O Partido Liberal decidiu disputar as eleições de 2026 no Rio de Janeiro com uma chapa formada apenas por filiados próprios. O anúncio, feito na terça-feira, 4 de agosto, coloca o deputado federal Carlos Jordy como candidato ao Senado, o deputado estadual Douglas Ruas como candidato ao governo do estado e a vereadora de Niterói Fernanda Louback como candidata a vice-governadora. Os três confirmaram as pré-candidaturas em publicações nas redes sociais no mesmo dia.
A definição veio depois que a federação formada por União Brasil e Progressistas optou por não apoiar formalmente nenhum candidato ao governo fluminense. A consequência prática é conhecida de qualquer estrategista de campanha: sem coligação, o partido terá menos tempo de propaganda eleitoral e contará apenas com a própria rede partidária para apresentar seus nomes ao eleitor. O Rio também é o estado de origem do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, que passa a ter no seu reduto um palanque sustentado por uma única legenda.
Os quatro veículos que cobriram o episódio convergem sobre o essencial: a composição é resultado de uma sequência de baixas, e não do desenho original. O ex-governador Cláudio Castro desistiu de disputar o Senado em maio, depois de ser alvo de operações da Polícia Federal e de ter a inelegibilidade decretada pelo Tribunal Superior Eleitoral. Rodrigo Bacellar, que era o nome do grupo para o governo, saiu da corrida após ser preso em operações da mesma polícia, e foi substituído por Ruas, então secretário estadual das Cidades. Rogério Lisboa, cotado para a vice, também deixou as negociações. Nenhuma cobertura contesta esses fatos.
A divergência está no significado atribuído à chapa. Veículos de esquerda enfatizaram o encolhimento: descreveram a composição como o que sobrou de um projeto desidratado, detalharam as pendências judiciais dos ex-aliados, incluindo a saída de um pré-candidato investigado por suspeita de lavagem de dinheiro e preso em flagrante depois que agentes encontraram um fuzil em seu veículo, e trataram o resultado como aumento do isolamento do pré-candidato presidencial no próprio estado. Veículos de direita enfatizaram o oposto: destacaram que a chapa própria mantém o controle do palanque estadual nas mãos do partido, apresentaram o estado como a base política construída pelo ex-presidente e trataram a saída dos aliados como redução do espaço do centrão, mencionando os problemas policiais apenas de passagem. A cobertura de centro relatou o mesmo movimento como crônica de bastidor eleitoral, sem atribuir vitória ou derrota, e o situou dentro de uma semana de convenções que redesenharam chapas em vários estados.
Esse contexto mais amplo aparece nas duas reportagens de centro do conjunto. No sábado anterior, uma convenção oficializou a candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado por Santa Catarina, com discurso de lealdade ao ex-presidente e promessa de defender os presos pelos atos de 8 de janeiro, além da tentativa de reeleição do governador, que perdeu o apoio do MDB e do Progressistas ao optar por uma chapa fechada. No domingo, em Minas Gerais, o PSD confirmou o senador Carlos Viana na chapa do governador Mateus Simões, decisão que provocou o rompimento com o ex-secretário Marcelo Aro, agora cotado para o palanque presidencial do senador fluminense. O padrão que atravessa os três estados é o mesmo: partidos escolhendo composições mais homogêneas e perdendo aliados no caminho.
O que ainda não se sabe é o tamanho real do custo. Nenhuma das reportagens quantifica quanto tempo de propaganda o partido perde sem coligação, nem apresenta pesquisas que meçam a competitividade dos candidatos anunciados no Rio. Também não há posição formal do União Brasil e do Progressistas explicando os termos da neutralidade, nem esclarecimento sobre se os partidos que ficaram de fora podem apoiar informalmente algum adversário até o registro das candidaturas.