O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou em 24 de agosto de 2026 que a Comissão de Constituição e Justiça do Senado deve votar em 2 de setembro a proposta de emenda à Constituição que põe fim à escala 6x1, o regime de seis dias de trabalho para um dia de descanso. O anúncio foi feito em vídeo publicado por ele na rede social X, poucos dias depois de o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), distribuir o texto às comissões.
A proposta, identificada como PEC 221/2019, foi aprovada pela Câmara dos Deputados em 27 de maio e ficou parada no Senado desde então, à espera de despacho da presidência da Casa. O texto chegou à Comissão de Constituição e Justiça em 21 de agosto, sob relatoria do senador Omar Aziz (PSD-AM), aliado do governo. Antes da votação, o colegiado tem audiência pública marcada para 26 de agosto, e o relator pretende apresentar seu parecer em 27 de agosto. Só depois de aprovada na comissão a proposta pode seguir ao plenário do Senado.
A cobertura de centro detalhou o contexto político em torno do calendário. Alcolumbre despachou as propostas prioritárias depois de reatar relações com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em conversa realizada em 12 de agosto, e o governo trabalha para aprovar a mudança antes das eleições. Para isso, precisa evitar alterações no texto que obriguem o retorno à Câmara, o que atrasaria a tramitação. Essa mesma cobertura registrou que a votação em plenário pode ficar para depois do pleito e que Lula se reuniria com Alcolumbre e com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), em 26 de agosto, para tratar da redução da jornada de trabalho e do fim da chamada taxa das blusinhas.
Veículos de direita deram ao anúncio tratamento factual e destacaram o enquadramento institucional. A proposta aparece descrita como prioridade do governo Lula no Congresso, e o despacho de Alcolumbre vem acompanhado da nota em que o presidente do Senado afirma ter determinado o encaminhamento de três propostas prioritárias, a do fim da escala 6x1, a da Segurança Pública e o projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. Na mesma nota, ele ressalta que cabe ao Executivo apresentar prioridades e ao Congresso analisá-las com independência, e que matérias de alta complexidade seguirão o rito ordinário e regimental. A ênfase recai sobre as prerrogativas do Legislativo e sobre o tempo próprio da Casa.
Até o momento, veículos de esquerda não haviam publicado cobertura própria do anúncio no conjunto de fontes reunidas, o que deixa sem contraponto direto o argumento sindical e trabalhista que costuma acompanhar o tema. As falas de teor social presentes no noticiário são as do próprio líder do governo, que classificou a proposta como a maior conquista dos trabalhadores brasileiros desde a Constituição de 1988 e associou o dia extra de descanso ao convívio familiar, à prática religiosa e ao lazer. Do outro lado, nenhuma das reportagens ouviu senadores contrários à mudança nem representantes do comércio, dos serviços e da segurança privada, setores em que a escala de seis por um é mais comum.
O que ainda não se sabe é o essencial do mérito. Nenhuma das reportagens informa qual será o conteúdo do parecer de Omar Aziz, se haverá emendas capazes de devolver a proposta à Câmara, qual regra de transição valeria para atividades de funcionamento contínuo e em quanto tempo a nova jornada passaria a valer caso aprovada. Também não há data marcada para a votação em plenário nem contagem pública de votos assegurados na comissão ou no plenário do Senado.