O instituto Real Time Big Data divulgou, em dois dias seguidos do início de agosto de 2026, levantamentos de intenção de voto em Sergipe e no Pará que colocam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial nos dois estados. Em Sergipe, os números divulgados na segunda-feira, 3 de agosto, apontam Lula com 60% das intenções de voto no primeiro turno, contra 23% de Flávio Bolsonaro; na simulação de segundo turno, a distância se amplia, com 63% a 27%. No Pará, cujos dados saíram na terça-feira, 4 de agosto, o petista aparece com 43% no cenário estimulado de primeiro turno e o senador com 33%, passando a 45% contra 36% em um eventual segundo turno.
Os dois levantamentos seguem o mesmo desenho metodológico, ponto em que toda a cobertura converge. Cada um ouviu 1.600 eleitores, tem margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. O campo em Sergipe foi realizado entre 28 de julho e 1º de agosto, e o do Pará entre 30 de julho e 3 de agosto. Ambos estão registrados no Tribunal Superior Eleitoral e foram contratados pelo próprio instituto, com recursos próprios, sem encomenda de campanha ou de veículo.
As disputas estaduais medidas no mesmo campo estão mais apertadas que a presidencial. Em Sergipe, o governador Fábio Mitidieri (PSD) tem 43% e Valmir de Francisquinho (Republicanos), 40%, empate técnico que se mantém na simulação de segundo turno, quando a diferença cai para dois pontos. Para o Senado sergipano, as duas vagas seguem indefinidas, com Delegado André David (Republicanos) em 17%, André Moura (União Brasil) em 14% e Dr. Eduardo Amorim (Republicanos) em 13%. No Pará, Hana Ghassan (MDB) marca 31% e Dr. Daniel Santos (Podemos), 29%, também dentro da margem; na simulação de segundo turno a vantagem numérica se inverte, com 38% a 36% para o candidato do Podemos. Na corrida ao Senado paraense, Helder Barbalho (MDB) lidera com 40%, bem à frente do segundo colocado, Delegado Éder Mauro (PL), com 16%.
A cobertura de centro concentrou a atenção no recorte presidencial, destacando a liderança de Lula, o tamanho da vantagem em cada estado e a distinção entre empate técnico e diferença fora da margem de erro. Veículos de direita priorizaram as disputas estaduais e ao Senado, publicando os cenários espontâneo e estimulado na íntegra, e acrescentaram uma ressalva editorial permanente segundo a qual pesquisas são leitura de momento, já apresentaram discrepâncias relevantes em relação ao resultado das urnas em 2022 e influenciam decisões de partidos e o comportamento do mercado financeiro. Veículos de esquerda não cobriram esses levantamentos no conjunto reunido, o que deixa sem contraponto a leitura sobre o que sustenta a vantagem do presidente no Nordeste e no Norte e sobre o desempenho dos candidatos de esquerda nas disputas locais.
Um ponto de contraste factual chama atenção: nenhum dos textos que detalharam as corridas estaduais publicou o cenário presidencial do respectivo estado, e o texto que publicou o cenário presidencial não trouxe os números de governo e Senado, ainda que todos tenham saído do mesmo campo. Também não foram divulgadas séries históricas que permitam comparar esses percentuais com levantamentos anteriores nos mesmos estados.
O que ainda não se sabe é como esses números se distribuem por faixa de renda, escolaridade, religião ou região dentro de cada estado, recortes que não constam do material divulgado. Tampouco há dados de rejeição e aprovação estaduais que ajudariam a medir o teto de cada candidato, nem indicação de quando o instituto voltará a campo nesses dois estados.