O instituto Quaest divulgou em 8 de setembro de 2026 duas pesquisas de intenção de voto para o Senado, uma em Pernambuco e outra em Minas Gerais, ambas com campo entre 4 e 7 de setembro. Em Pernambuco, Marília Arraes (PDT) aparece com 17%, seguida por Humberto Costa (PT), com 14%, e Mendonça Filho (PL), com 11%. Em Minas Gerais, Marília Campos (PT) registra 13%, Aécio Neves (PSDB) 10% e Carlos Viana (PSD) 8%. Nos dois Estados, o resultado considera o consolidado da primeira e da segunda escolha do eleitor, porque cada unidade da federação elege duas vagas para a Casa nesta eleição.
As fichas técnicas são próximas. Em Pernambuco foram ouvidos 1.302 eleitores, com registro PE-00285/2026 no Tribunal Superior Eleitoral e custo declarado de R$ 173.166. Em Minas Gerais foram 1.506 entrevistados, registro MG-04716/2026 e custo de R$ 212.346. Os dois levantamentos têm margem de erro de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos, e grau de confiança de 95%. Ambos foram contratados por um grupo privado de comunicação, que não divulga a íntegra dos estudos.
Essa margem de erro muda a leitura do quadro mineiro. Com 13%, 10% e 8%, Marília Campos, Aécio Neves e Carlos Viana estão tecnicamente empatados na liderança, ou seja, a ordem entre eles não pode ser afirmada com os dados disponíveis. Em Pernambuco, a distância entre a primeira colocada e o segundo colocado é de exatamente três pontos, o limite da margem, enquanto o terceiro nome fica seis pontos atrás da liderança. Nos dois casos, portanto, a disputa pela segunda vaga é o ponto realmente indefinido.
O dado mais volumoso das duas pesquisas não é o de nenhum candidato. Em Minas Gerais, 29% dos entrevistados se declararam indecisos e outros 21% disseram que votariam em branco, anulariam o voto ou não pretendem votar, o que soma metade da amostra. Em Pernambuco, os indecisos são 27% e o bloco de brancos, nulos e abstenção declarada chega a 18%. Onze dos dezesseis nomes testados em Minas Gerais aparecem com 1% ou menos, o que indica desconhecimento amplo das candidaturas nesta fase da campanha.
Até o momento, apenas um veículo publicou os dois levantamentos, e o fez em registro estritamente descritivo: lista completa de candidatos, percentuais, ficha técnica, protocolo na Justiça Eleitoral e valor pago pelo estudo, sem análise de cenário, sem ouvir os candidatos e sem interpretação ideológica dos números. Por se tratar de cobertura de fonte única, não há enquadramentos concorrentes a comparar nesta story: nenhum outro veículo, de qualquer campo, publicou leitura própria desses resultados até aqui.
Há lacunas relevantes. Nenhum dos textos compara os números com pesquisas anteriores nos mesmos Estados, o que impediria dizer se alguma candidatura sobe ou cai. Também não há recortes por região, renda, escolaridade ou religião, nem informação sobre o método de coleta das entrevistas. Como a íntegra dos estudos não é aberta, terceiros não conseguem auditar a distribuição da amostra. E não se sabe como esses quadros se comportam depois do início do horário eleitoral gratuito, quando o bloco de indecisos, hoje maior do que qualquer candidatura individual, tende a se mover.