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Lula sanciona nesta quarta proposta que estabelece novas regras para frete rodoviário
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Veículos com viés ao centro
- Congresso em FocoLula sanciona lei de conversão que torna permanente a MP do FretePresidente deve vetar anistia a multas relacionadas ao 8/1; piso é garantido, mas deixa de fora valor.
Análise editorial
Relato de processo legislativo com vocabulário neutro ('acordo entre governo, oposição e representantes dos caminhoneiros', 'considerada estratégica para o setor'). Não há adjetivação nem enquadramento ideológico explícito, mas a matéria só reproduz a perspectiva dos atores institucionais e da categoria, sem o contraditório do setor contratante, o que a torna menos completa que o outro relato sem, contudo, deslocá-la para um dos lados.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta quarta-feira, 5 de agosto de 2026, a lei de conversão da chamada MP do Frete, que altera as regras do piso mínimo do transporte rodoviário de cargas no Brasil. O texto mantém a exigência de que exista um valor mínimo para o frete, mas não fixa esse valor: a definição continua a cargo da Agência Nacional de Transportes Terrestres, a ANTT, que calcula a tabela levando em conta a distância percorrida, o número de eixos e o tipo de carga.
A cobertura de centro relatou que o coração da nova lei é o caráter vinculante do piso. Até agora a tabela existia, mas descumpri-la tinha efeito prático limitado. Com a sanção, contratar frete abaixo do mínimo legal passa a gerar penalidades escalonadas: multa que pode chegar a um milhão de reais, suspensão do registro do transportador e cancelamento do registro em casos de reincidência grave. As regras alcançam também intermediadores e plataformas digitais que ofertem serviços fora do piso. Há ainda a obrigação de cadastrar a operação para gerar o Código Identificador da Operação de Transporte, o CIOT, e a previsão de reajuste automático sempre que o preço do combustível oscilar mais de cinco por cento, para cima ou para baixo, com prazo de três dias úteis. Esse mecanismo, apelidado de gatilho quando foi criado em 2018, nasceu como resposta à greve nacional dos caminhoneiros daquele ano.
Os relatos disponíveis convergem em dois pontos do processo legislativo. O primeiro é a retirada do piso salarial: na comissão da medida provisória e no plenário da Câmara, os parlamentares tinham estipulado um valor nacional de cinco mil reais mensais para caminhoneiros de longa distância, e o Senado, última etapa da votação, excluiu o dispositivo sob o argumento de que ele seria inconstitucional e de que remuneração deveria ser tratada em negociação coletiva. O segundo é a expectativa de vetos. No início desta semana, o Ministério dos Transportes recomendou à Casa Civil a retirada de seis dispositivos do texto aprovado, entre eles a anistia às multas aplicadas a motoristas e transportadores durante os bloqueios de rodovias após as eleições de 2022, a conversão de autuações por excesso de peso em advertência e a permissão para que a ANTT fixasse pisos diferenciados por tipo de operação.
É nesse ponto que as leituras se separam. Veículos de esquerda enfatizam a dimensão de proteção do trabalhador: sem sanção efetiva, o piso era letra morta, e a própria ANTT já aplicou quase um bilhão de reais em multas por descumprimento só neste ano, sinal de que o desrespeito à tabela era rotina. Nessa chave, o motorista autônomo negocia em desvantagem com embarcadores e transportadoras, e a anistia às multas dos bloqueios de 2022, ligados à contestação do resultado eleitoral, é tratada como concessão indevida que deve ser vetada. Veículos de direita enfatizam o outro lado da equação: preço mínimo obrigatório é tabelamento estatal de um contrato privado, e entidades que representam indústrias, produtores rurais, comércio e distribuidores de combustíveis sustentam que qualquer aumento estrutural do custo logístico termina no preço pago pelo consumidor final. Nessa leitura, a multa milionária e o cancelamento de registro dão à agência poder sancionador desproporcional, a derrubada do piso salarial pelo Senado foi correção jurídica necessária e o perdão das multas de 2022 é reparação a quem foi punido administrativamente por protestar.
Briefing
O que importa para você
- Contratar frete abaixo do mínimo legal agora pode gerar multa de até R$ 1 milhão, suspensão e até cancelamento do registro do transportador.
- O piso deve ser reajustado em até três dias úteis sempre que o diesel oscilar mais de 5%, o que muda o custo das contratações ao longo do ano.
- Entidades de indústrias, produtores rurais e distribuidores de combustíveis alertam que o custo logístico maior tende a chegar ao preço de produtos no varejo.
- O piso salarial nacional de R$ 5 mil mensais para caminhoneiros de longa distância não existe na lei sancionada.
Onde os lados divergem
- Esquerda vê regulação necessária de uma relação contratual desigual, em que o motorista autônomo não tem poder de barganha; direita vê tabelamento estatal de preço em contrato privado.
- Esquerda trata a anistia às multas de 2022 como privilégio a atos contra o resultado eleitoral; direita trata como reparação a quem foi punido administrativamente por protestar.
- Esquerda lamenta a queda do piso salarial de R$ 5 mil; direita considera a exclusão correção de um dispositivo inconstitucional.
Onde os lados concordam
- Todos os lados registram que o piso mínimo do frete passa a ser de cumprimento obrigatório, calculado pela ANTT, com sanções para quem contratar abaixo da tabela.
Linha do Tempo
- 05 de ago. de 2026, 00:00Lula sanciona a lei de conversão da MP do Frete, que torna vinculante o piso mínimo do transporte rodoviário de cargas
- 03 de ago. de 2026, 00:00Ministério dos Transportes recomenda à Casa Civil o veto a seis dispositivos do texto aprovado pelo Congresso, entre eles a anistia às multas dos bloqueios de 2022
Fontes

Presidente deve vetar anistia a multas relacionadas ao 8/1; piso é garantido, mas deixa de fora valor.

Proposta define que há necessidade de ter um mínimo para o frete, mas não estabelece valores. Projeto também endurece as punições para empresas que não pagarem o piso.



