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Dois institutos divulgaram em 21 de julho de 2026 levantamentos sobre a disputa presidencial. Um deles apontou 49% de aprovação e 48% de desaprovação ao presidente Lula, empate técnico com leve melhora em relação a maio, além de 41% no primeiro turno contra 30% de Flávio Bolsonaro e vitória do presidente em todos os cenários de segundo turno. O outro instituto registrou 40% a 33% no primeiro turno e 45% a 42% no segundo, diferença dentro da margem de erro, e mostrou o senador liderando a rejeição, com 50%, contra 48% do presidente. Ambas as pesquisas ouviram 2.000 pessoas por telefone entre 16 e 20 de julho e estão registradas no TSE.
Duas pesquisas de intenção de voto divulgadas em 21 de julho de 2026 recolocaram a disputa presidencial brasileira no centro do noticiário político, com leituras bastante distintas sobre a mesma fotografia do eleitorado. Ambos os levantamentos ouviram 2.000 pessoas por telefone, têm 95% de grau de confiança, margem de erro entre 2 e 2,2 pontos percentuais e registro na Justiça Eleitoral.
O primeiro instituto, com campo entre 16 e 19 de julho, apontou 49% de aprovação à forma como o presidente Lula administra o País, contra 48% de desaprovação e 3% que não souberam responder. É empate técnico, mas com variação favorável ao governo em relação à rodada de maio, quando os números eram de 46% de aprovação e 50% de desaprovação. Na avaliação da gestão, 33% consideram o governo bom ou ótimo, 41% ruim ou péssimo e 22% regular. No cenário de primeiro turno, esse mesmo levantamento indicou 41% para o presidente, 30% para o senador Flávio Bolsonaro, 6% para Ronaldo Caiado, 3% para Romeu Zema e 3% para Renan Santos, com vitória do presidente nas quatro simulações de segundo turno testadas.
O segundo instituto, que foi a campo entre 18 e 20 de julho, mediu 40% para o presidente e 33% para o senador no primeiro turno, e 45% a 42% no segundo turno, diferença que cabe integralmente na margem de erro. O mesmo estudo mediu rejeição: 50% dos entrevistados disseram que não votariam no senador e 48% disseram o mesmo sobre o presidente, em pergunta estimulada que permitia citar mais de um nome.
Os três blocos de cobertura convergem nos dados brutos, na metodologia e no fato de que a disputa está polarizada entre dois nomes, com os demais pré-candidatos muito atrás. Também há convergência em um alerta técnico: as rodadas não podem ser comparadas diretamente entre si, porque a lista de nomes testados mudou depois que o presidente do PSDB desistiu da corrida.
A divergência está no ângulo. Veículos de esquerda organizaram a cobertura em torno da recuperação do presidente, destacando a virada na relação entre aprovação e desaprovação desde maio, a vantagem de onze pontos no primeiro turno e a vitória em todos os cenários de segundo turno, com os adversários descritos como distantes. Veículos de direita construíram a notícia sobre o movimento do senador, que oscilou dois pontos para cima e voltou ao empate técnico no segundo turno, e sublinharam que 41% avaliam o governo como ruim ou péssimo. A cobertura de centro relatou os números sem hierarquia política, com ênfase na transparência do estudo, informando a pergunta literal do questionário, o desenho amostral, o custo do levantamento e a origem do financiamento, e destacou o recorte de rejeição, no qual os dois nomes aparecem em patamar semelhante.
Há omissões relevantes em cada lado. A cobertura de esquerda não apresentou os índices de rejeição nem comparou os cenários com a rodada anterior do próprio instituto. A cobertura de direita tratou como recuperação uma oscilação inteiramente contida na margem de erro e deixou de fora a pesquisa divulgada no mesmo dia com vantagem maior do presidente. Nenhuma delas aplicou a margem de erro às diferenças de segundo turno de forma explícita.
O que ainda não se sabe é se a leve melhora na avaliação do governo se sustenta nas próximas rodadas ou se é oscilação de curto prazo. Também não está claro como a saída de um pré-candidato do centro redistribui votos, qual o efeito prático dos altos índices de rejeição dos dois líderes sobre o eleitorado indeciso, nem se outros institutos que vão a campo nas próximas semanas confirmarão o mesmo desenho da disputa.
Todos os lados reconhecem que a disputa está polarizada entre dois nomes, com os demais pré-candidatos somando pouco. Há convergência nos números brutos, na metodologia declarada e no registro das duas pesquisas no TSE. Também é consenso que a avaliação do governo segue dividida, com aprovação e desaprovação em patamares próximos.
4 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
O corpo é majoritariamente numérico e cita metodologia e registro no TSE, o que sustenta rigor factual. O enquadramento, porém, é favorável ao Executivo: o texto qualifica o empate técnico como variação positiva para o petista e ordena os dados a partir da melhora de aprovação. O material editorial que cerca a matéria reforça um posicionamento progressista explícito, coerente com uma leitura de esquerda do mesmo levantamento.
Perspectivas omitidas
A matéria é essencialmente tabular e reproduz percentuais sem adjetivação pesada, o que a aproximaria do centro. O que a inclina à esquerda é a hierarquia informativa: a liderança do presidente em todos os cenários abre o texto, a expressão de que os demais candidatos estão bem longe reforça a vantagem, e não há espaço para dados que relativizem o quadro, como rejeição ou margem de erro aplicada às diferenças de segundo turno.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés ao centro
Texto descritivo, sem adjetivação valorativa e sem hierarquizar politicamente os dois principais nomes além da ordem numérica. Informa a pergunta exata feita ao entrevistado, o caráter estimulado e múltiplo da resposta, amostra, período, margem, grau de confiança, protocolo no TSE, custo e origem do financiamento do estudo. Padrão factual de agência.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
O corpo é factualmente correto e chega a admitir que a oscilação está dentro da margem de erro e que o presidente segue numericamente à frente. O enquadramento, contudo, é claramente favorável ao campo da direita: o título e o lide organizam a notícia em torno da recuperação do senador, a série histórica é acionada para lembrar o episódio em que ele perdeu terreno por um fator externo, e a vantagem do presidente no primeiro turno aparece em segundo plano.

A sondagem se baseia em 2.000 entrevistas entre 16 e 19 de julho. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais

O levantamento aponta liderança do presidente Lula no primeiro turno e em todos os cenários para o segundo

Nova rodada da Real Time Big Data mostra movimentação do senador dentro da margem de erro

Levantamento Real Time Big Data entrevistou 2.000 pessoas de 18 a 20 de julho de 2026. Leia no Poder360.
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Falácias identificadas


