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A parcela de famílias brasileiras com dívidas a vencer chegou a 82% em julho de 2026, recorde da série histórica iniciada em 2010, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo. O indicador subiu 0,4 ponto percentual ante junho e 3,5 pontos na comparação anual. Ao mesmo tempo, a inadimplência recuou levemente e o tempo médio de atraso caiu pelo terceiro mês seguido, enquanto o comprometimento da renda com dívidas voltou a avançar.
A proporção de famílias brasileiras com dívidas a vencer chegou a 82% em julho de 2026, o maior patamar da série histórica iniciada em 2010. O dado é da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, a Peic, elaborada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo. O índice subiu 0,4 ponto percentual em relação a junho, quando estava em 81,6%, e 3,5 pontos na comparação com julho de 2025, quando marcava 78,5%. Foi o sexto recorde do indicador em doze meses.
Os números que aparecem nas duas coberturas descrevem um quadro de movimentos opostos. De um lado, a inadimplência recuou de 29,9% para 29,8% entre junho e julho, ficando abaixo dos 30% registrados no mesmo mês de 2025. O tempo médio de atraso caiu pelo terceiro mês seguido, para 64,6 dias, o menor nível desde dezembro de 2025, e a fatia de consumidores com contas vencidas há mais de 90 dias recuou para 48,5%, a menor desde agosto de 2025. De outro lado, o comprometimento da renda seguiu subindo: 19% das famílias destinam mais da metade do que ganham ao pagamento de dívidas, maior percentual desde março, e o endividado médio compromete 29,5% da renda mensal.
O corte por faixa de renda é o ponto mais sensível do levantamento. Entre as famílias que recebem até três salários mínimos, o endividamento chegou a 84,9%, novo recorde e acima da média nacional. Esse foi o único grupo em que a proporção de contas em atraso subiu no mês, de 38,3% para 38,5%, e nele cresceu para 17,8% a parcela dos que afirmam não ter condições de pagar o que devem.
Veículos de esquerda destacaram justamente esse recorte. Trataram a queda da inadimplência como alívio apenas aparente, enfatizaram que o crédito vem sendo usado como instrumento de sustentação do consumo por famílias de baixa renda com orçamento pressionado e creditaram parte da regularização de pendências a programas públicos de renegociação, como o Desenrola 2.0. A cobertura de centro manteve enquadramento estritamente estatístico: registrou o recorde, a sequência de seis máximas em doze meses e a avaliação da própria confederação, que não descartou uma continuidade gradual da alta do endividamento, sem atribuir causas ou responsabilidades. Veículos de direita não deram cobertura ao levantamento até o momento, de modo que a leitura habitual desse campo, centrada no custo do crédito e na capacidade de pagamento das famílias, não aparece no material analisado.
A divergência de ênfase, portanto, não está nos dados, que são os mesmos, e sim no peso dado a cada metade do quadro. Uma leitura organiza a matéria em torno da desigualdade entre faixas de renda e do papel das políticas públicas de renegociação. A outra organiza a matéria em torno da série histórica do indicador e do risco de que o patamar continue subindo, deixando a interpretação para o leitor.
Permanecem em aberto pontos que nenhuma das coberturas responde. Não há detalhamento da composição das dívidas por tipo de crédito, nem estimativa do peso da taxa básica de juros na conta das famílias. Também não há mensuração do efeito real dos programas de renegociação sobre o estoque de dívida, projeção numérica da confederação para os próximos meses ou manifestação de autoridades econômicas sobre o resultado de julho.
As coberturas convergem nos números e no diagnóstico básico: o endividamento das famílias bateu recorde em julho de 2026, com 82% delas devendo, enquanto a inadimplência recuou de forma marginal. Ambas reconhecem que a queda dos atrasos não significa recuperação da renda disponível e que a confederação vê risco de o patamar continuar subindo.
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
O texto é sólido em dados, mas o enquadramento privilegia a vulnerabilidade dos grupos de menor renda ('famílias com até três salários mínimos', 'grupos mais vulneráveis') e credita a melhora parcial a programas públicos de renegociação como o Desenrola 2.0, relativizando o recuo da inadimplência como alívio apenas aparente. É a leitura clássica de proteção social e papel do Estado, sem vocabulário de crédito caro ou responsabilidade individual.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés ao centro
Registro estritamente estatístico: percentual de julho, comparação com junho e com julho de 2025, contagem de recordes na série iniciada em 2010 e a ponderação da própria confederação sobre possível continuidade gradual da alta. Sem adjetivação valorativa e sem atribuição de causa ou responsabilidade a governo ou mercado.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
Nenhum veículo de direita cobriu esta história.

Desenrola 2.0 ajudou a reduzir atrasos, mas 82% das famílias tinham dívidas a vencer em julho; consumidores de menor renda seguem pressionados

Foi a sexta vez em 12 meses que o indicador ficou acima dos maiores resultados da série histórica
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