforme foi criada por lei de 2024 e passou a valer em agosto daquele ano. Em 12 de maio de 2026, o governo editou uma medida provisória que autorizou o Ministério da Fazenda a alterar as alíquotas, e uma portaria publicada no mesmo dia zerou o imposto nessa faixa. O texto agora tramita em comissão mista instalada em 12 de agosto, ainda sem relator indicado e com reunião marcada para 1º de setembro. Se Câmara e Senado não aprovarem a medida até 8 de setembro, ela caduca e a cobrança de 20% volta a valer. A Receita Federal arrecadou R$ 5 bilhões com a tributação de encomendas internacionais em 2025, contra R$ 2,88 bilhões em 2024, período em que o número de remessas caiu de 189,1 milhões para 165,7 milhões.
A cobertura de centro relatou a fala presidencial na íntegra e a acomodou no contexto legislativo: o presidente disse estar otimista e afirmou acreditar que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o presidente da Câmara, Hugo Motta, votarão a favor. Essa parte da cobertura também registrou que a tramitação esteve travada pelo rompimento entre o governo e Davi Alcolumbre depois que o senador articulou a rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal, e que a relação foi retomada na semana anterior. Foi ainda nessa faixa de cobertura que apareceram os dois argumentos econômicos em disputa: o dos consumidores, que apontavam encarecimento de produtos populares, e o dos empresários do varejo, que defendem isonomia tributária entre produtos nacionais e importados.
Veículos de direita enfatizaram o caráter eleitoral do gesto. A escolha de contexto nessa cobertura foi tratar o vídeo como peça de campanha, sublinhar que a taxa derrubada foi criada pelo próprio governo e ancorar o episódio na barganha institucional em torno da vaga no Supremo Tribunal Federal, deixando de fora o argumento de benefício direto ao consumidor. É também nessa faixa que ganharam espaço as frases mais duras do candidato do PSD, incluindo a acusação de que o governo é uma cleptocracia, e a cobrança pela ausência do presidente no primeiro debate presidencial, marcado para 23 de agosto.
Não houve, no conjunto de fontes reunido para este caso, cobertura de veículos de esquerda. O argumento que esse lado costuma sustentar aparece na própria fala do presidente e foi reproduzido pelas demais coberturas: quem viaja ao exterior pode gastar até US$ 2 mil sem pagar imposto, enquanto a compra de US$ 50 feita por uma pessoa da periferia era taxada, o que caracterizaria uma cobrança regressiva. O presidente também argumentou que as roupas vendidas no varejo brasileiro vêm de Bangladesh, do Vietnã e da China, para rebater a tese de prejuízo ao comércio.
A divergência de substância entre as coberturas está menos nos fatos e mais no que cada uma seleciona. Onde uma faixa da cobertura mede a medida pela distribuição do peso tributário, a outra a mede pelo calendário eleitoral e pela renúncia de receita. Nenhuma delas apresentou cálculo da perda de arrecadação decorrente da alíquota zero, e nenhuma confrontou a acusação de prática criminosa com o enquadramento legal de uma medida provisória editada dentro do rito constitucional.
O que ainda não se sabe é decisivo. Não há relator indicado na comissão mista, não há placar estimado em nenhuma das duas Casas e o governo não divulgou compensação para a receita perdida. Ronaldo Caiado, questionado se manteria a alíquota zero ou retomaria a cobrança em eventual governo, não definiu posição e disse que ouvirá todos os segmentos da sociedade. O governo não respondeu aos pedidos de manifestação sobre as declarações do candidato até a publicação das reportagens.
Caso a proposta não seja aprovada na Comissão Mista e no Plenário nas duas Casas do Congresso até o prazo, o imposto será retomado

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Candidato diz que ouvirá setores antes de decidir sobre cobrança federal em compras internacionais de até US$ 50 Leia no Poder360.

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Nesta matéria: perspectiva omitida.