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O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, faltou ao depoimento marcado pela Polícia Federal em 28 de julho no inquérito que apura suposta calúnia contra o presidente Lula e entregou esclarecimentos por escrito pedindo o arquivamento. Sem o comparecimento, a oitiva foi cancelada por ausência e o ministro Alexandre de Moraes devolveu o caso à Procuradoria-Geral da República, que tem quinze dias para denunciar ou arquivar. No mesmo dia, a defesa do senador apresentou ao Supremo um novo pedido para que o presidente seja investigado por ameaça e incitação ao crime, em razão de fala na convenção do PDT em que associou a figura do traidor ao enforcamento. Nenhuma das duas frentes tem decisão.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, não compareceu nesta terça-feira, 28 de julho, ao depoimento marcado pela Polícia Federal no inquérito que apura suposta calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No lugar da oitiva, seus advogados protocolaram esclarecimentos por escrito e pediram o arquivamento do caso. Diante da ausência, a Polícia Federal cancelou o interrogatório. No mesmo dia, a defesa abriu um segundo flanco: pediu ao Supremo Tribunal Federal que o próprio presidente passe a ser investigado por ameaça e incitação ao crime, em razão de uma fala em que Lula associou a figura do traidor ao enforcamento.
O inquérito contra o senador nasceu de uma publicação feita por ele na rede social X, em janeiro, quando escreveu que o presidente seria delatado e listou crimes como tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, apoio a terroristas e ditaduras e fraude eleitoral. A mensagem foi divulgada no momento em que o governante venezuelano Nicolás Maduro havia sido capturado por militares americanos. Em junho, a Polícia Federal concluiu que a postagem extrapolou os limites da crítica política. O depoimento foi então determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, após manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República. Com a defesa entregue por escrito, Moraes devolveu o caso à PGR, que tem quinze dias para denunciar o senador ou pedir o arquivamento.
Os argumentos da defesa aparecem em todas as coberturas. Os advogados sustentam que a postagem reunia duas notícias verdadeiras e dois comentários independentes entre si, que a frase sobre a delação era uma previsão e não a imputação de um fato concreto, e que o crime de calúnia exige a atribuição de um fato específico e falso. Afirmam ainda que o inquérito foi aberto sem representação do suposto ofendido, que o presidente sequer foi ouvido e que pedidos de produção de provas foram negados.
O outro pedido mira o Planalto. A defesa quer que uma declaração dada pelo presidente na convenção nacional do PDT, em 20 de julho, seja anexada a uma notícia-crime já protocolada em junho. Na ocasião, Lula disse que antigamente traidor era enforcado e falou em pessoas que vão aos Estados Unidos pedir punições contra o Brasil. O pedido original foi motivado por um discurso de 2 de junho, em Catalão, em Goiás, no qual o presidente chamou integrantes da família Bolsonaro de traidores e citou o enforcamento de Joaquim Silvério dos Reis, delator de Tiradentes. O caso está no gabinete do ministro Kassio Nunes Marques, sem decisão.
A cobertura de centro tratou o dia como um episódio processual duplo, detalhando o cancelamento da oitiva, o prazo dado à Procuradoria e o teor das duas petições, sem aderir à tese de nenhum dos lados. Veículos de direita inverteram o eixo da notícia e destacaram sobretudo a nova acusação contra o presidente, apresentando as falas sobre enforcamento como reiteração deliberada e como estímulo à violência política, além de enquadrar a investigação sobre o senador como tentativa de judicializar o embate eleitoral e de restringir a liberdade de expressão. Veículos de esquerda praticamente não deram espaço ao caso até o momento, e esse silêncio deixa sem contraditório tanto a atribuição de crimes ao presidente quanto a leitura de que a fala presidencial configuraria ameaça.
Ainda não se sabe se a Procuradoria-Geral da República vai oferecer denúncia ou pedir o arquivamento do inquérito, nem quando o relator da notícia-crime decidirá se abre investigação sobre o presidente. Também não há manifestação pública do Planalto sobre as acusações de incitação, e nenhuma das reportagens traz o teor integral do discurso feito na convenção do PDT.
A Procuradoria-Geral da República tem quinze dias, contados de 28 de julho, para denunciar o senador ou pedir o arquivamento do inquérito sobre a postagem de janeiro; uma denúncia levaria o caso à análise do Supremo em plena pré-campanha presidencial. Do outro lado, o ministro Kassio Nunes Marques ainda pode abrir inquérito sobre o presidente por ameaça e incitação ao crime. Com a oitiva cancelada, o senador não será interrogado presencialmente e a apuração seguirá apenas com as manifestações escritas já protocoladas.
A cobertura de centro coloca o senador na posição de investigado e trata a petição contra o presidente como desdobramento secundário do mesmo dia. Veículos de direita invertem o eixo e apresentam o senador como acusador, com foco na fala sobre enforcamento como incitação à violência política e na investigação sobre ele como judicialização do embate eleitoral, chegando a não mencionar que ele é alvo de inquérito. Veículos de esquerda não cobriram o caso, de modo que a defesa do presidente contra a acusação de ameaça não aparece em nenhuma reportagem.
Todas as coberturas registram os mesmos fatos: o senador não compareceu ao depoimento na Polícia Federal, apresentou manifestação por escrito pedindo o arquivamento do inquérito sobre a postagem de janeiro, e no mesmo dia sua defesa levou ao Supremo um pedido para que a fala do presidente sobre enforcamento de traidores, dita na convenção do PDT, seja incluída em notícia-crime por ameaça e incitação. Também há convergência de que nenhuma das duas frentes teve decisão até agora.
Não se sabe se a Procuradoria vai denunciar ou arquivar, nem quando o relator decidirá sobre abrir inquérito contra o presidente. Nenhuma reportagem traz manifestação do Planalto, da Advocacia-Geral da União ou do partido do presidente sobre as acusações de incitação, e nenhuma reproduz o trecho integral do discurso da convenção do PDT, apenas a paráfrase feita pela defesa.
4 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
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Veículos com viés ao centro
O texto descreve o cancelamento da oitiva e reproduz os argumentos da defesa sempre atribuídos (“segundo os advogados”, “a defesa sustenta”), contrapondo a posição da Polícia Federal de que a postagem atribuía falsamente crimes ao presidente. Vocabulário neutro, sem adjetivação valorativa, e a seção “O que diz a defesa” é rotulada como tal. Enquadramento factual típico de centro, apesar do peso maior dado ao lado do investigado por ser ele o autor do ato noticiado.
Perspectivas omitidas
Título e corpo coincidem: defesa por escrito em vez de depoimento. A tese da liberdade de expressão aparece entre aspas e atribuída aos advogados, e o texto acrescenta o dado processual mais duro do dia, a devolução do caso à PGR com prazo de quinze dias. Não há vocabulário valorativo próprio do veículo, o que sustenta a leitura de centro mesmo com predominância da voz da defesa.
Perspectivas omitidas
A matéria delimita com clareza o que é alegação da defesa e o que é fato processual, usa aspas para as expressões carregadas (“traidor da pátria”, “vendilhões da pátria”, “reiteração consciente, deliberada e pública”) e encerra registrando que não houve decisão sobre a abertura de inquérito. Nomeia os advogados e reconstrói o discurso de junho. Ausência de voz do lado acusado reduz o equilíbrio, mas o enquadramento permanece factual.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
O texto inverte o eixo do dia: trata o senador exclusivamente como acusador, o identifica como “candidato do PL ao Planalto” e organiza a matéria em torno da acusação de ameaça e incitação contra o presidente, com destaque para a frase sobre enforcamento e para os traidores que iriam aos Estados Unidos pedir punições ao país. A ausência do fato de que ele é o investigado no inquérito principal, somada ao encaminhamento para coluna opinativa interna, marca alinhamento editorial à direita.
Perspectivas omitidas

No documento apresentado à PF e encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), advogados do senador solicitam que, no lugar da oitiva, sejam consideradas suficientes as justificativas apresentadas por escrito. Defesa nega calúnia.

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