A definição das chapas ao Senado para as eleições de 2026 entrou em sua fase decisiva na virada de julho para agosto, com impasses simultâneos em pelo menos quatro estados e no Distrito Federal. No Paraná, o governador Ratinho Junior (PSD) oficializou em 31 de julho o apoio à candidatura de Alexandre Curi (Republicanos) a uma das duas vagas em disputa, mas deixou em aberto o segundo nome da aliança com o MDB, fechada um dia antes e que colocou o ex-prefeito Rafael Greca (MDB) como vice de Sandro Alex (PSD) na corrida ao governo estadual.
O impasse paranaense girou em torno de dois nomes. De um lado, o ex-senador Álvaro Dias, indicado pelo MDB; de outro, a jornalista Cristina Graeml, que se filiou ao PSD com o objetivo de conquistar espaço na composição. O governador afirmou ter mais quatro ou cinco dias para ouvir os partidos aliados, negou atritos ao dizer que não existe crise e descartou a saída de Curi da coligação. O presidente estadual do MDB, o deputado federal Sérgio Souza, sustentou que a segunda vaga estava encaminhada para o seu partido, com decisão prevista até 5 de agosto ou durante a convenção. O desfecho veio antes do prazo: Álvaro Dias, então líder das pesquisas, desistiu de concorrer em 3 de agosto e, no dia seguinte, o grupo do governador anunciou Cristina Graeml como candidata.
Fora do Paraná, o quadro é igualmente aberto. No Distrito Federal, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) decidiu disputar uma vaga após reunião com o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, encerrando a dúvida criada pelo atrito público com o senador Flávio Bolsonaro; a outra vaga do partido no DF ficaria com a deputada Bia Kicis. Em Goiás, pesquisa Genial/Quaest divulgada em 30 de abril mostrou a ex-primeira-dama Gracinha Caiado (União) na liderança, com 22%, e a segunda vaga em empate técnico entre pré-candidatos que oscilam de 12% a 8%. Na Bahia, levantamento do Paraná Pesquisas apontou o ex-ministro Rui Costa (PT) com 44,6% e o senador Jaques Wagner (PT) com 35,1%. Em São Paulo, números da Quaest colocaram Marina Silva (Rede) com 14% e Simone Tebet (PSB) com 12%, à frente do nome do PL, com 5%.
A cobertura de centro concentrou-se na aritmética eleitoral e nos movimentos internos dos partidos: quem lidera, quem empata e quais vagas já estariam praticamente decididas. Um desses relatos registrou que a cúpula do PL recebeu de especialistas em pesquisa do próprio partido o recado de que uma das vagas paulistas deve ficar com uma ex-ministra que integra a base do governo federal. Já a cobertura de direita, de perfil regional, deu mais espaço aos bastidores da aliança governista no Paraná e reproduziu com destaque as declarações do governador negando racha entre os aliados e defendendo a construção de um nome de consenso. Veículos de esquerda não deram destaque ao tema até o momento, de modo que o enquadramento crítico sobre a escolha de candidaturas em negociações fechadas entre cúpulas partidárias não aparece no conjunto das matérias.
Ainda não se sabe como o MDB paranaense reagirá à indicação da candidata do partido do governador, depois de ter afirmado publicamente que a segunda vaga estava encaminhada para a legenda, nem se os nomes anunciados serão confirmados nas convenções e no registro de candidaturas. Também não há informação sobre a data e a metodologia da pesquisa interna citada por integrantes do PL em São Paulo. As matérias sobre Goiás e Bahia trazem divergências entre o número de entrevistados e a margem de erro informados no texto e na ficha técnica, e nenhuma das reportagens ouve os pré-candidatos preteridos nos acordos.