O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou nesta sexta-feira, 3 de julho de 2026, que a pré-candidatura do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado à Presidência da República é viável e vai disputar votos com o senador Flávio Bolsonaro no primeiro turno. Em entrevista ao Metrópoles, Kassab classificou a candidatura de Caiado como de centro-direita e disse que ela é 'abrangente' por ocupar o espaço que busca enfrentar o presidente Lula. Kassab, que foi anunciado como vice na chapa em 1º de julho, na sede do PSD em Brasília, também sustentou que o eleitor que quer derrotar Lula tende a perceber Caiado como o nome mais competitivo para um eventual segundo turno.
O anúncio da chapa Caiado-Kassab aconteceu 20 dias antes do início das convenções partidárias, marcadas para 20 de julho. No lançamento, Kassab defendeu uma reforma administrativa e afirmou pretender trabalhar pela melhoria dos serviços de saúde e educação. A candidatura, formada exclusivamente por filiados do próprio PSD, entra na corrida presidencial com Caiado marcando, segundo pesquisas divulgadas até o momento, entre 2% e 3% das intenções de voto.
A cobertura de centro relatou de forma factual as declarações de Kassab, incluindo a articulação em São Paulo. Ele afirmou que o PSD fará campanha pela reeleição do governador Tarcísio de Freitas, apesar de o governador apoiar Flávio Bolsonaro na disputa presidencial. Segundo Kassab, a campanha de Caiado não depende mais de um candidato a governador e está sendo estruturada em todo o país de forma independente. O apoio do PSD a Tarcísio deve ser homologado na convenção partidária do fim do mês.
Veículos de direita enfatizaram o enquadramento da disputa como a busca por um nome capaz de derrotar Lula, destacando a experiência administrativa de Caiado e Kassab e a leitura de que o eleitor de oposição está migrando para a candidatura do PSD. Na Bahia, a cobertura de sites regionais alinhados ao campo de oposição registrou a declaração de voto do prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo, em Flávio Bolsonaro, e o 'cheiro de mudança' apontado por lideranças como ACM Neto, animadas com pesquisas do instituto Paraná que apontam vantagem da oposição no estado.
Uma leitura à esquerda dos mesmos fatos tenderia a destacar a fragmentação do campo da direita, com Caiado, Flávio Bolsonaro, Romeu Zema e outros nomes disputando o mesmo eleitorado, e a ausência de um projeto de país que vá além do objetivo declarado de derrotar Lula. Nenhum dos veículos do agrupamento, contudo, trouxe reação direta de aliados de Flávio Bolsonaro à afirmação de que Caiado seria mais competitivo, nem avaliação independente sobre a viabilidade da candidatura.
O que ainda não se sabe é como ficará a distribuição de forças no campo da centro-direita após as convenções de 20 de julho, se haverá alguma composição entre os pré-candidatos da oposição e qual será a metodologia e a evolução das pesquisas que hoje colocam Caiado em patamar baixo de intenção de voto.